Famílias residentes em um conjunto de casas adquiridas por meio de financiamento habitacional vivem momentos de angústia e incerteza após serem surpreendidas, na manhã desta terça-feira, por uma ordem de desocupação dos imóveis onde moram há cerca de oito anos. A situação mobilizou moradores, policiais e oficiais de justiça.
Uma das moradoras afetadas é Eliete Ramos, que afirma ter comprado a residência em 2018 junto à construtora Gabriel Carneiro, por meio de financiamento da Caixa Econômica Federal. Segundo ela, os proprietários foram pegos de surpresa com a chegada de oficiais de justiça e equipes policiais para cumprir uma determinação relacionada ao terreno onde os imóveis foram construídos.
“É um momento que você, quando pensa, acha que nunca passaria por isso. Nós compramos uma casa, pagamos com muito sacrifício e hoje estamos sendo obrigados a sair de dentro da nossa casa, com tudo dentro, com nossa filha, nossos animais”, desabafou.
De acordo com Eliete, quatro famílias que adquiriram imóveis na mesma área estão sendo afetadas pela medida. Ela relata que todos os moradores mantiveram os pagamentos em dia e acreditavam estar com a situação totalmente regularizada.
“Nós compramos em 2018 e viemos pagando com muito sacrifício. Pagamos financiamento pela Caixa. Agora temos que sair da casa porque o terreno foi invadido, segundo estamos sabendo agora. Nós não sabíamos de nada disso”, afirmou.
Além da preocupação com a própria família, Eliete também destaca o drama vivido por uma das vizinhas, que cuida da mãe idosa.
“A outra vizinha passou mal. A mãe dela tem Alzheimer, tem 89 anos. Ela tem os cachorros, os filhos. Vai para onde? Nós vamos para onde?”, lamentou.
Segundo os moradores, eles não receberam qualquer notificação prévia sobre a desocupação. Eliete afirma que todas as comunicações relacionadas ao processo teriam sido direcionadas à construtora, sem que os compradores fossem informados sobre a situação.
“Nós não fomos notificados. A notificação existe para a construtora. Nós, moradores, não sabemos de nada. Fomos pegos de surpresa. Essa é a nossa indignação”, declarou.
A situação gerou revolta entre os residentes, que afirmam ter investido anos de trabalho para conquistar a casa própria e agora enfrentam a possibilidade de perder o imóvel sem ter participado das disputas judiciais envolvendo o terreno.
“Quando a gente anda honesto, acontece isso? A gente trabalha para poder quitar a casa. É um momento em que você não sabe nem o que falar, nem o que pensar”, concluiu Eliete Ramos.
Os moradores aguardam esclarecimentos sobre o caso e cobram uma solução que garanta seus direitos, diante da insegurança provocada pela ordem de desocupação.
