Expofeira chega ao último dia
A 47ª Expofeira chega ao último dia neste domingo (13), reunindo produtores rurais, empresas, estudantes, famílias e visitantes no Parque de Exposições João Martins da Silva, em Feira de Santana. Ao longo da programação, além das atrações destinadas ao público, o evento também abriu espaço para atividades de formação, palestras e demonstrações relacionadas ao setor agropecuário.
Em entrevista ao Terra e Agro, o diretor do Centro de Excelência em Zootecnia do Senar, Francisco Sales, fez uma avaliação da edição deste ano e destacou os avanços na estrutura do evento, mas também apontou desafios que, segundo ele, precisam ser discutidos para as próximas edições.
“Depois da epidemia, essa é a terceira, e ela vem crescente”, avaliou.
Centro de Excelência em Zootecnia participa da programação
O espaço do Senar ganhou destaque durante a Expofeira com a participação do Centro de Excelência em Zootecnia, que está próximo de completar um ano de funcionamento.
Segundo Francisco Sales, o centro ainda é uma estrutura nova dentro do evento, mas já apresenta grande movimentação de estudantes e visitantes.
“Nós somos aqui caçulas aqui dentro. Mas o centro está aí, funcionando, cheio de estudantes, movimentação grande”, afirmou.
Durante a Expofeira, o estande recebeu uma programação de palestras nos períodos da manhã e da tarde, com conteúdos relacionados a diferentes setores da pecuária.
Caravanas de municípios baianos
Francisco Sales também destacou a presença de caravanas de outros municípios da Bahia. De acordo com ele, o Senar organizou uma estrutura para receber os visitantes e oferecer alimentação e participação nas atividades.
“Nós temos uma programação aqui dentro do nosso estande das palestras que estão ocorrendo desde o dia 6 até o dia 13. Pela manhã e pela tarde as pessoas estão se inscrevendo e indo para essas palestras”, explicou.
Ele acrescentou que a iniciativa possibilitou a participação de produtores e visitantes de diferentes regiões.
“Estão vindo caravanas de vários municípios da Bahia”, disse.
Crítica ao modelo atual da exposição
Apesar de reconhecer o crescimento da Expofeira, Francisco Sales defendeu uma reflexão sobre o propósito principal do evento. Na avaliação dele, a exposição precisa manter uma ligação mais forte com a pecuária e com o produtor rural.
“A exposição ficou grande, mas ela não está grande dentro do princípio de exposição que é a microrregião de Feira de Santana”, afirmou.
Para Sales, o evento precisa considerar as características próprias da região e não apenas reproduzir modelos de outras exposições agropecuárias do país.
Valorização da identidade do vaqueiro baiano
Um dos principais pontos levantados pelo diretor foi a necessidade de valorizar a cultura regional. Ele fez uma comparação entre as tradições do interior da Bahia e manifestações típicas de outras regiões do Brasil.
“Nós aqui não somos tradicionalistas de rodeio. O rodeio fica para Barretos, São Paulo”, declarou.
Segundo ele, a identidade da região está ligada principalmente à figura do vaqueiro nordestino, ao gibão de couro e ao aboio.
“A nossa tradição é outra. O nosso peão aqui é o vaqueiro vestido de couro, de gibão. Ele é aboiador. Ele não toca berrante”, explicou.
Sales lembrou que o berrante possui uma função específica nas comitivas de gado, enquanto, no Nordeste, o aboio faz parte da identidade cultural do homem do campo.
“Aqui a nossa tradição é outra, é o boiadeiro, é o peão no gogó. Então a gente tem que trazer o cara pra boiar aqui dentro, que ele se identifica lá na Caatinga”, afirmou.
Cultura regional dentro do Parque de Exposições
Na avaliação do diretor, manifestações culturais próprias da região deveriam ganhar espaço dentro da programação da Expofeira.
“Nós temos que ter nossas tradições dentro do Parque de Exposição. Nós temos que ser autênticos, não podemos perder a nossa cultura”, defendeu.
Para Sales, a presença do vaqueiro, das manifestações culturais e dos elementos ligados à vida no campo ajudaria a fortalecer a identidade do evento.
“A nossa cultura é do gibão de couro”, reforçou.
Mais espaço para o produtor rural
Francisco Sales também defendeu que o Parque de Exposições volte a ser visto como um ponto de encontro do produtor rural.
“Muito bem montado, muito grande, muitos estandes, mas vimos pouco pecuarista. A verdade é essa”, declarou.
Segundo ele, a estrutura precisa ser utilizada para aproximar quem trabalha diariamente com a produção rural das novas tecnologias, empresas e instituições que participam da exposição.
“Então tem que voltar a ser a casa do pecuarista aqui, o Parque de Exposição de Feira de Santana”, afirmou.
Diversificação das atividades agropecuárias
Para Sales, a Expofeira precisa ampliar a presença das diferentes cadeias produtivas. Ele citou segmentos que, segundo sua avaliação, poderiam estar mais presentes no evento.
“A gente tem que ter aqui concurso leiteiro. Você não vê o suíno aqui dentro, você não vê nada de avicultura aqui dentro”, pontuou.
Ele também defendeu maior espaço para a produção de mel.
“Você não vê nada de melicultura aqui dentro. Nós temos que trazer essas culturas todas aqui pra dentro”, acrescentou.
A proposta, segundo ele, é transformar a exposição em um ambiente de conhecimento, demonstração e troca de experiências entre produtores e profissionais.
“Uma exposição educativa”, resumiu.
Tecnologia como parte da Expofeira
Francisco Sales afirmou que o modelo tradicional de exposição agropecuária precisa ser atualizado. Para ele, tecnologia e conhecimento devem estar entre os principais objetivos do evento.
