Compra do imóvel na Rua Marão de Cotegipe foi anunciada pelo prefeito José Ronaldo; espaço deverá oferecer consultas, vacinação, castração e assistência veterinária a animais de famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A implantação da Clínica Pet de Feira de Santana deu mais um passo com a aquisição de um imóvel na Rua Marão de Cotegipe, na região central da cidade. O anúncio foi feito pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, que informou ter assinado a escritura de compra do espaço e autorizado a Secretaria Municipal de Planejamento a priorizar a elaboração dos projetos arquitetônico e de engenharia necessários para a adaptação do prédio.
A proposta é criar uma estrutura pública voltada à assistência veterinária de cães e gatos, com atenção especial às famílias que não têm condições financeiras de custear consultas, tratamentos e procedimentos em clínicas particulares. O equipamento também deverá contribuir para as ações de controle populacional de animais, principalmente por meio da castração.
Durante o anúncio, o prefeito demonstrou emoção ao falar sobre a iniciativa e destacou que a aquisição do imóvel representa uma etapa concreta para tirar o projeto do papel. Segundo ele, a intenção é aproveitar as condições do prédio, que estaria em bom estado de conservação, para acelerar as próximas fases de implantação do serviço.
“Hoje, com muita alegria e emoção, estou aqui reunido com tanta gente que defende a causa animal e anunciando a Feira de Santana a compra, a desapropriação de um imóvel na Rua Marão de Cotegipe, um imóvel para a instalação da Clínica Pet de Feira de Santana”, declarou José Ronaldo.
O gestor também informou que o município pretende avançar simultaneamente na preparação do imóvel e na aquisição dos equipamentos necessários para o funcionamento da unidade. A previsão de início dos atendimentos, entretanto, dependerá da conclusão dos projetos, das adequações estruturais e da organização dos serviços.
Imóvel foi adquirido por R$ 1,5 milhão
De acordo com José Ronaldo, o imóvel foi adquirido por R$ 1,5 milhão. O prefeito afirmou que a negociação foi concluída após avaliação realizada pela Secretaria Municipal da Fazenda e que o pagamento estava previsto para ocorrer ainda naquela semana do anúncio.
O prédio está localizado nas proximidades da Secretaria da Fazenda, conhecida como Sefaz, e conta com espaço para garagens, uma característica que poderá contribuir para a organização dos serviços e para o acesso dos usuários.
“Os proprietários pediam um valor superior a dois milhões de reais, mas nós conseguimos adquirir por um milhão e meio de reais o imóvel. A escritura já foi feita e, com a escritura feita, fazemos o pagamento ainda esta semana”, afirmou o prefeito.
A escolha de uma localização central foi apresentada pela administração municipal como uma estratégia para facilitar o deslocamento de moradores de diferentes bairros, inclusive das regiões periféricas. A proposta é que a clínica funcione como um equipamento público de referência para quem precisa de assistência veterinária e enfrenta dificuldades para pagar pelos procedimentos.
Projeto prevê consultas, vacinação, tratamentos e castrações
A Clínica Pet deverá oferecer atendimento veterinário para cães e gatos, incluindo consultas, vacinação, exames, tratamentos e procedimentos cirúrgicos, conforme a estruturação dos serviços. A castração aparece entre as principais demandas apresentadas pelas entidades e pelos protetores de animais que participaram das discussões sobre o projeto.
José Ronaldo explicou que o atendimento será organizado por meio de cadastro dos tutores e agendamento, em uma dinâmica semelhante à utilizada em outros serviços públicos de saúde. A intenção é direcionar a assistência às pessoas que não têm condições de arcar com os custos da medicina veterinária particular.
“O atendimento vai ser para pessoas que não podem pagar. É como se fosse uma unidade de saúde, um posto de saúde, uma clínica. Você vai cadastrar os seus animais e, dentro do seu cadastramento, terão marcados os atendimentos, o horário do atendimento para serem atendidos”, explicou.
