Campanha destaca atuação do Hospital da Mulher no incentivo à amamentação, atendimento às mães e assistência aos bebês prematuros
O Agosto Dourado é marcado por ações de conscientização, promoção e incentivo ao aleitamento materno. Em Feira de Santana, o Hospital da Mulher, administrado pela Fundação Hospitalar, amplia durante o período as atividades de orientação, capacitação e incentivo à amamentação e à doação de leite materno.
Em entrevista ao Dia a Dia News, a presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, destacou a importância da campanha e explicou como funciona o trabalho desenvolvido pelo Hospital da Mulher, especialmente por meio do Banco de Leite Humano.
Hospital Amigo da Criança
Segundo Gilberte Lucas, o Hospital da Mulher é uma unidade reconhecida como Hospital Amigo da Criança e mantém o incentivo ao aleitamento em diferentes etapas do atendimento.
“O Agosto Dourado é o mês voltado ao incentivo ao aleitamento materno. O Hospital da Mulher é uma unidade Amigo da Criança e esse incentivo ao aleitamento materno é trabalhado em todas as etapas dentro da unidade hospitalar, porque a gente sabe que o leite materno salva vidas.”
A presidente também chamou atenção para a quantidade de bebês prematuros que dependem da doação de leite materno. De acordo com os dados apresentados por ela, em 2025, 1.451 bebês prematuros precisaram de leite materno doado. Em 2026, somente no primeiro semestre, já foram 998 bebês atendidos com leite doado.
Banco de Leite
O Banco de Leite Humano do Hospital da Mulher realiza a coleta, o processamento e a distribuição do leite destinado aos recém-nascidos que necessitam desse alimento durante a internação.
Gilberte explica que o serviço também oferece coleta domiciliar para facilitar a participação das mães doadoras.
“O Banco de Leite do Hospital da Mulher é um banco capacitado, é um banco padrão ouro, que já trabalha com essa doação do leite materno. A gente faz a coleta em domicílio também para aquelas mães que não têm condição de ir até a unidade para fazer a doação. A gente vai até a residência.”
Segundo ela, mais de mil mães doadoras participaram do processo somente no primeiro semestre de 2026.
“Foram mais de mil mães doadoras nesse primeiro semestre, mães que doaram leite materno para o Hospital da Mulher. Então, esse incentivo é muito importante.”

Leite materno para bebês prematuros
A alimentação dos bebês internados é acompanhada pelas equipes da unidade. Gilberte explica que o leite materno é priorizado e que o uso de leite artificial ocorre apenas quando existe indicação médica.
“É alimentação exclusiva para esses bebês até os primeiros seis meses de vida. O leite artificial só é dado quando há uma prescrição médica, uma necessidade. O leite exclusivo é o leite materno.”
Ela também esclareceu que o leite doado não é imediatamente entregue aos recém-nascidos. O material passa por um processo de controle de qualidade antes de ser disponibilizado.
“Muitas mães de bebês não podem amamentar e precisam da doação de outros leites maternos. Esse leite passa por todo um processo de pasteurização e de qualidade. Não é todo leite coletado que pode ser distribuído.”
Apoio às mães que têm dificuldade para amamentar
O trabalho do Banco de Leite não se limita às doações. O serviço também recebe mulheres que enfrentam dificuldades durante a amamentação, inclusive mães cujos filhos nasceram em outras unidades hospitalares.
“Existem mães cujos bebês não nasceram no Hospital da Mulher, até na rede particular, mas elas têm dificuldade de amamentar. Então, elas procuram o Banco de Leite do Hospital da Mulher para que a equipe capacitada ajude essas mães a amamentar.”
A equipe também orienta sobre a posição correta do bebê, a pega e outras questões que podem facilitar o processo.
Gilberte explica ainda que o atendimento busca acolher a mãe que enfrenta dificuldades, inclusive quando existe excesso de leite e desconforto.
