Reforma de praças pode criar corredor cultural e revitalizar Centro de Feira de Santana

A revitalização de praças históricas de Feira de Santana pode ir além da recuperação da estrutura física e contribuir para a preservação da memória e o fortalecimento da cultura no Centro da cidade. A avaliação é do secretário municipal de Planejamento, Carlos Brito, que defende a criação de um corredor cultural ligando diferentes pontos históricos e espaços de convivência da região central.

Entre os locais citados pelo secretário está a Praça Dois de Julho, que passa por um projeto de reforma e tem uma relação histórica com a antiga Rua da Aurora, atualmente denominada Rua Filinto Bastos. Segundo Carlos Brito, apesar das mudanças oficiais de nomenclatura ao longo do tempo, a população continua reconhecendo a via pelo nome tradicional.

A praça foi criada em 1902, por decreto municipal, e, segundo o secretário, está entre os espaços mais antigos de Feira de Santana. Brito também destacou a importância de preservar as referências históricas ligadas à região e às famílias que ajudaram a construir a memória do local.

Proposta de corredor cultural

Carlos Brito defende que a recuperação das praças seja integrada a uma política de valorização do patrimônio histórico e cultural. A ideia é criar um percurso que permita ao público circular por diferentes espaços da região central e ter contato com manifestações artísticas e prédios históricos.

Entre os pontos citados estão a Praça da Matriz, Praça Bernardino Bahia, Praça Fróes da Mota, além de igrejas, prédios históricos, o Cuca e outros equipamentos culturais. A proposta inclui a realização de atividades culturais em finais de semana, com apresentações musicais, recitais e outras manifestações artísticas.

Para o secretário, a revitalização do Centro deve estar associada à ocupação dos espaços públicos pela população.

“Nós precisamos criar esse corredor cultural”, afirmou Carlos Brito, ao defender que a população tenha maior contato com o patrimônio e a produção cultural de Feira de Santana.

Além das intervenções no Centro, o secretário citou projetos de urbanização em outras áreas da cidade, incluindo o Parque Linear do Jacuípe.

Lagoa Salgada

Durante a entrevista, Carlos Brito também comentou o decreto publicado pelo município para viabilizar a urbanização da Lagoa Salgada. Segundo ele, o local funciona atualmente como uma bacia de detenção, recebendo água das chuvas, e o projeto prevê a recuperação do espelho d’água e a proteção do entorno.

Parte da área é privada e, de acordo com o secretário, o município negocia com o proprietário a aquisição ou desapropriação de uma parcela do terreno necessária para a intervenção. A proposta deverá ser executada em etapas, com uma segunda fase já considerada no planejamento.

Expansão urbana do Papagaio

Outro assunto abordado foi o crescimento acelerado da região do Papagaio, considerada uma das principais áreas de expansão urbana de Feira de Santana.

Carlos Brito informou que o município trabalha na elaboração de um novo plano de urbanização para a região, com previsão de definição de ruas mais largas e planejamento da ocupação do território.

O secretário também criticou a expansão de empreendimentos sem infraestrutura adequada e defendeu maior responsabilidade dos responsáveis pelos loteamentos e condomínios. Segundo ele, parte dos problemas de pavimentação e drenagem acaba sendo transferida para o poder público depois que os imóveis são comercializados.

Para Carlos Brito, o planejamento antecipado da expansão urbana é necessário para evitar que o crescimento da cidade aconteça sem a infraestrutura necessária para acompanhar a demanda da população.

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