Matheus, dos Bambas do Nordeste, defende valorização do forró e lamenta falta de espaço para artistas da região

Presente em mais uma edição do Arraiá do Comércio, em Feira de Santana, o cantor Matheus, da banda Bambas do Nordeste, destacou a importância de manter viva a tradição do forró e celebrou a presença do público na festa.

Segundo ele, a grande participação popular demonstra a força do gênero musical nordestino.

“A gente fica muito feliz de estar mais um ano aqui no Arraial do Comércio e trazer a nossa música, a nossa identidade, a nossa força. Uma prova é essa multidão na praça. Aos gestores das cidades, eu digo: pode botar forró na praça porque tem público”, afirmou.

Matheus lembrou ainda que os Bambas do Nordeste estiveram entre os pioneiros do evento e comemorou o crescimento do festejo ao longo dos anos.

“A gente fica muito feliz por ter dado o pontapé inicial nesse Arraiá do Comércio, que virou esse gigantesco evento que a gente vê hoje em Feira de Santana”, disse.

Durante a entrevista, o artista ressaltou que o povo nordestino tem uma ligação histórica com o São João e com o forró.

“O povo nordestino espera o mês de junho para dançar forró. Isso está na nossa alma. Luiz Gonzaga musicou o São João, trazendo a comida típica, a bebida típica, a vestimenta, o artesanato e a agricultura familiar”, destacou.

Matheus também falou sobre os desafios enfrentados pelas bandas de forró na atualidade. Segundo ele, apesar da tradição e da força cultural do gênero, os artistas têm perdido espaço nas programações dos eventos.

“Hoje é muito desafiador trabalhar com forró. Na grade são quatro sertanejos, quatro bandas de arrocha, quatro bandas de pagode e um de forró, quando deveria ser ao contrário”, criticou.

O cantor destacou ainda a contribuição histórica dos Bambas do Nordeste para a evolução do gênero. De acordo com ele, a banda foi pioneira ao introduzir instrumentos de sopro no forró, em 1975, influenciando diversas formações musicais que vieram depois.

“Hoje muitas bandas utilizam trombone, sax e trompete, e tudo isso começou aqui em Feira de Santana. Os Bambas do Nordeste têm 11 discos gravados e uma história de reconhecimento internacional”, afirmou.

Por fim, Matheus lamentou a falta de valorização dos artistas locais e fez um apelo em defesa do forró.

“Feira de Santana tem grandes artistas que saem daqui para fazer forró lá fora, mas não são valorizados aqui dentro. As bandas de forró estão paradas. A gente pede à imprensa que continue nos ajudando, porque não temos lugar nem cidade para tocar”, concluiu.

Fotos e Reportagem: Fernanda Martins

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