A sanção da lei que autoriza mulheres a adquirirem spray de pimenta para defesa pessoal reacendeu o debate sobre a eficácia e os riscos do equipamento. Embora a medida represente um reforço na proteção feminina, especialistas alertam que o dispositivo não deve ser visto como solução para todas as situações de violência. O iInstrutor de Uso da Força e Armamento, Munição e Tiro George Paim destaca que o uso exige preparo, conhecimento técnico e responsabilidade para evitar acidentes e garantir a própria segurança da usuária.
Segundo Paim, cada situação de violência possui características próprias e, por isso, não há um único equipamento capaz de resolver todos os cenários de agressão. Ele explica que o spray de pimenta possui limitações e pode atingir não apenas o agressor, mas também quem o utiliza e outras pessoas próximas, principalmente em ambientes fechados.

“O equipamento tem as suas peculiaridades. A mulher não pode acreditar que apenas carregar um spray de pimenta na bolsa será suficiente para resolver qualquer situação de risco. Dependendo do ambiente, ela também poderá sofrer os efeitos do produto”, afirmou.
O inspetor esclarece que o spray é produzido a partir da capsaicina, substância extraída de pimentas, e provoca irritação intensa nos olhos, pele e vias respiratórias, causando lacrimejamento, tosse, ardência e forte desconforto psicológico. Apesar da sensação de sufocamento que pode provocar, ele ressalta que o produto não apresenta risco de morte para a população em geral, sendo casos de reações alérgicas graves considerados extremamente raros.
Outro ponto destacado é a necessidade de fiscalização da comercialização. A nova legislação estabelece critérios para compra, como idade mínima de 18 anos, apresentação de documento oficial e rastreabilidade dos produtos. Para Paim, essas exigências são importantes para impedir a circulação de equipamentos clandestinos, que podem apresentar riscos adicionais, como produtos inflamáveis comercializados sem controle.
O inspetor também defende que a regulamentação seja acompanhada de programas de capacitação para orientar as mulheres sobre o uso correto, os cuidados após a aplicação e as limitações do equipamento.
“O spray deve ser entendido como um instrumento para criar uma oportunidade de fuga e não para enfrentar o agressor. A finalidade é incapacitar momentaneamente o atacante para que a vítima consiga escapar e buscar ajuda”, explicou.
George Paim ainda ressalta que o simples fato de portar o equipamento não substitui outras medidas de prevenção e autoproteção. Para ele, vídeos educativos, treinamentos e campanhas de orientação serão fundamentais para que o uso do spray de pimenta seja feito de forma segura e responsável, reduzindo riscos tanto para as vítimas quanto para terceiros.
