Denúncias de violência contra mulheres na internet crescem 188% em um ano, diz ministério

Foto: Freepik

As denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais cresceram 188,6% em um ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Ministério das Mulheres. Entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, recebeu 16.725 denúncias relacionadas a crimes praticados na internet. No mesmo período de 2025, foram registradas 5.795 ocorrências.

Segundo a pasta, redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outros ambientes virtuais têm sido usados para controlar, ameaçar, humilhar, perseguir, chantagear e expor indevidamente meninas e mulheres.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o aumento das notificações pode refletir a redução da subnotificação. “Ter os dados da realidade é muito importante. A gente só vai acertar nas respostas pelos governos, políticas públicas, quando tiver mais realismo nas informações”, disse.

De acordo com a ministra, a maior confiança no serviço e o aprimoramento do acolhimento às vítimas podem ter contribuído para o aumento das denúncias.

Atendimento foi atualizado

O Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) promoveram a capacitação de cerca de 350 atendentes do Ligue 180 para aprimorar o atendimento de casos de violência digital. O protocolo e o formulário de registro também foram atualizados para incluir novas modalidades de agressão praticadas no ambiente virtual.

Em média, a central recebe cerca de 3 mil ocorrências por dia, sendo aproximadamente 30% delas formalizadas como denúncias. Em 2026, a violência digital passou da sétima para a quinta posição entre os tipos mais registrados.

Novo decreto prevê regras para plataformas

As mudanças acompanham a entrada em vigor do decreto presidencial nº 12.976/2026, que estabelece diretrizes para a atuação das plataformas digitais diante de crimes de violência contra mulheres na internet.

Entre as medidas previstas está a remoção, em até duas horas, de imagens íntimas divulgadas sem consentimento. O decreto também equipara os chamados “deep nudes”, imagens falsas criadas por inteligência artificial, a conteúdos reais, considerando que os impactos sobre as vítimas são os mesmos.

O Ministério das Mulheres lançou ainda a campanha “O Digital é Nosso Lugar”, com foco na conscientização e no incentivo às denúncias por meio do Ligue 180.

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