Maioria dos jovens solteiros vive de aluguel

A maioria dos jovens brasileiros que mora sozinha ainda vive de aluguel. Pesquisa da Serasa, realizada em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que 62,6% dos integrantes da Geração Z que vivem por conta própria moram em imóveis alugados, enquanto entre as gerações X e Baby Boomers esse percentual cai para 29,1%, indicando uma migração gradual para a casa própria ao longo da vida.

O levantamento também revela que administrar o orçamento continua sendo um desafio para quem mora sozinho. Ao todo, 45% dos entrevistados disseram ter dificuldade ou muita dificuldade para gerenciar as próprias despesas, enquanto 64% afirmaram ter percebido aumento no custo de vida nos últimos 12 meses, cenário que concentra a maior pressão sobre os gastos essenciais.

As contas recorrentes da casa lideram a lista de prioridades de pagamento para quem vive sozinho, apontadas por 75% dos entrevistados. Em seguida aparecem as despesas com supermercado, citadas por 74%, e os custos com moradia, como aluguel, financiamento e condomínio, mencionados por 53% dos participantes da pesquisa.

A experiência do estudante universitário Lucas de Castro, de 22 anos, reflete parte desse cenário. Morando longe da família, ele afirma que o maior desafio financeiro é manter as despesas com supermercado sob controle e, para organizar o orçamento, utiliza planilhas para acompanhar todos os gastos do mês.

Custo de vida

O aumento do custo de vida também levou Lucas a rever hábitos de consumo. Segundo ele, a principal mudança foi reduzir a frequência das saídas para lazer, além de aprender a lidar sozinho com as responsabilidades e demandas da rotina da casa.

Para o especialista em educação financeira da Serasa, Marcus Luz, o principal erro de quem pretende morar sozinho é tomar essa decisão sem planejamento. Ele afirma que, antes da mudança, é preciso verificar se o orçamento será suficiente para cobrir o aluguel ou a parcela do financiamento e, ao mesmo tempo, garantir o pagamento das demais despesas da rotina.

A orientação é que o custo da moradia represente, no máximo, 30% da renda líquida, sem incluir gastos com água, energia elétrica, gás, transporte e medicamentos. O especialista recomenda ainda que o planejamento contemple uma estimativa de todas as despesas fixas e variáveis, os custos iniciais da mudança e a formação de uma reserva de emergência capaz de cobrir entre três e seis meses de despesas fixas.

Marcus Luz ressalta que a escolha do imóvel deve levar em consideração não apenas o valor do aluguel, mas também os gastos indiretos relacionados à localização. Custos com transporte, tempo de deslocamento e outras despesas decorrentes da rotina podem comprometer o orçamento e precisam ser considerados antes da mudança.

A pesquisa também mostra que a alta dos preços afeta quem mora sozinho e quem vive com familiares de forma semelhante. Nos dois grupos, o supermercado foi o item que mais pesou no orçamento no último ano, citado por 80% dos entrevistados, seguido pelas contas recorrentes da casa, como água, luz e internet, apontadas por 51%, o que demonstra que a pressão financeira está concentrada principalmente nas despesas essenciais.

Fonte:Tribuna da Bahia Foto:Divulgação

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