O segundo semestre de 2026 chega com uma agenda considerada estratégica para o comércio de Feira de Santana. Depois do Dia dos Pais, o setor ainda terá pela frente eventos, campanhas promocionais e as tradicionais vendas de fim de ano, com destaque para o décimo terceiro salário e o Natal.
Além do calendário, empresários precisam lidar com um consumidor mais informado e exigente, que pesquisa preços, compara produtos e busca cada vez mais uma experiência diferenciada nas lojas.
O cenário foi analisado pelo presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana e diretor da Fecomércio, Marcos Silva.
Segundo semestre
A expectativa do setor é de que a segunda metade do ano apresente desempenho superior ao primeiro semestre.
Marcos explica que o próprio calendário comercial favorece esse período.
“O segundo semestre sempre é melhor do que o primeiro, até porque a gente fecha com o décimo terceiro, com o Natal”, afirmou.
A chegada do décimo terceiro salário costuma aumentar a capacidade de consumo das famílias e movimentar diferentes segmentos do varejo.
Calendário de oportunidades
Além do Natal e do pagamento do décimo terceiro, o comércio conta com uma série de datas e acontecimentos capazes de estimular as vendas.
Marcos citou períodos como São João, Dia dos Pais, eleições, Micareta e outros eventos que movimentam a cidade.
Para ele, as datas comemorativas precisam ser encaradas como oportunidades para o setor.
“Cada vez mais a gente vive dessas datas de venda. A gente tem que tratar muito bem essas datas, porque hoje o comércio depende muito delas”, destacou.
Eventos movimentam a cidade
A realização de eventos com participação de pessoas de outras cidades também pode gerar impacto positivo na economia.
Um dos exemplos citados foi a Escofeira.
“Temos a Escofeira agora, que vai trazer muita gente de fora para Feira. Então a gente tem um incremento na hotelaria, nos restaurantes e no comércio de um modo geral”, explicou.
Segundo Marcos, o impacto pode alcançar lojas de roupas, calçados, acessórios, alimentação e outros estabelecimentos.
Ele citou até o aumento da procura por chapéus durante determinados eventos.
“Tem partido o recorde de vendas de chapéus”, comentou.
Feira como polo regional
A capacidade de Feira de Santana de atrair consumidores de outros municípios é considerada um dos principais diferenciais do comércio local.
Marcos estima que 40% dos clientes que compram na cidade sejam provenientes de outras localidades.
“Feira realmente é que sofre toda essa região”, afirmou.
Ele destacou ainda a importância da cidade para setores como educação e saúde.
“Feira também serve, na sua amplitude, no seu ecossistema, como na educação, na saúde, como um para-choque para Salvador”, disse.

Consumidor mais informado
O consumidor mudou e passou a utilizar o celular como ferramenta de pesquisa antes das compras.
Segundo Marcos, o cliente chega às lojas conhecendo características, preços e avaliações dos produtos.
“Hoje, quando a maioria dos clientes vai comprar um produto, ele já pesquisou, já sabe as características do produto”, afirmou.
Essa mudança exige vendedores mais preparados e capazes de responder às dúvidas do público.
“Se for falar bobagem, não vai colar. Perde a venda”, ressaltou.
Menos pessoas, mais intenção
Embora o movimento físico nas lojas possa não ser o mesmo de anos anteriores, Marcos acredita que o consumidor que entra em uma loja atualmente demonstra maior intenção de compra.
“Quem vai para a loja, vai com vontade de comprar”, afirmou.
Segundo ele, esse comportamento pode resultar em tíquetes médios maiores.
“Então, menos gente, mas você tem a possibilidade de vender mais”, explicou.
Experiência virou diferencial
Para o presidente do sindicato, o consumidor não busca mais apenas o produto. Ele também quer ser bem atendido.
“O cliente hoje não quer mais comprar, ele quer uma experiência. Ele quer ir na loja e se sentir bem”, afirmou.
Por isso, detalhes como ambiente organizado, temperatura adequada, som e atendimento passaram a ter peso maior na decisão de compra.
“Hoje o cliente está exigente. E com razão”, destacou.
Qualidade no atendimento
Marcos defende uma preparação maior dos vendedores e citou o atendimento como uma das principais ferramentas de diferenciação do comércio físico.
Ele mencionou a empresa Cerqueira Gonçalves como exemplo de atendimento que considera positivo.
Na avaliação dele, o relacionamento com o consumidor pode ser justamente uma das vantagens que a loja física possui em relação às plataformas digitais.
Internet pode ser aliada
Embora a expansão do comércio eletrônico aumente a concorrência, Marcos não considera a internet apenas uma ameaça.
Ele acredita que os próprios empresários de Feira podem utilizar as plataformas digitais para aumentar o alcance dos negócios.
“Hoje qualquer empresário com um smartphone na mão tem acesso a esse mundo. Ele vende no Instagram, no Facebook, no WhatsApp”, afirmou.
Para Marcos, o futuro do varejo deve combinar presença física e digital.
“O comércio eletrônico veio ajudar o comércio também”, declarou.
Empreendedores continuam investindo
Mesmo em um cenário de dificuldades, Marcos destacou empresários que continuam abrindo e reformando lojas.
Um dos exemplos citados foi o empresário Mauro Henrique.
“Mesmo em momentos de dificuldade, tem como crescer. Por isso que eu digo, Feira de Santana é uma cidade fantástica”, afirmou.
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Para o dirigente, a disposição para investir é uma das marcas do empresariado local.
“Feira de Santana nasceu como cidade comercial. O comércio está no DNA mesmo”, destacou.
União das entidades
A união entre as entidades empresariais também aparece como estratégia para fortalecer o setor.
Marcos citou a atuação da CDL, Associação Comercial, Fecomércio, indústria e outros segmentos.
“A CDL faz durante o ano várias campanhas de prêmios que também movimentam o comércio. É muito importante. É um diferencial para motivar”, afirmou.
Segundo ele, as entidades estão cada vez mais próximas e precisam trabalhar em conjunto.
“Todo mundo hoje está unido”, declarou.
Investimentos
Durante a entrevista, Marcos também destacou investimentos do Sistema Fecomércio, Sesc e Senac em Feira de Santana.
Segundo ele, iniciativas voltadas para estrutura, qualificação e desenvolvimento contribuem para fortalecer o município como polo econômico regional.
O dirigente também defendeu ações que ampliem a circulação de consumidores no centro da cidade e fortaleçam a atividade comercial.
Imprensa e rádio
A comunicação local também foi apontada como importante para o fortalecimento dos negócios.
“A imprensa de Feira de Santana é parceira de quem empreende aqui em Feira”, afirmou Marcos.
Ele destacou especialmente a força do rádio como meio de comunicação com o consumidor.
Na avaliação do dirigente, a mídia local ajuda a dar visibilidade aos empresários e às iniciativas que movimentam a economia.
Um comércio que impacta toda a cidade
Para Marcos Silva, o fortalecimento do comércio não beneficia somente empresários.
A atividade gera empregos, movimenta serviços, atrai consumidores de outros municípios e contribui para a circulação de renda.
“Se Feira de Santana crescer, cresce o empresário, cresce o morador, porque no fundo o que a gente quer é ter uma vida melhor”, afirmou.
Com a chegada dos próximos meses, a expectativa do setor é aproveitar o calendário de eventos, as campanhas promocionais e as compras de fim de ano para melhorar os resultados.
“Se Feira de Santana crescer, melhorar sua cidade, todo mundo vai ser mais feliz”, concluiu.
