Pessoas com 60 anos ou mais já são responsáveis pela chefia de 21,6 milhões de domicílios no Brasil, o equivalente a quase um terço dos lares do país. Os dados são de um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, elaborado com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, do IBGE, referentes a 2025.
O estudo também aponta que essa parcela da população apresenta a maior renda média mensal entre as faixas etárias analisadas, com rendimento de aproximadamente R$ 3.865. Apesar disso, houve uma redução de 4% na renda média das pessoas com 60 anos ou mais entre 2016 e 2025, considerando os valores corrigidos pela inflação. No mesmo período, a renda média da população brasileira cresceu 13%.
A participação dos idosos na administração das famílias também é expressiva. Em 87% dos domicílios onde vivem pessoas com 60 anos ou mais, elas participam diretamente da chefia ou da organização do orçamento familiar.
O levantamento mostra ainda que os brasileiros mais velhos continuam presentes no mercado de trabalho. Em 2025, cerca de 8,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, representando 24,4% da população dessa faixa etária. Entre os trabalhadores mais velhos, aproximadamente 4,3 milhões eram empreendedores.
A informalidade, porém, permanece elevada. Cerca de 72% dos empreendedores com 60 anos ou mais trabalhavam sem CNPJ em 2025, o que corresponde a aproximadamente 3,1 milhões de pessoas.
Outro dado destacado pela pesquisa é o aumento no número de idosos que vivem sozinhos. Entre 2015 e 2025, houve crescimento de 75% nos domicílios formados por apenas uma pessoa com 60 anos ou mais, com cerca de 2,76 milhões de novas residências nesse período.
As mulheres são maioria entre os idosos que moram sozinhos e representam 62% desse grupo, aproximadamente 4 milhões de pessoas. Ainda assim, a maior parte da população com 60 anos ou mais que chefia um domicílio vive acompanhada: 68% dividem a residência com pelo menos outra pessoa, enquanto 32% moram sozinhos.
Sudeste e Nordeste concentram a maior parcela dos idosos que vivem sozinhos, reunindo 72,6% desse contingente. Os números mostram uma transformação no perfil da população mais velha no país, que vem ganhando cada vez mais participação na manutenção e nas decisões financeiras das famílias brasileiras, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios relacionados à renda, ao trabalho e à informalidade.