Feira de Santana sediou, na noite do dia 28 de julho, o 3º Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito. O evento reuniu representantes de instituições públicas, entidades de classe e organizações da sociedade civil para discutir ações voltadas à prevenção de acidentes e à conscientização sobre a segurança viária.
Para Ricardo Martins, chefe da unidade local do DNIT em Feira de Santana, o Anel de Contorno se destaca em três pontos principais de intervenção.
“O primeiro trecho, que compreende do Sobradinho, próximo à Pousada da Feira, até a Cidade Nova, apresentava um índice elevado de acidentes, principalmente atropelamentos nas imediações da passarela do bairro Boa Esperança. Para mitigar esse problema, realizamos o fechamento de uma abertura na barreira de concreto, medida que já resultou em uma redução significativa da sinistralidade.”
Ele continuou:
“No entanto, o ponto crítico que será detalhado nesta apresentação refere-se ao trecho do Anel de Contorno em fase de duplicação. O principal desafio desse segmento, que vai da Cidade Nova ao Portal do Sertão, é o acesso desordenado de veículos, que ingressam na rodovia de forma indiscriminada. A duplicação, aliada à implantação de vias marginais, permitirá o controle do fluxo e a canalização dos acessos em pontos específicos. Essa organização é fundamental para reduzir o conflito entre os veículos que acessam a via e o tráfego principal, diminuindo, consequentemente, a frequência de colisões, especialmente envolvendo motocicletas.”
Ricardo concluiu:
“Além da duplicação e das vias marginais, estamos adotando medidas complementares para aumentar a segurança viária. Realizamos estudos técnicos e o levantamento de pontos críticos para a instalação de radares de controle de velocidade e o reforço da sinalização. Essas ações visam reduzir a gravidade dos acidentes. Atualmente, o projeto de duplicação está em curso, o contrato para reforço da sinalização de segurança encontra-se em fase de licitação e os estudos para a instalação de controladores eletrônicos de velocidade estão em andamento. O objetivo central de todas essas intervenções é mitigar os riscos e promover maior segurança ao tráfego.”
A diretora do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, afirmou que observa, atualmente, um impacto significativo das campanhas de conscientização.

“Ao analisarmos o período de janeiro a junho de 2025 em comparação ao mesmo intervalo de 2026, constatamos uma redução de 4% no número de acidentes. Embora estatisticamente o índice pareça reduzido, devemos considerar que cada ponto percentual representa vidas preservadas e a prevenção de sequelas graves decorrentes de acidentes de trânsito.”
A diretora também destacou mudanças no mapeamento das ocorrências:
“Anteriormente, o Fórum identificava a Avenida Contorno como o local de maior incidência de ocorrências. Embora a via ainda registre acidentes, observamos uma migração significativa dessas ocorrências para a área central da cidade. Ainda não dispomos de um levantamento detalhado sobre os pontos específicos do centro, mas também percebemos uma frequência relevante de acidentes no bairro Tomba e na Avenida Presidente Dutra. Esses locais demandam, portanto, uma sinalização mais efetiva e rigorosa.”
Cristiana concluiu:
“Fora do perímetro urbano de Feira de Santana, os registros apontam um alto índice de acidentes na BR-324, abrangendo municípios como Serrinha, Ipirá, Euclides da Cunha e Santa Bárbara, que estão entre as localidades com maior incidência na região. O objetivo deste Fórum é utilizar o Hospital Clériston Andrade como um termômetro para avaliarmos as modificações ocorridas. Pretendemos agora analisar as ações implementadas por cada setor de segurança que contribuíram para essa redução de 4%, consolidando esse resultado durante as discussões desta noite.”
O coronel PM Michel Müller relatou o trabalho desenvolvido pela Polícia Militar:

“Compreendemos que o trânsito é uma pauta de interesse coletivo e transversal, que demanda o envolvimento de todas as instituições, incluindo a Polícia Militar. Assumimos nossa responsabilidade e reconhecemos o papel fundamental da corporação na promoção de um trânsito mais educado, gentil, funcional, fluido e respeitoso às normas vigentes. Nesse sentido, concentramos esforços em ações de conscientização dos usuários das vias e em atividades de fiscalização, com a aplicação das medidas administrativas previstas em lei.”
O coronel relembrou as edições anteriores do Fórum:
“Quanto à trajetória desde o primeiro Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito até a terceira edição, realizada nesta noite, destacamos a relevância de fomentar esse debate. Elogiamos a iniciativa da Câmara da Mulher Empresária, que, pioneiramente, identificou a necessidade de abrir espaços de discussão para buscar soluções para problemas já reconhecidos por todos.”
Ele finalizou:
“Sobre a atuação do Esquadrão Asa Branca e das demais unidades da Polícia Militar em Feira de Santana, destacamos a execução da Operação Corredores Urbanos. O objetivo da operação é a fiscalização e, estritamente nos casos previstos em lei, a remoção de veículos que estejam em desacordo com as normas. Quando a legislação não prevê a remoção, a penalidade é aplicada por meio de autuação. Ressalto que o Esquadrão Asa Branca é uma unidade especializada que, entre suas atribuições, conta com um pelotão dedicado à fiscalização de trânsito.”
O diretor regional Leste da Polícia Civil, delegado Yves Correia, destacou a imprudência como um dos principais fatores relacionados aos acidentes de trânsito.

“Essa questão gira em torno do que denominamos situações culposas, como imprudência, negligência e imperícia, frequentemente associadas ao consumo de álcool ou substâncias entorpecentes. É fundamental que a Polícia Civil ofereça uma resposta institucional efetiva, mesmo em casos de crimes culposos — nos quais não há a intenção deliberada de produzir o resultado. Ressalte-se que o Superior Tribunal de Justiça já possui entendimento consolidado de que, dependendo do grau de embriaguez, a conduta de dirigir sob efeito de álcool pode configurar dolo eventual, uma vez que o agente assume o risco de produzir um resultado mais gravoso.”
“Nesse sentido, a Polícia Civil tem atuado rigorosamente na investigação de lesões corporais e homicídios culposos. A ingestão de bebidas alcoólicas é, comprovadamente, um fator preponderante para esses incidentes, razão pela qual o Código de Trânsito Brasileiro foi alterado para tipificar como delito a condução de veículo automotor com qualquer teor alcoólico detectado”, afirmou.
Sobre a relevância da articulação entre os diversos órgãos reunidos para discutir a violência no trânsito, o delegado relatou:
“É notório que o tema transcende as competências institucionais isoladas e impacta diretamente a rede hospitalar, a exemplo do Hospital Clériston Andrade. Quando observamos que mais de 50% dos leitos são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito, torna-se evidente o prejuízo para toda a sociedade: um paciente em estado de emergência pode ficar sem assistência devido à ocupação por leitos destinados a ocorrências evitáveis, decorrentes de imprudência. Portanto, é imprescindível fomentar a educação no trânsito e promover a integração entre as instituições, visando não apenas à preservação da integridade física e da vida dos cidadãos, mas também à garantia de que o sistema público de saúde tenha disponibilidade para atender, com prioridade, às demandas críticas da população.”
Com informações:Isabel Bonfim, escrita:Fernanda Martins Foto:Divulgação/Isabel Bonfim
