Jocivaldo dos Anjos lança sétimo livro na FLIFS e convida leitores a uma reflexão sobre ancestralidade, identidade negra e África

A literatura como instrumento de memória, identidade e reconexão com as próprias raízes ganhou destaque na noite do último sábado (29), durante a programação da Feira Literária Internacional de Feira de Santana (FLIFS). Entre os lançamentos realizados no Auditório 2, um dos momentos de destaque foi a apresentação de Áfrika em Oito Dias, sétimo livro de Jocivaldo dos Anjos, escritor, educador e prefeito de Antônio Cardoso.

Mais do que apresentar uma nova obra ao público, Jocivaldo propõe, em Áfrika em Oito Dias, uma experiência de encontro com a África e com aquilo que permanece vivo em seus descendentes: a ancestralidade, a memória, a espiritualidade e a construção da identidade negra.

A obra conduz o leitor por reflexões que atravessam a história e chegam ao presente, provocando questionamentos sobre quem somos, de onde viemos e quais histórias foram silenciadas ao longo do tempo. “A ancestralidade aparece como elemento fundamental para compreender a identidade e fortalecer a autoestima da população negra, ao mesmo tempo em que a religiosidade e as referências africanas são apresentadas nesse livro como dimensões importantes da experiência e da resistência de nosso povo”, destacou o autor.

Nesse sentido, Áfrika em Oito Dias, lançado pela Editora Zarte, se apresenta como uma leitura especialmente necessária para quem deseja compreender a importância da África para a formação cultural, histórica e espiritual do Brasil. É um livro que convida à reflexão, mas também ao reconhecimento e à valorização das próprias raízes, bem como traz lições pessoais de verdadeira resiliência a partir de situações experienciadas por Jocivaldo.

O lançamento na FLIFS reuniu leitores, escritores, representantes da cultura e convidados em torno da literatura produzida a partir de experiências, memórias e perspectivas negras. A presença de Jocivaldo no evento também amplia o significado da publicação: sua trajetória como primeiro prefeito quilombola de Antônio Cardoso e pesquisador da educação escolar quilombola, tema de sua tese de doutorado, dialoga diretamente com os temas que atravessam sua produção literária.

A noite também foi marcada pelo lançamento de outras obras e pela diversidade de autores presentes na programação, fortalecendo o espaço da FLIFS como território de circulação de diferentes narrativas e de valorização da produção literária baiana.

Para Jocivaldo, participar de uma feira literária desse porte representa também reafirmar a literatura como espaço de preservação da memória e de construção de novas possibilidades para as gerações presentes e futuras.

Com Áfrika em Oito, o autor acrescenta mais um capítulo à sua trajetória literária e reforça uma produção comprometida com a valorização da identidade negra, da ancestralidade e da cultura afro-brasileira. Uma obra para ler, sentir e, sobretudo, refletir sobre as raízes que nos constituem.

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