Estreia em Feira de Santana
A Arena do Rodeio foi um dos grandes destaques da 47ª Expofeira de Feira de Santana. Com arquibancadas lotadas e forte participação do público, a programação levou para dentro do Parque de Exposições João Martins da Silva uma modalidade que voltou a fazer parte da programação da feira depois de cerca de 20 anos.
Entre os responsáveis por transformar cada montaria em espetáculo estão o narrador Felipe Miguel e o sonoplasta DJ Brutão, profissionais que trabalham juntos para criar o clima de emoção, suspense e animação durante as disputas.
Pela primeira vez em Feira de Santana, DJ Brutão destacou a receptividade do público baiano e a energia encontrada na Arena.
“É a primeira vez aqui em Feira de Santana. A gente já veio nas regiões, mas em Feira de Santana é a primeira vez. O pessoal é muito massa aqui, acolhe bastante a gente. É uma energia incrível.”
DJ Brutão: sonoplastia que acompanha cada momento
Apesar de ser conhecido como DJ, Brutão explicou que sua função no rodeio é diferente da atuação tradicional de um DJ. Ele trabalha diretamente com a sonoplastia, utilizando efeitos e músicas para acompanhar a narração e aumentar a emoção de cada momento.
“Sonoplasta é o que eu faço aqui no rodeio. O locutor narra, eu coloco suspense para o pessoal entender, trazer aquele suspense na hora que chama a rainha, aquela melodia mais calma, porque é uma mulher. Enfim, sonoplastia é o que traz a energia do rodeio.”
Segundo ele, o trabalho é feito em conjunto com o narrador e exige sintonia entre os dois profissionais.
“Eu trago a magia do rodeio junto com o locutor. A gente, os dois juntos, faz um espetáculo para você.”
Brutão resumiu a parceria com Felipe Miguel como um trabalho dividido igualmente.
“É 50% de cada um. É 50% meu e 50% do locutor, para entregar um trabalho 100% para Feira de Santana.”
Felipe Miguel e a responsabilidade de comandar a Arena
Com 25 anos de experiência no rodeio, o narrador Felipe Miguel também falou sobre a responsabilidade de conduzir o espetáculo diante de milhares de pessoas.
“É um privilégio fazer parte dessa história linda que, depois de 20 anos, o rodeio voltou a Feira de Santana.”
Para o narrador, o trabalho exige atenção constante. Qualquer erro pode virar motivo de brincadeira nas redes sociais, enquanto um momento bem conduzido pode levantar ainda mais o público.
“O locutor, se der uma brechinha, vira meme. Tem que ficar atento ali na solta da porteira, ficar atento com o público, ficar atento na apresentação das autoridades, das rainhas, de toda a comissão organizadora.”
Preparação para preservar a voz
A narração de rodeio exige esforço vocal e preparação. Felipe Miguel contou que os cuidados começam antes mesmo de entrar na Arena e envolvem tanto a voz quanto a preparação mental.
“A gente tem uma preparação mental principalmente. A gente tem que ter aquela calma, manter sempre a calma, preparando a voz, tomar uns cuidados básicos, não tomar o gelado.”
O profissional também explicou que o ambiente de trabalho exige atenção ao ar-condicionado e ao ventilador, já que as condições podem afetar diretamente a voz.
“A gente tem que cuidar bem da nossa voz. E mental é o principal. A gente tem que focar bem, saber o que a gente vai falar, saber o que vai transmitir para o público que veio prestigiar o nosso evento.”
25 anos de estrada
Felipe Miguel contou que já passou por diferentes estados e acumula uma longa trajetória dentro do rodeio. Segundo ele, a experiência em Feira de Santana foi especialmente marcante pela reação do público.
“Eu tenho 25 anos de rodeio. Desses 25 anos, eu acredito que foram mais de mil cidades.”
O narrador destacou que, apesar de já ter trabalhado em diferentes regiões do país, encontrou em Feira de Santana uma energia que chamou sua atenção.
“Eu faço rodeio no estado de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Já fiz o Mato Grosso, mas mandei mensagem agora há pouco para minha esposa e falei: não tem igual, não existe.”
Segundo Felipe, o público baiano participou ativamente das noites de rodeio.
“A galera não para um minuto, desde que a gente começa e termina. Eles ficam sentados na arquibancada, participando, dançando, gritando, participando ativamente do rodeio.”
A parceria entre Felipe Miguel e DJ Brutão
A sintonia entre o narrador e o sonoplasta é fundamental para que a apresentação funcione. Felipe explicou que os dois precisam conhecer o trabalho um do outro para saber o momento certo de entrar e criar as chamadas e efeitos.
“A deixada, né? Porque a gente faz as deixadas para o cara pegar e fazer a levantada lá do outro lado. Primeiramente, conhecimento de cada um dos dois. Vem do trabalho dele e do meu trabalho. Aí depois é a responsabilidade, a gente entrega um para o outro e vamos que vamos.”
