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Presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso do Sul destaca parcerias e desafios do setor durante visita a Feira de Santana

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O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), Marcelo Bertone, esteve em Feira de Santana para participar do lançamento do Centro de Excelência em Zootecnia, ligado à Escola de Zona Técnica, e destacou a importância da parceria entre as federações de agricultura dos dois estados.

“Para nós é muito importante, principalmente pelo cenário nacional. A gente tem uma parceria em todas as feiras junto com a nossa federação do Mato Grosso do Sul, e eu sei da importância que é essa feira aqui”, afirmou, agradecendo a recepção do presidente da CNA, João Martins, e do presidente da federação baiana, Humberto.

Diferenças culturais e técnicas

Bertone comentou, com bom humor, a presença de berranteiros no evento baiano, instrumento tradicionalmente associado à cultura do Pantanal e do Centro-Oeste. “Eu não sabia que tinha berranteiro na Bahia, e isso já é uma coisa que me surpreendeu”, disse. Segundo ele, apesar das diferenças regionais de clima e produção, a zootecnia segue padrões semelhantes em todo o país. “Com o treinamento de excelência que o Senar faz, você traz isso para os diferentes estados e para diferentes biomas.”

Clima e Pantanal

Questionado sobre o momento climático, o presidente afirmou que o Mato Grosso do Sul não vive com apreensão os ciclos de seca e queimadas no Pantanal. “A gente tem ciclos de chuva, seca, fogo e renovação. Acreditando na tecnologia e na ciência que a Embrapa nos fornece, a gente passa por esses períodos com um pouco mais de preocupação, mas também com a renovação”, declarou.

Exportações: tarifas dos EUA, embargo europeu e mercado chinês

Sobre o cenário internacional, Bertone disse que a taxação americana sobre produtos do agronegócio brasileiro não representa hoje uma grande preocupação, já que o setor conseguiu redirecionar parte das exportações para outros mercados. “Diminuímos a exportação para os Estados Unidos e aumentamos para o México. Hoje os Estados Unidos não nos preocupam mais”, afirmou.

Segundo ele, o principal desafio atual é a suspensão das importações de carne bovina brasileira pela União Europeia. “Para revertermos esse quadro, para a carne bovina, vai demorar uns dois anos. Já a do frango nós conseguimos, essa semana, voltar a exportar”, explicou. O presidente citou ainda a vinda de uma comitiva da Coreia do Sul para fiscalizar frigoríficos no Mato Grosso do Sul como uma possível abertura de novos mercados.

Em relação à China, principal parceira comercial do estado — responsável por mais de 60% das exportações sul-mato-grossenses e cerca de 40% das exportações brasileiras —, Bertone defendeu a diversificação de mercados. “Não podemos ficar reféns de um só comércio. Se a China de repente suspende uma importação de carne ou de soja, é lógico que vai trazer muito problema para os nossos produtores”, disse.

Representatividade e defesa do setor

Ao comentar a diversidade regional do agronegócio brasileiro, o presidente destacou o papel dos sindicatos rurais municipais como primeiro canal de escuta das demandas do campo, que chegam às federações estaduais e, posteriormente, à Confederação Nacional da Agropecuária (CNA). Segundo ele, a entidade atua junto ao STF, à Câmara dos Deputados e ao Senado para evitar que novas leis prejudiquem os produtores — e, por consequência, os consumidores. “Muitas das vezes as regras aumentam o custo de produção, e esse custo é repassado ao consumidor. Então, muitas vezes, a gente defende inclusive o consumidor”, afirmou.

Georreferenciamento: Bahia e Mato Grosso do Sul enfrentam atrasos

Questionado sobre o avanço do Cadastro Ambiental Rural (CAR) dinamizado — sistema que permite o reconhecimento de propriedades por via satélite —, Bertone revelou que o Mato Grosso do Sul tem apenas 18% do território com o CAR regularizado, enquanto a Bahia, segundo ele, tem cerca de 2%. “Não é só uma questão da Bahia. Nós estamos trabalhando para que isso seja integrado, porque não pode cada estado ter uma plataforma diferente, que não conversa com a plataforma federal”, disse, atribuindo o atraso à falta de estrutura dos estados para fiscalizar o processo.

Segurança no campo

Sobre violência rural, o presidente da Famasul defendeu o fortalecimento da patrulha rural, serviço já implementado em seu estado e citado como modelo de parceria com Feira de Santana. “Entendemos que tem que ter segurança no campo”, afirmou, lembrando que policiais baianos responsáveis pela patrulha rural na região visitaram o Mato Grosso do Sul, inclusive sua propriedade, durante a implementação do serviço no estado nordestino.

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