O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta sexta-feira (11) o sigilo de uma investigação que envolve o senador Jaques Wagner (PT) e outras 26 pessoas. Com a decisão, foram divulgados detalhes de uma ordem de bloqueio de bens que pode chegar a R$ 5,95 milhões para um grupo de investigados.
Segundo as informações do processo, o valor não corresponde exclusivamente a Jaques Wagner. O montante foi estabelecido como limite global para 16 investigados, entre eles familiares do senador e pessoas apontadas como integrantes de um grupo ligado às movimentações financeiras investigadas.
Um dos principais pontos da apuração envolve a compra de um apartamento no edifício Poème Horto, em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. A Polícia Federal investiga a suspeita de que a aquisição tenha sido realizada de forma oculta. Os investigadores apontam que recursos teriam passado por um fundo de investimento administrado pela REAG antes de chegar à empresa apontada como intermediária da negociação.
Outro eixo da investigação envolve o repasse de R$ 3,5 milhões da empresa PKL One Participações para a BN Financeira, ligada à família do senador. Nesse núcleo, também foram determinadas medidas de bloqueio contra pessoas relacionadas à operação.
A investigação ainda apura supostas vantagens que teriam sido oferecidas a integrantes do grupo, como utilização de jatinhos particulares e ingressos para eventos de luxo, incluindo um show de uma cantora internacional em Los Angeles. Segundo a Polícia Federal, os pagamentos teriam sido realizados por empresas ligadas à REAG.
Os investigadores também apontam que Jaques Wagner teria atuado em assuntos relacionados ao Banco Master, incluindo questões envolvendo crédito consignado e a fiscalização do processo de compra da instituição pelo Banco de Brasília, o BRB.
A retirada do sigilo foi determinada após solicitação da Procuradoria-Geral da República. Com a decisão, outros documentos relacionados às investigações também passaram a ser públicos.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que sua relação com os investigados não envolveu a concessão de benefícios ilícitos.