Felipe também contou que já havia trabalhado anteriormente com Brutão e que, neste ano, os dois voltaram a formar dupla durante a temporada de rodeios.
“Ele trabalhou comigo um tempo atrás, fez uns rodeios comigo. Deu uma parada porque ele trabalhava numa empresa, não tinha como viajar. Aí esse ano ele totalmente parou do serviço dele e se dedicou ao rodeio.”
Final do rodeio aumenta a pressão
Com a chegada da grande final, a atmosfera muda. Para DJ Brutão, as noites anteriores são diferentes do momento decisivo, quando os competidores entram na Arena em busca do título.
“De quinta a sábado é uma coisa. Chega no domingo, muda a cena. É disputa final, é mais pressão. Queira ou não, todo mundo está querendo, disposto a levar o rodeio, ser campeão.”
Ele explicou que a dupla também precisa aumentar a intensidade para acompanhar a importância da disputa.
“Eu e Felipe não podemos ficar de fora. A gente tem que dar pressão, tem que ir em cima para poder trazer emoção junto. Disputa final é diferente.”
Música para cada momento
A trilha sonora também faz parte do espetáculo. Brutão explicou que procura adaptar as músicas ao perfil do público e ao momento da competição.
“Cada cidade, cada estado tem seu tipo de música. O povo da Bahia gosta mais de um forró, mas na hora do rodeio, na hora da porteira, tem que mandar pressão.”
Segundo ele, a proposta é mesclar diferentes estilos para alcançar todos os públicos presentes na Arena.
“A gente coloca forró, coloca sertanejo. A gente tenta mesclar para todo mundo gostar. Não só o povo do rodeio, mas o povo que às vezes não conhece, não tem entendimento do rodeio.”
A preocupação, segundo o sonoplasta, é fazer com que a experiência seja completa para quem está na arquibancada, no camarote ou dentro da Arena.
“A gente está no rodeio, a gente tem que agradar arquibancada, camarote, arena, locutor, enfim.”
Público abraça o rodeio
A presença do público foi um dos aspectos mais destacados pelos profissionais. Segundo Felipe Miguel, a receptividade surpreendeu até mesmo quem chegou a Feira de Santana com experiência em grandes eventos.
O narrador contou que conversou com o prefeito José Ronaldo de Carvalho e ouviu dele uma avaliação positiva sobre o resultado do rodeio.
“Eu tive com ele no camarote. Eu vi que é uma pessoa séria. De começo, ele disse que não botava fé no rodeio. Ele me falou com as próprias palavras.”
Segundo Felipe, o prefeito teria demonstrado surpresa com a adesão do público e sinalizado a possibilidade de uma estrutura ainda maior para uma próxima edição.
“Ele falou que está emocionado, que já disse que para 2027 vai estudar uma estrutura maior, um evento maior, com mais acomodações para o público.”
Gratidão aos envolvidos
Felipe também aproveitou a entrevista para agradecer aos profissionais, patrocinadores, expositores e ao público que participaram da Expofeira.
“A minha palavra é gratidão de cada um de vocês terem participado, terem acreditado, patrocinadores da Expofeira, patrocinadores de todo evento que participaram, a vocês que trouxeram seus animais, expositores, o público presente que deixou seus lares, sua casa, veio com a família.”
Ele destacou ainda a movimentação registrada no Parque de Exposições durante a programação.
“Você vê que o parque está lotado todos os dias. Das dez da manhã à meia-noite, todos os dias, lotado.”
Rodeio de pai para filho
DJ Brutão revelou ainda que sua relação com o rodeio começou dentro da própria família. Segundo ele, o pai chegou a competir como peão antes de seguir carreira como locutor.
“Meu pai montava, largou mão de ser peão, virou locutor de rodeio e, desde pequenininho, estou no ramo. E graças a Deus deu certo e estamos vivendo do sonho.”
Ao ser questionado se já havia montado profissionalmente, Brutão respondeu que não. Felipe Miguel também explicou que nunca foi competidor e entrou diretamente na narração.
“Eu vim direto no locutor de rodeio. Eu fui mais esperto”, brincou Felipe.
Reconhecimento aos profissionais do rodeio
Antes de encerrar a entrevista, Felipe Miguel fez questão de destacar o trabalho dos competidores e de todos os profissionais que atuam nos bastidores do rodeio.
“Eu queria parabenizar todos os profissionais de rodeio, os tropeiros, salva-vidas, grandes competidores, que sem vocês a gente não é ninguém.”
O narrador ressaltou que o espetáculo depende do trabalho conjunto de todos os envolvidos.
“A gente depende muito de cada um de vocês. Sem os competidores, tropeiros, empresários, salva-vidas, a cada um de vocês, meu apreço mesmo de coração.”
A entrevista terminou com um convite do narrador e do sonoplasta para o público acompanhar a disputa final da 47ª Expofeira, prometendo uma noite de muita emoção na Arena do Rodeio.