“Quando ela tem muito leite materno, esse leite pode até empedrar e machucar. Então, é importante a gente ir até a residência.”
Para solicitar informações ou o serviço de coleta, o Banco de Leite pode ser contatado pelo telefone (75) 3602-7156.
Doação pode ser feita em casa
As mães que recebem alta e continuam com produção excedente de leite podem permanecer cadastradas no serviço. Nesses casos, os frascos são disponibilizados para que a coleta seja realizada em casa.
“Muitas mães que têm muito leite materno, na alta mesmo, já ficam cadastradas para que a nossa equipe faça a coleta em residência. Elas já saem da unidade com os frasquinhos para fazer a coleta em casa e nossa equipe vai até a residência coletar esses frascos.”
Depois que o leite chega ao hospital, passa por avaliação, processamento e pasteurização antes de ser destinado aos bebês que precisam da doação.
Incentivo durante o Agosto Dourado
Durante o mês de agosto, as ações de incentivo são intensificadas. Segundo Gilberte Lucas, a programação inclui capacitações, eventos e atividades educativas.
“Esse mês do Agosto Dourado a gente trabalha com capacitação, com eventos e com a parte educativa.”
Entre as ações está uma caminhada prevista para o dia 30, marcando o encerramento da programação da campanha.
A unidade também desenvolve ações de incentivo diretamente com as pacientes.
“A gente tem uma equipe de enfermagem volante que vai aos leitos para falar da importância e do porquê de o leite materno ser essencial.”
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Incentivo à permanência na doação
O trabalho também busca evitar que as mães desistam da doação depois da alta hospitalar. Para isso, o serviço mantém o acompanhamento e facilita a coleta em domicílio.
Durante o Agosto Dourado, a Fundação Hospitalar também promove ações de reconhecimento às mães que se destacam pelo volume de doações.
“No mês do Agosto Dourado, a gente intensifica as mães que têm o maior número de doação. A gente dá um suporte e uma premiação a essas mães dentro da unidade hospitalar.”
Benefícios para o bebê e para a mãe
Durante a entrevista, Gilberte Lucas destacou que os benefícios do aleitamento não estão restritos aos primeiros meses de vida.
Segundo ela, a amamentação contribui para o crescimento e desenvolvimento da criança e está associada à redução de problemas de saúde, como infecções respiratórias e diarreias.
“Quando você fala em benefícios para o bebê, você já sabe que aquilo ali é um benefício para toda a família. É evitar problemas, evitar doenças, ter proteção, melhorar o crescimento e ter menos doenças.”
A presidente também destacou benefícios para a saúde da mulher.
“A amamentação ajuda o útero a voltar ao tamanho normal e também reduz, por exemplo, os riscos de câncer de mama.”
Pai e família também participam
Gilberte Lucas ressaltou que o aleitamento materno não deve ser tratado como uma responsabilidade exclusiva da mãe. Para ela, o apoio do pai e dos demais familiares é fundamental.
“O pai é essencial. Ele faz parte de ajudar. Não só para o bebê, mas para a mãe também, que precisa desse suporte do pai.”
Nos casos de bebês prematuros, ela destacou também a importância do contato pele a pele realizado pelo pai.
“O pai também faz o contato pele a pele. Então, é o vínculo de família. Isso é essencial.”
A orientação do Hospital da Mulher é que o aleitamento seja exclusivo nos primeiros seis meses de vida, com a introdução de outros alimentos posteriormente, mantendo a amamentação até os dois anos ou mais, conforme orientação de saúde.
“Nos seis primeiros meses de vida é a amamentação. Depois, nos dois primeiros anos, você faz outros alimentos complementares.”
Para a Fundação Hospitalar, o Agosto Dourado representa, portanto, um período de reforço das ações que já fazem parte da rotina do Hospital da Mulher, com informação, acolhimento, apoio à amamentação e estímulo à doação de leite humano.
