A inauguração do Complexo Cultural Carro de Boi e do espaço Jerimum, realizada nesta segunda-feira (1º), em Feira de Santana, foi marcada também pela abertura da exposição “Sertão de Amélio Amorim”, que apresenta ao público aspectos da trajetória e da contribuição do arquiteto responsável pelo projeto original do Centro de Cultura que leva seu nome.
Responsável pela curadoria histórica da mostra, a historiadora Larissa destacou a importância do trabalho de pesquisa desenvolvido para reconstruir a memória de Amélio Amorim e apresentar ao público detalhes da vida e da obra de um profissional considerado à frente de seu tempo.
Segundo ela, o processo de pesquisa durou aproximadamente três meses e envolveu a busca por documentos históricos, registros jornalísticos e depoimentos de familiares e pesquisadores.
“Foi uma experiência única. Eu falo como historiadora feirense. Para mim, que hoje estou à frente da Diretoria de Espaços Culturais da Bahia, foi muito especial pesquisar um pouco mais sobre Amélio Amorim, um homem à frente do seu tempo, um arquiteto que pensou esse espaço para além do modernismo, mas preservando sua identidade regional”, afirmou.
A historiadora explicou que uma das etapas mais importantes do trabalho foi a consulta a fontes documentais existentes em instituições como o Museu Casa do Sertão, além do contato direto com familiares do arquiteto. Ela ressaltou que a memória oral teve papel fundamental na construção da exposição.
“Além dos registros históricos, tivemos o apoio fundamental da família de Amélio. Foi muito emocionante ouvir relatos de parentes, especialmente de sua sobrinha, contando histórias e lembranças afetivas. Isso trouxe uma dimensão humana muito importante para a pesquisa”, destacou.
Larissa também agradeceu a colaboração de diversos pesquisadores e instituições que contribuíram para a recuperação das informações históricas. Entre os nomes citados estão os historiadores Clóvis Ramayana, Adriana Dantas e Márcia Sueli, além do apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
De acordo com a curadora, a exposição representa não apenas uma homenagem ao arquiteto, mas também um esforço de preservação da memória cultural de Feira de Santana.
“Essa obra é fruto de um trabalho minucioso de historiografia, de cuidado e respeito à memória de Amélio Amorim. Hoje entregamos esse registro graças à dedicação do Governo do Estado e da Secretaria de Cultura, mas também ao empenho de muitas pessoas que ajudaram a reconstruir essa história”, afirmou.
A exposição “Sertão de Amélio Amorim” ficará aberta ao público pelos próximos 15 dias. A proposta é proporcionar aos visitantes uma imersão na trajetória do arquiteto e, ao mesmo tempo, na história cultural de Feira de Santana.
“Quem visita o Complexo Carro de Boi e o Jerimum tem uma experiência única. É uma oportunidade de mergulhar não apenas na história de Amélio Amorim, mas também na própria história de Feira de Santana”, concluiu a historiadora.
A mostra integra a programação de reabertura do Centro de Cultura Amélio Amorim, equipamento cultural que passou por obras de requalificação e volta a funcionar como um dos principais espaços de promoção artística e cultural do interior da Bahia.
