O Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher), em Feira de Santana, intensifica as ações de incentivo ao parto normal como forma de reduzir o número de cesarianas realizadas na unidade. Atualmente, cerca de 55% dos partos são cesáreos, índice considerado acima do recomendado pelos especialistas.
A responsável técnica pelo Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Andrea Alencar, explica que o hospital dispõe de uma estrutura voltada para oferecer assistência humanizada às gestantes, com espaços específicos para cada perfil de atendimento.
Segundo ela, o Centro Obstétrico 1 recebe pacientes de maior complexidade, que necessitam de intervenções médicas, incluindo cesarianas. Já o Centro Obstétrico 2 foi estruturado especialmente para acompanhar os partos naturais, sob os cuidados de enfermeiras obstétricas.
“Temos uma unidade cujo foco principal é o parto natural. As enfermeiras obstétricas acompanham todo o trabalho de parto e, caso seja necessária qualquer intervenção médica, a equipe está na própria unidade e atua imediatamente para garantir a segurança da mãe e do bebê”, explicou.
Para Andrea Alencar, um dos principais desafios é mudar a cultura que, ao longo dos anos, fez com que muitas gestantes passassem a optar pela cesariana, mesmo sem indicação clínica.
Ela destaca que esse cenário pode ser transformado por meio da orientação durante o pré-natal.
“Infelizmente, essa resistência ainda é muito cultural. Muitas vezes falta informação sobre os riscos da cesariana quando ela não é necessária. O esclarecimento durante o pré-natal é fundamental para que a mulher possa fazer uma escolha consciente”, afirmou.
A médica ressalta que a cesariana é uma cirurgia de grande porte e, por isso, apresenta riscos superiores aos do parto normal.
“Uma paciente submetida à cesariana tem maior risco de infecção, hemorragia, complicações no pós-parto, além dos riscos relacionados à anestesia. Ela também permanece internada por mais tempo. Já o parto natural acontece de forma fisiológica e, na maioria dos casos, exige menos intervenções e proporciona uma recuperação mais rápida”, explicou.
Outro tema abordado pela especialista foi o aumento dos casos de abortamento, especialmente entre adolescentes e jovens. Segundo Andrea Alencar, o fortalecimento das políticas de planejamento familiar tem sido uma das principais estratégias adotadas pelo Hospital da Mulher para enfrentar esse problema.
Desde 2019, a unidade mantém um ambulatório específico voltado à prevenção da gravidez na adolescência, atualmente integrado ao Ambulatório de Saúde da Mulher.
“O planejamento familiar é a principal ferramenta para evitar uma gravidez não planejada, que muitas vezes acaba levando ao aborto provocado. Muito antes de o Governo Federal ampliar a oferta de métodos contraceptivos de longa duração, como o DIU, o Mirena e o Implanon, o Hospital da Mulher já trabalhava com essa estratégia”, destacou.
De acordo com a médica, a gravidez indesejada está entre os principais fatores associados aos abortos provocados, situação que coloca em risco a saúde das mulheres.
“Quando uma gravidez não é planejada, aumenta a chance de a mulher recorrer a um aborto inseguro, colocando a própria vida em risco. As infecções decorrentes desses procedimentos ainda figuram entre as principais causas de mortalidade materna. Por isso, investir em informação, orientação e acesso aos métodos contraceptivos é essencial para reduzir esses números”, concluiu.
