Lula diz a evangélicos que não faz política em igrejas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu representantes de grupos evangélicos no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (16/9), e voltou a dizer que não usará a igreja como palanque político.

“Eu me recuso. Toda vez que alguém pede para ir a uma igreja falar de política, eu não vou. Eu não vou, porque eu respeito muito a fé das pessoas“, ressaltou o petista.

O encontro no Planalto foi articulado pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, em conjunto com a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, e ocorre 18 dias antes do primeiro turno das eleições.

Em discurso, o presidente frisou que não quer utilizar templos religiosos para promover a agenda eleitoral.

“Não me convide para ir a uma assembleia fazer comício, que eu não vou. Não vou nem da católica,nem da evangélica. Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço, em nenhuma igreja.”

A reunião contou também com a presença do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, do pastor Kleber Lucas e de lideranças evangélicas de diferentes denominações.

Entre elas estavam pastores de igrejas norte-americanas e representantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. O movimento brasileiro declarou apoio à reeleição de Lula.

Durante a fala, o presidente também criticou as guerras em curso e cobrou dos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) uma reunião para acabar com os conflitos. Ele afirmou que vai abordar o tema na Assembleia Geral do órgão, que ocorrerá na próxima semana, em Nova York.

“Dia 23, eu vou fazer um discurso na ONU para chamar a atenção dos cinco membros mais importantes do Conselho de Segurança da ONU. Vocês estão desrespeitando a razão pela qual foi criado o Conselho de Segurança da ONU. Foi criado para fazer paz, para fazer harmonia, e não para fazer guerra. Se vocês se abstêm quando tem que tomar decisão, vocês são covardes”, criticou Lula.

Lideranças manifestam apoio
Durante a reunião, o presidente também recebeu apoio de lideranças evangélicas. O pastor Ariovaldo Ramos, da Comunidade Cristã Reformada, de São Paulo, afirmou que os evangélicos não podem ser “encabrestados”. “Somos um campo enorme, e não tem ninguém que fala por nós. Nós falamos a partir da nossa fé”, ressaltou.

O líder religioso destacou que os evangélicos “são mais complexos do que estão tentando descrever” e pediu que o presidente “não se deixe enganar por vozes que nós não reconhecemos”.

“Quando disserem ao senhor que os evangélicos estão fazendo isso e aquilo, que o senhor se lembrasse que os evangélicos são um campo muito grande e o senhor tem, entre evangélicos, gente que o ama, que o admira e com quem o senhor pode contar”, disse Ramos.

O ministro Jorge Messias falou que o “púlpito é um lugar sagrado” e, emocionado, falou sobre críticas que recebe. “Crente de esquerda não tem direito nem a corrente de oração”, afirmou o titular da AGU.

Ele também disse a chegada de Lula à Presidência é um “plano de Deus”.

Fonte:Metrópole Foto:Divulgação

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