“A exposição tem que ser uma exposição de seres e tecnologia. Aquela exposição tradicional já acabou, não existe mais”, afirmou.
Entre as propostas apresentadas pelo diretor está a criação de espaços experimentais voltados à realidade do semiárido.
“A gente tem que ter um campo agrostológico, tem que trazer o pequeno e médio produtor”, explicou.
Experiências do Senar com produtores
Sales citou como exemplo uma iniciativa realizada pelo Senar em Baixa Grande, que reuniu produtores para apresentar alternativas de forrageiras adequadas às condições do semiárido.
“O Senar lançou aqui em Baixa Grande, há um mês atrás, um programa de rali forrageiro”, contou.
Segundo ele, a ação reuniu mais de mil produtores e teve atividades práticas com profissionais do setor.
“Eles tiveram trabalho de campo com os profissionais que trabalham no Senar, fizeram realmente um dia de uma demonstração do rali forrageiro”, explicou.
Para Sales, iniciativas semelhantes poderiam fazer parte da Expofeira.
Atendimento às crianças
O estande do Senar também preparou atividades para receber crianças durante os dias de menor movimentação durante o dia.
“Nós nos preparamos aqui para atender as crianças”, afirmou Sales.
O espaço contou com painéis de LED e recursos tecnológicos para apresentar informações de forma mais interativa.
“As crianças estão se divertindo”, relatou.
Segundo ele, os visitantes também receberam alimentação durante a passagem pelo estande e puderam conhecer a carreta do Senar.
Centro de Excelência leva estudantes para dentro da Expofeira
A participação dos alunos do Centro de Excelência em Zootecnia foi outro ponto destacado pelo diretor. Sales explicou que os estudantes foram orientados a sair da sala de aula e acompanhar diretamente as atividades do parque.
“Eu adverti para que os professores, os mentores trouxessem os alunos aqui para o parque e dessem aulas aqui com eles”, relatou.
A ideia foi permitir que os estudantes observassem os animais e equipamentos presentes no evento.
“Eles estão rodando aqui os estandes, vendo as máquinas, etc. Para ter essas aulas aqui dentro”, explicou.
Aprender fazendo
A formação prática é uma das principais características defendidas pelo Centro de Excelência em Zootecnia.
“Aqui o lema é o seguinte: é aprender fazendo”, destacou Francisco Sales.
Além da experiência dentro da Expofeira, os estudantes também têm acesso a aulas práticas realizadas em propriedades rurais parceiras.
“Nós temos uma média de 22 fazendas parceiras do Centro de Excelência de Zootecnia, num raio aqui de 50 quilômetros”, explicou.
Segundo ele, as propriedades abrem as portas para que os alunos tenham contato direto com diferentes áreas da atividade rural.
Formação para fortalecer o homem do campo
Na visão do diretor, a formação profissional também tem um papel importante na permanência das pessoas no meio rural.
“A filosofia é o retorno do profissional que entra aqui, que recebe uma educação gratuita, com professores de primeira qualidade, para que eles multipliquem o conhecimento dele no campo”, afirmou.
Sales defendeu que o conhecimento produzido no Centro de Excelência seja levado para as propriedades rurais e ajude a melhorar a realidade dos produtores.
“Para ajudar a fixar o homem do campo, não haver o êxodo rural”, explicou.
Avaliação da estrutura da 47ª Expofeira
Francisco Sales reconheceu as melhorias realizadas pela Prefeitura na estrutura do Parque de Exposições.
“O prefeito fez muitas benfeitorias, a exposição cresceu demais”, afirmou.
Ele também destacou mudanças relacionadas ao estacionamento e à organização do espaço.
“Aumentou o estacionamento. Facilitou muito o acesso”, disse.
Apesar dos avanços, Sales reforçou que a próxima etapa deve ser discutir como ampliar a participação da pecuária.
“Só que nós temos que ver o modelo que olhe mais para a pecuária. Verdade. Essa que é a verdade”, declarou.
Planejamento para a próxima edição
Com o encerramento da 47ª Expofeira neste domingo, Francisco Sales defendeu que a avaliação da edição já seja utilizada como ponto de partida para o planejamento do próximo evento.
“Assim que termine uma, fazer uma discussão geral, fazer a crítica e traçar logo os novos planos para a próxima exposição”, sugeriu.
Segundo ele, essa discussão poderia envolver universidades, professores e profissionais que conhecem outras grandes exposições agropecuárias.
“Isso envolve trazer para aqui universidades, professores, pessoas que já têm experiência com outras exposições, que já rodaram o Brasil, o mundo”, afirmou.
Expofeira como espaço de conhecimento
Francisco Sales defendeu que o evento mantenha as atrações para o público, mas sem deixar de lado sua função como exposição agropecuária.
“Não podemos só fazer festa para a cidade”, declarou.
Para ele, o Parque de Exposições deve ser utilizado principalmente como espaço de encontro entre produtores, empresas, estudantes e profissionais.
“Aqui tem que ser um encontro de produtores rurais, de conhecimento”, afirmou.
Um novo olhar para as próximas edições
Ao final da entrevista, Francisco Sales reforçou que a Expofeira tem potencial para crescer ainda mais, mas precisa fortalecer sua identidade regional e a participação efetiva do setor produtivo.
“A cidade pode ter festa o tempo todo. Aqui tem que ser um encontro de produtores rurais, de conhecimento”, reiterou.
Na avaliação do diretor do Centro de Excelência em Zootecnia do Senar, o futuro da Expofeira passa pela combinação entre tecnologia, formação profissional, valorização cultural e fortalecimento da pecuária.
“Temos que trazer o produtor rural aqui dentro e oferecer não é só diversão”, concluiu Francisco Sales.