Além dos animais que possuem tutores, a proposta contempla cães e gatos em situação de rua, especialmente aqueles que necessitam de tratamento e castração. Para isso, a prefeitura pretende atuar em conjunto com associações de proteção animal e outras entidades que já desenvolvem atividades na cidade.
“Vai ser feito atendimento clínico e vai ser feito também vacinações, tratamentos de cães ou gatos de rua que têm problemas que precisam ser tratados. E vai ser feita a castração de animais de pessoas que não podem pagar nas clínicas particulares”, acrescentou o prefeito.
Segundo ele, os procedimentos deverão ser realizados de maneira organizada, com acompanhamento profissional e articulação com as instituições que já atuam na proteção dos animais.
Castração é apontada como uma das principais demandas
O controle da população de cães e gatos está entre os objetivos centrais da futura unidade. A castração é considerada uma das medidas previstas para reduzir a reprodução descontrolada e, consequentemente, contribuir para diminuir o número de animais em situação de rua.
O secretário municipal Rodrigo Matos também destacou a importância do procedimento para a saúde pública. Segundo ele, o controle populacional precisa ser compreendido não apenas como uma medida de proteção animal, mas também como parte de uma política que envolve a prevenção de doenças e a convivência entre pessoas e animais.
“A castração é algo importante porque você controla a população animal de rua, e isso é importante também porque controla doenças zoonóticas. Então, quando a gente faz isso, a gente está fazendo um bem para os bichinhos, mas fazendo também um bem para a sociedade como um todo”, afirmou Rodrigo.
O secretário ressaltou que a proposta parte do entendimento de que o cuidado com os animais está relacionado ao bem-estar coletivo. Para ele, a implantação de uma estrutura pública de assistência veterinária deve considerar tanto as necessidades dos animais quanto as condições socioeconômicas dos tutores.
“Nossa visão é globalizada, 360, está pensando nos animais. A gente tem todo o respeito à causa animal, é o respeito à causa humanitária das pessoas. A gente vive num ecossistema onde não existe animal e ser humano de forma isolada, existe uma integração”, declarou.
A expectativa é que o serviço amplie as possibilidades de atendimento para famílias que atualmente encontram dificuldades para custear procedimentos veterinários e para organizações que assumem, muitas vezes com recursos próprios, os cuidados com animais abandonados.
Diálogo com protetores e associações de proteção animal
A elaboração do projeto também envolve a participação de representantes da causa animal. Rodrigo Matos afirmou que a prefeitura já realizou reuniões com associações e pretende ampliar o diálogo com protetores independentes, que atuam no resgate, na alimentação e nos cuidados de animais em situação de abandono.
Segundo o secretário, a estruturação dos serviços precisa considerar as demandas apresentadas por quem acompanha de perto os problemas relacionados à proteção animal no município. A intenção é discutir os critérios de acesso, o funcionamento da clínica e a organização dos atendimentos antes da definição de todos os detalhes operacionais.
“Ninguém tem a capacidade de, na sua cabeça apenas, dizer o que é melhor. A gente ouve as pessoas, dialoga com as pessoas”, afirmou Rodrigo Matos.
O secretário acrescentou que as conversas deverão continuar durante o desenvolvimento do projeto, incluindo a participação de entidades formalizadas e de protetores que atuam de maneira independente.
A articulação com essas organizações também deverá ser importante para identificar animais que precisam de castração, organizar encaminhamentos e contribuir para o acompanhamento das ações. A prefeitura, entretanto, ainda deverá apresentar os detalhes sobre os critérios de cadastramento, a capacidade de atendimento e a composição da equipe responsável pelos serviços.
Clínica Pet terá funcionamento diferente da Unidade de Vigilância de Zoonoses
Um dos pontos esclarecidos durante o anúncio foi a diferença entre as atribuições da futura Clínica Pet e as atividades desenvolvidas pela antiga estrutura conhecida como Centro de Zoonoses, atualmente denominada Unidade de Vigilância de Zoonoses.
