Os festejos juninos de 2026 terminaram com um saldo positivo para os municípios baianos. Além de movimentar mais de R$ 2,5 bilhões na economia e registrar crescimento superior a 3% no número de turistas, as prefeituras economizaram mais de R$ 64 milhões na contratação de atrações. O resultado, segundo o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, demonstra que é possível realizar grandes eventos sem comprometer as finanças públicas.
Conscientização reduziu cachês e evitou gastos excessivos
De acordo com Wilson Cardoso, a economia foi resultado de um esforço conjunto entre prefeitos, Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), UPB e artistas. Segundo ele, diversos cachês foram renegociados e alguns artistas reduziram significativamente os valores cobrados em relação ao ano anterior.
O presidente da UPB afirma que o objetivo nunca foi diminuir a qualidade das festas, mas estabelecer preços compatíveis com a realidade financeira dos municípios. Para ele, havia uma escalada nos cachês que já não encontrava justificativa e acabava comprometendo recursos que poderiam ser aplicados em outras áreas da administração pública.
Valorização dos artistas regionais
Outro ponto destacado por Wilson Cardoso foi a valorização dos artistas regionais. Neste ano, a pedido da UPB, o Governo da Bahia estabeleceu que pelo menos 25% dos recursos estaduais destinados aos festejos fossem investidos na contratação de artistas locais e nordestinos.
Agora, a entidade pretende avançar ainda mais. A proposta é que os municípios aprovem leis determinando que 40% dos recursos destinados às festas juninas sejam aplicados na contratação de artistas da própria região, fortalecendo a cultura nordestina e ampliando as oportunidades para músicos locais.
Economia deve reforçar investimentos na saúde
Segundo o presidente da UPB, a principal destinação dos recursos economizados será a saúde pública. Ele explica que, diferentemente da educação, que conta com recursos do Fundeb, os municípios precisam utilizar grande parte das receitas próprias para custear hospitais, unidades de saúde e serviços de média e alta complexidade.
Para Wilson, reduzir despesas nos festejos significa abrir espaço para ampliar investimentos em áreas prioritárias, especialmente nos municípios de pequeno e médio porte, que enfrentam maiores dificuldades financeiras.
UPB defende redução da alíquota do INSS
Além do balanço dos festejos juninos, Wilson Cardoso destacou a mobilização da UPB em Brasília pela aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 51/2023, que propõe reduzir a alíquota patronal do INSS paga pelos municípios.
A proposta cria um modelo semelhante ao Simples Nacional, no qual as prefeituras contribuiriam de acordo com sua capacidade financeira. Municípios com menor receita pagariam alíquotas menores, enquanto aqueles com maior arrecadação contribuiriam com percentuais mais elevados.
Segundo Wilson, a medida permitiria que mais recursos permanecessem nos cofres municipais para investimentos em saúde, assistência social, infraestrutura e desenvolvimento local.
Outras pautas municipalistas
A UPB também articula a aprovação da PEC 253, que amplia a atuação das entidades municipalistas junto ao Supremo Tribunal Federal, além da criação de uma nova parcela extra de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mês de março.
Na avaliação da entidade, as medidas contribuiriam para equilibrar as contas das prefeituras ao longo do ano e ampliar a capacidade de investimento dos municípios.
Equilíbrio entre festa e responsabilidade fiscal
Ao fazer um balanço do São João 2026, Wilson Cardoso afirmou que os resultados demonstram ser possível conciliar responsabilidade fiscal, fortalecimento da economia e preservação da cultura. Para ele, o crescimento do turismo, a movimentação superior a R$ 2,5 bilhões e a economia de mais de R$ 64 milhões comprovam que os municípios podem realizar grandes festas populares sem comprometer recursos destinados aos serviços essenciais.