A delegada Lorena Almeida afirmou que a investigação teve início imediatamente após o registro da ocorrência, no dia 19 de julho, quando uma mulher denunciou ter sido vítima de importunação sexual dentro da academia de um condomínio residencial, em Feira de Santana.
Segundo a delegada, a vítima foi ouvida na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), recebeu acolhimento e teve a solicitação de medida protetiva encaminhada. Paralelamente, os investigadores recolheram as imagens gravadas pelo celular da vítima e pelo sistema de videomonitoramento do condomínio.
Imagens comprovaram o crime
De acordo com Lorena Almeida, as imagens reunidas durante a investigação demonstraram que o suspeito praticou ato libidinoso sem o consentimento da vítima, conduta prevista no crime de importunação sexual.
As imagens do condomínio também mostraram que o investigado teria planejado a ação. Antes de cometer o crime, ele virou as câmeras internas da academia para dificultar o registro da prática. No entanto, sem perceber, a vítima havia posicionado o celular para filmar seu treino, registrando a ação.
A delegada explicou ainda que, ao perceber que a vítima havia identificado o ocorrido e buscado ajuda na portaria do condomínio, o suspeito fugiu do local. As câmeras externas registraram o momento em que ele deixou o condomínio correndo.
Prisão preventiva foi decretada após fuga
Após o crime, equipes da Polícia Civil realizaram diligências na residência do investigado, mas ele já não foi encontrado. Familiares afirmaram desconhecer seu paradeiro.
Diante da fuga, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva. O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público e foi deferido pelo Poder Judiciário.
Durante a coletiva, Lorena Almeida destacou que a prisão preventiva não foi motivada apenas pela existência de provas do crime, mas principalmente pela fuga do investigado, requisito previsto na legislação para garantir a aplicação da lei penal.
Localização em Simões Filho
Mesmo após a expedição do mandado, o suspeito permaneceu foragido. Segundo a delegada, a Polícia Civil desenvolveu um trabalho de inteligência que permitiu identificar inicialmente que ele estava em Simões Filho e, posteriormente, localizar o endereço exato onde permanecia escondido.
Na sexta-feira (24), equipes da Polícia Civil cumpriram o mandado de prisão. O homem foi encontrado em um imóvel aparentemente abandonado, com obras paralisadas. No local, havia colchão, cobertas, travesseiros e objetos de higiene pessoal, indicando que o espaço havia sido preparado para ocultá-lo.
Ainda conforme Lorena Almeida, o investigado tentou fugir novamente ao perceber a chegada dos policiais, mas foi capturado.
Suspeito permaneceu em silêncio
Após ser conduzido à delegacia, o homem foi interrogado, mas exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e não apresentou qualquer versão sobre os fatos.
Polícia apura possível existência de outras vítimas
A delegada informou que a Polícia Civil recebeu informações sobre a possibilidade de outras mulheres terem sido vítimas de comportamentos semelhantes praticados pelo investigado.
Segundo ela, neste primeiro momento a prioridade foi concluir as diligências relacionadas ao caso registrado no condomínio. As novas informações serão analisadas e, caso haja elementos suficientes, poderão dar origem a novas investigações.
Auxílio à fuga pode gerar responsabilização
Durante a coletiva, Lorena Almeida alertou que pessoas que tenham colaborado para esconder o paradeiro do investigado poderão responder pelo crime de favorecimento pessoal, caso a participação seja comprovada.
Ela explicou que a legislação prevê exceções para parentes em determinadas situações, mas ressaltou que terceiros que tenham auxiliado na fuga podem ser responsabilizados criminalmente.
Caso segue sob responsabilidade da Justiça
O suspeito permanece à disposição da Justiça e deverá passar por audiência de custódia. Caberá ao Poder Judiciário decidir se a prisão preventiva será mantida durante o andamento do processo criminal.