Rodrigo Matos explicou que os dois equipamentos terão funções distintas dentro da estrutura municipal. Enquanto a clínica será voltada à assistência veterinária, com consultas, tratamentos e castrações, a unidade de vigilância continuará responsável pelas ações de saúde pública relacionadas às doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos.
“Veja, o Centro de Zoonoses, na verdade, hoje tem outro nome, que é a Unidade de Vigilância de Zoonoses. Faz parte da Vigilância em Saúde, um componente fundamental, onde se faz o controle de doenças que podem passar para o ser humano”, explicou o secretário.
Rodrigo reforçou que a criação da clínica não significa a substituição ou o encerramento das atividades de vigilância sanitária e epidemiológica relacionadas às zoonoses.
“A vigilância em saúde é uma coisa, assistência veterinária é outra. Então, a gente vai deixar isso muito bem marcado, porque a importância do antigo Centro de Zoonoses, que hoje é chamado de Unidade de Vigilância de Zoonoses, continua”, afirmou.
Apesar da separação das atribuições, o secretário destacou que os dois serviços poderão contribuir para objetivos comuns, especialmente no que diz respeito à prevenção de doenças e ao controle da população animal.
A castração, por exemplo, poderá colaborar com as estratégias de saúde pública, embora a assistência veterinária e a vigilância de zoonoses tenham responsabilidades próprias.
Responsabilidade sobre animais soltos nas ruas também foi abordada
Durante a entrevista, Rodrigo Matos também foi questionado sobre as responsabilidades relacionadas aos animais soltos nas vias públicas e às situações que envolvem o bem-estar animal no trânsito.
O secretário explicou que a administração municipal está reorganizando as atribuições dos órgãos responsáveis, com diálogo entre as equipes da prefeitura e a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT).
“Isso não é da área da Unidade de Vigilância de Zoonoses. Animais soltos na rua, questões relacionadas ao bem-estar animal, isso é algo que a gente está dialogando, inclusive, com a SMT, com o superintendente Ricardo, visto que é uma atribuição do órgão de trânsito”, declarou.
De acordo com Rodrigo, a intenção é adequar a atuação de cada setor às competências previstas na legislação, mantendo a articulação entre os órgãos quando houver necessidade de ações conjuntas.
O tema está relacionado aos desafios enfrentados pelo município em situações que envolvem animais circulando pelas vias, riscos de acidentes e a necessidade de medidas que conciliem segurança no trânsito e proteção animal.
Equipamentos e estrutura ainda serão definidos
Apesar da aquisição do imóvel e da autorização para o desenvolvimento do projeto, alguns detalhes sobre o funcionamento da Clínica Pet ainda dependem de definição pela administração municipal.
José Ronaldo informou que a Secretaria Municipal de Planejamento ficará responsável pela elaboração dos projetos arquitetônico e de engenharia para adaptar o prédio às necessidades do serviço. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde deverá iniciar o processo para aquisição dos equipamentos necessários.
O prefeito também afirmou que uma empresa que já presta serviços de manutenção de obras para a prefeitura deverá executar as intervenções necessárias no imóvel, conforme o planejamento anunciado.
“Já autorizei o seu secretário de Planejamento, com toda a sua equipe, a dar prioridade na elaboração do projeto necessário nesse imóvel”, disse.
Sobre os custos com equipamentos, contratação de profissionais e organização das equipes, o gestor informou que esses pontos ainda seriam estruturados pelas secretarias responsáveis.
A definição da quantidade de veterinários, dos demais profissionais envolvidos e da capacidade de atendimento será importante para estabelecer como a unidade funcionará na prática. Também deverão ser apresentados os critérios para cadastro dos tutores, agendamento de consultas e encaminhamento de animais em situação de rua.
