Ano eleitoral muda rotina de vereadores

Com a aproximação do período oficial da campanha eleitoral, vereadores que disputarão as eleições municipais passam a seguir uma série de regras para evitar o uso da estrutura pública em benefício de candidaturas. Em Feira de Santana, a Procuradoria da Câmara Municipal elaborou uma instrução normativa para orientar parlamentares, assessores e a Assessoria de Comunicação sobre as condutas permitidas e proibidas durante o período eleitoral.

As orientações foram detalhadas pelo procurador da Câmara Municipal, Eurico Augustinho Santana Neto, durante entrevista ao programa Dia a Dia News. Segundo ele, as medidas têm como objetivo garantir o cumprimento da legislação eleitoral, preservar a igualdade entre os candidatos e evitar irregularidades durante a campanha.

Mandato continua normalmente

O procurador esclareceu que os vereadores que são pré-candidatos ou candidatos não precisam interromper suas atividades parlamentares. Eles continuam exercendo normalmente o mandato, participando das sessões, apresentando projetos de lei, requerimentos, indicações e realizando a fiscalização do Poder Executivo.

Também podem conceder entrevistas à imprensa, participar de programas de rádio e televisão e divulgar suas atividades parlamentares, desde que isso ocorra de forma objetiva, impessoal e sem pedido explícito de votos.

“O parlamentar continua exercendo o mandato normalmente. O que muda é a necessidade de respeitar os limites impostos pela legislação eleitoral”, explicou.

Uso da máquina pública é proibido

A principal preocupação da Câmara é impedir que a estrutura do Poder Legislativo seja utilizada para favorecer candidaturas.

Segundo Eurico Neto, o vereador não poderá utilizar recursos públicos colocados à disposição do mandato para promover sua campanha eleitoral. A vedação inclui equipamentos, veículos oficiais, servidores, redes sociais institucionais e qualquer outro instrumento pertencente ao Legislativo.

Também não será permitido utilizar a publicidade institucional da Câmara para promoção pessoal ou eleitoral.

Tribuna não pode ser usada como palanque

Outro ponto destacado durante a entrevista diz respeito ao uso da tribuna.

Embora o vereador possa continuar participando normalmente das sessões e fazendo pronunciamentos, esse espaço não poderá ser utilizado como instrumento de campanha eleitoral.

Os discursos deverão permanecer voltados aos assuntos de interesse público e às funções próprias do mandato parlamentar. Para o procurador, transformar a atividade legislativa em propaganda eleitoral pode caracterizar irregularidade perante a Justiça Eleitoral.

Assessores também devem seguir regras

As restrições também alcançam os servidores comissionados e assessores parlamentares.

Durante o expediente e utilizando recursos públicos, esses profissionais deverão exercer exclusivamente atividades relacionadas ao mandato do vereador.

A participação em atos de campanha somente poderá ocorrer fora do horário de trabalho.

“O assessor não pode utilizar o horário pelo qual é remunerado pelo Poder Legislativo para desenvolver atividades eleitorais”, ressaltou Eurico Neto.

Redes sociais oficiais têm restrições

Outro cuidado diz respeito ao uso das redes sociais oficiais da Câmara e dos gabinetes parlamentares.

Segundo o procurador, esses canais não poderão ser utilizados para impulsionar candidaturas, promover candidatos ou intensificar artificialmente a divulgação de atividades parlamentares durante o período eleitoral.

A divulgação institucional deverá manter caráter exclusivamente informativo e impessoal.

Entrevistas seguem permitidas

Apesar das restrições, os vereadores continuam podendo conceder entrevistas, participar de programas de rádio e televisão e prestar contas do mandato.

Entretanto, esses espaços não poderão ser utilizados para pedido de votos ou para transformar a atividade parlamentar em propaganda eleitoral antecipada ou irregular.

Objetivo é garantir igualdade entre candidatos

Segundo Eurico Neto, todas essas medidas têm como finalidade preservar o equilíbrio da disputa eleitoral e impedir que quem ocupa mandato tenha vantagem indevida em relação aos demais candidatos.

A legislação eleitoral busca justamente evitar que recursos públicos sejam utilizados para beneficiar campanhas e assegurar condições de igualdade entre todos os concorrentes.

Orientação busca dar segurança jurídica

Ao editar a instrução normativa, a Procuradoria da Câmara pretende oferecer segurança jurídica tanto aos vereadores quanto aos servidores da Casa.

A intenção é esclarecer previamente quais condutas são permitidas e quais podem gerar responsabilização perante a Justiça Eleitoral.

Para o procurador, a prevenção é o melhor caminho para evitar irregularidades durante o processo eleitoral e assegurar que a atuação parlamentar continue ocorrendo dentro dos limites estabelecidos pela legislação vigente

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