A 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana, o FLIFS 2026, acontece de 25 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Carlos Pitta, em Feira de Santana.
Com o tema “Feira é o Mundo”, o evento reúne literatura, música, teatro, cultura popular e diversas atividades para públicos de todas as idades. A programação, que segue até o dia 30 de agosto, é totalmente gratuita e conta com escritores, artistas, apresentações culturais, lançamentos de livros, oficinas e espaços dedicados ao público infantil.
Esta é também a primeira edição realizada no novo Centro de Convenções, ampliando o espaço e as possibilidades para o público vivenciar a literatura e a cultura em Feira de Santana.
Mudança de local
Cristina Oliveira, coordenadora da FLIFS, explica a mudança de local:

“A mudança de local da FLIFS para o recém-inaugurado Centro de Convenções de Feira de Santana foi uma necessidade estratégica. A Praça Padre Ovídio, embora muito querida, já não comportava o público crescente que acompanhava o festival a cada edição. Apesar de utilizarmos diversos equipamentos culturais da cidade, como o SESC, o Teatro, o Café Teatro, o CUCA, o Teatro da CDL e a Biblioteca Monteiro Lobato, a infraestrutura ainda era insuficiente.
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No ano passado, enfrentamos um momento crítico em que tivemos de isolar o acesso à praça durante um show noturno, devido ao risco iminente à segurança dos participantes causado pela superlotação.”
Ela continua:
“Diante desse cenário e do perfil diversificado do público, a disponibilidade do novo Centro de Convenções mostrou-se a solução ideal. Após articulações iniciadas no ano passado, a Comissão Organizadora concluiu que este era o único espaço na cidade capaz de abrigar a vasta programação da 19ª edição, composta por mais de 100 atividades distribuídas ao longo de seis dias.
A assertividade dessa escolha foi comprovada logo no primeiro dia: ainda na manhã da abertura, o contador de acesso registrava mais de mil estudantes participando das atividades, confirmando que a mudança proporcionou o conforto e a segurança necessários para o evento.”
Novidades e destaques da FLIFS

Ao falar sobre os destaques da Feira Literária, a coordenadora destacou as novidades desta edição:
“A inovação reflete o nosso compromisso com a inclusão e a modernização. Entre as novidades, ressalto a sala sensorial, voltada para pessoas com neurodivergência. Este espaço, curado pela Secretaria Municipal de Educação, garante que o festival seja um ambiente de acesso indistinto e acolhedor.
Além disso, introduzimos o programa ‘Conectados’, voltado ao público jovem. A identidade visual desta edição, que dialoga entre o tradicional — como a xilografia — e o contemporâneo, reflete essa proposta.
A programação contemplará o universo da cultura pop e dos jogos digitais, com atividades dedicadas a animes, quadrinhos e mangás, incluindo um encontro especial com a escritora Thalita Rebouças, o autor Deco Lipe e diversos quadrinistas baianos.
Para complementar, ampliamos significativamente a ‘Feirinha FLIFS’, espaço que fortalece o artesanato e a economia solidária e familiar. Essas atualizações na estrutura e na curadoria reforçam a importância do festival como um evento que une tradição, inovação e, acima de tudo, acessibilidade para todos.”
Festival de Violeiros valoriza a cultura popular
A coordenadora também falou sobre o Festival de Violeiros, uma das atrações que valorizam a cultura popular dentro da FLIFS, e sobre a importância de trazer essa tradição para um evento que tem a literatura como um de seus principais focos:
“O Festival de Violeiros também é de responsabilidade da Universidade há quatro anos, junto com a Associação de Violeiros e Trovadores da Bahia. E aí eu destaco o nome de João Ramos, descendente e filho de Dadinho e Caboquinho.
Todo mundo que conhece a FLIFS sabe que, há mais de 15 anos, o evento tem um espaço dedicado à literatura popular, ao repente, à xilogravura e ao cordel, que é um patrimônio imaterial do Brasil.
Então, este ano, a Praça do Cordel foi batizada com o nome da dupla já falecida Dadinho e Caboquinho. Em uma homenagem muito oportuna, achamos que nada melhor do que trazer outro festival para dentro de um festival.”
Ela conclui:
“A FLIFS abriga, este ano, o Festival de Violeiros, que também é uma representação do nosso patrimônio cultural, por meio da moda de viola, do repente e das pelejas, com disputas entre duplas convidadas.
Os participantes disputarão o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto lugares. Este ano, o Festival de Violeiros realiza a sua 48ª edição. São quase 50 anos de um festival que diz muito sobre a nossa cultura e sobre a nossa identidade sertaneja. E, se Feira é o mundo, a gente não poderia deixar o mundo do repente de fora.”
A identidade da Praça Padre Ovídio no novo espaço
Sobre trazer um pouco da identidade da Praça Padre Ovídio para o Centro de Convenções, Cristina Oliveira relatou que costumam dizer que a FLIFS mudou de palco, mas a essência permanece a mesma.
“Nós temos uma história de 18 anos realizando a FLIFS em praça pública. Passamos inicialmente pela Praça da Matriz, depois pela Praça Padre Ovídio. Quando a praça entrou em reforma, fomos para a Praça Jackson do Amauri e para a Praça do Fórum, até retornarmos para a Praça Padre Ovídio.
Existe uma relação de afetividade muito grande com aquele espaço, porque foi ali que nos constituímos enquanto importante patrimônio cultural. A FLIFS também é patrimônio imaterial da Bahia.
Então, sentimos que seria uma representação bonita, positiva e até poética trazer algum elemento que remetesse àquele espaço que nos abrigou e nos acolheu por tantos anos.
Na Praça do Cordel, que recebe o nome de Dadinho e Caboquinho, fizemos uma reprodução, em tamanho quase natural, um pouco menor e mais baixa, do coreto da Catedral. Também temos aqui a fachada da igreja representada.
É uma forma de homenagear aquele espaço que tanto nos acolheu e que nos ajudou a construir a história de 19 anos e 19 edições da FLIFS em Feira de Santana.”

Com informações, fotos:Fernanda Martins