Hospital Municipal continua entre as prioridades da prefeitura
Durante a coletiva, José Ronaldo também foi questionado sobre a implantação da Clínica Pet diante do compromisso anterior de priorizar a construção do Hospital Municipal de Feira de Santana.
O prefeito negou que tenha havido mudança de prioridade e afirmou que o projeto do hospital continua em andamento, com empresa contratada após o processo licitatório e preparação da área destinada à obra.
Segundo ele, os trabalhos incluem a demolição das estruturas existentes no terreno e a organização do espaço para instalação do canteiro de obras. O projeto executivo também está em elaboração, com previsão de conclusão até o final de novembro de 2026, conforme informado pelo gestor.
“Nós resolvemos o Hospital Municipal. A licitação foi feita, a empresa já está devidamente contratada, já temos o imóvel, já fizemos a demolição de tudo que existia lá e já está sendo feita a arrumação do imóvel onde vai funcionar a empresa, ou seja, o canteiro de obra”, declarou.
José Ronaldo acrescentou que a prefeitura mantém reuniões com o consórcio vencedor da licitação para acompanhar o desenvolvimento do projeto e organizar as próximas etapas.
“Como já fizemos tudo isso, como já resolvemos a questão do Hospital Municipal, estamos agora resolvendo a Clínica Pet”, afirmou.
A declaração foi apresentada pelo prefeito para explicar que a implantação da assistência veterinária está sendo conduzida paralelamente a outros projetos da administração municipal.
Prefeito atualiza informações sobre outros projetos municipais
Além da Clínica Pet e do Hospital Municipal, José Ronaldo respondeu a perguntas sobre outras iniciativas em andamento em Feira de Santana.
Em relação aos imóveis destinados à implantação do Centro Administrativo, o prefeito informou que o município já realizou os pagamentos aos proprietários, inclusive por meio de procedimentos judiciais quando necessário. Segundo ele, a Secretaria Municipal de Planejamento está elaborando o projeto para as intervenções previstas.
O gestor explicou que, por se tratar de uma obra de maior porte, a execução dependerá de processo licitatório específico.
Sobre a Lagoa Salgada, José Ronaldo informou que o decreto de desapropriação já havia sido publicado e que a prefeitura mantinha diálogo com os proprietários para viabilizar uma troca de áreas. O projeto de engenharia também estaria em elaboração, com a intenção de avançar para a publicação da licitação.
O prefeito comentou ainda sobre as obras de praças e espaços públicos. Ele citou a inauguração de uma praça no bairro Jardim Acácia e afirmou que outras intervenções estavam em diferentes fases de execução.
Questionado sobre o estádio Joia da Princesa, José Ronaldo declarou que o processo licitatório estava praticamente concluído e que a assinatura do contrato poderia ocorrer a qualquer momento, conforme sua avaliação naquele momento.
Assistência veterinária amplia debate sobre políticas públicas para animais
A implantação da Clínica Pet coloca em discussão a ampliação das políticas públicas voltadas à proteção animal em Feira de Santana, especialmente no atendimento a famílias de baixa renda e no suporte às organizações que atuam no resgate e cuidado de cães e gatos.
A proposta anunciada reúne diferentes frentes de atuação: assistência veterinária, vacinação, tratamentos, castração e atendimento a animais em situação de rua. Ao mesmo tempo, exige a definição de critérios de acesso, estrutura física adequada, equipamentos, profissionais especializados e articulação entre os setores responsáveis.
Com a aquisição do imóvel na Rua Marão de Cotegipe, a prefeitura concluiu uma etapa inicial do projeto. Os próximos passos envolvem a elaboração dos projetos técnicos, a adaptação do prédio, a compra dos equipamentos e a organização do modelo de funcionamento.
A efetiva implantação do serviço dependerá da conclusão dessas etapas e da divulgação do cronograma de atendimento. Até lá, permanecem pendentes informações sobre a data de abertura, o número de consultas disponíveis, a equipe profissional e os procedimentos que serão oferecidos inicialmente à população.
