O Governo da Bahia anunciou um conjunto de medidas para antecipar os possíveis impactos do El Niño durante o ciclo 2026/2027. A estratégia reúne ações nas áreas de segurança hídrica, agricultura familiar, saúde, proteção social, defesa civil e prevenção e combate a incêndios.
O Plano Estadual de Ações de Enfrentamento aos Impactos do El Niño 2026/2027 prevê cerca de R$ 4,6 bilhões em ações voltadas à convivência com o semiárido e à preparação para possíveis períodos de seca, estiagem, temperaturas elevadas, redução da disponibilidade de água, perdas na produção rural e aumento do risco de incêndios florestais.
Na área de abastecimento, estão previstos 400 sistemas simplificados de água, 275 poços, 5 mil aguadas, além da ampliação de sistemas existentes e implantação de cisternas. A intenção é ampliar a segurança hídrica e reduzir os impactos de uma eventual redução das chuvas.
Para a agricultura familiar, o planejamento inclui ações do Sertão Vivo, com previsão de 20 mil ligações de água e assistência técnica para 20 mil famílias. Também estão programadas 250 mil sacas de farelo de milho para alimentação animal e 10 milhões de mudas de palma forrageira.
A proteção social também está incluída no planejamento. O Estado prevê a implantação de 18.105 cisternas, distribuição de alimentos e criação de 2 mil quintais produtivos. Segundo o governo, a assistência poderá ser ampliada nos municípios que eventualmente enfrentarem situação de emergência ou calamidade.
Outro ponto de atenção é o risco de incêndios florestais. A estrutura de combate poderá contar com até 295 bombeiros e 60 viaturas. Até 16 de setembro, a Operação Florestal havia combatido 564 incêndios em um período de 80 dias e atendido 92 municípios.
O Estado afirma que a preparação também leva em consideração investimentos realizados nos últimos anos. Entre 2023 e julho de 2026, foram registrados R$ 5,59 bilhões em ações de água e esgoto. Até junho deste ano, 1.414 localidades rurais haviam sido beneficiadas com abastecimento, alcançando mais de 435 mil pessoas, enquanto 1.946 poços foram perfurados.
Além das obras e investimentos, o governo estruturou um sistema integrado de acompanhamento. A proposta é reunir informações sobre falta d’água, saúde, incêndios, assistência social e apoio aos produtores para que os órgãos responsáveis possam agir de maneira mais rápida.
A comunicação também faz parte da estratégia. As secretarias deverão divulgar situações urgentes, atualizações sobre problemas e providências adotadas, além de orientar a população sobre as formas de atendimento. O planejamento prevê ainda a participação dos municípios e utilização de rádios, meios de comunicação locais e materiais impressos para ampliar o acesso às informações.
A preparação ocorre diante de previsões de calor acima da média e chuvas irregulares em diferentes regiões da Bahia entre setembro e novembro. Projeções do Inema indicam possibilidade de temperaturas próximas dos 40 graus em alguns municípios e redução da umidade do ar nos horários mais quentes.
O El Niño é acompanhado pelas autoridades porque pode alterar os padrões de temperatura e precipitação. Na Bahia, entre os possíveis efeitos está o atraso no estabelecimento das chuvas no Centro-Sul e no Oeste, regiões onde o período chuvoso costuma ganhar força a partir de outubro.
A estratégia adotada pelo Estado, portanto, busca trabalhar com antecedência, organizando recursos, protocolos e responsabilidades para que os municípios possam responder de forma mais rápida caso os efeitos climáticos previstos se intensifiquem.