Após não conseguir a reeleição para deputado federal, Zé Neto (PT) agradeceu os quase 105 mil votos recebidos, destacou parte de sua trajetória política e falou sobre os planos para o futuro, em entrevista à reportagem do Dia a Dia News.
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“Em verdade, primeiro, a gente tem que agradecer a Deus. De onde eu vim? Sou filho de uma professora. Aos nove anos, meus quatro irmãos — somos cinco, eu era o do meio — vimos nosso pai partir. Só fui revê-lo aos 42 anos. Então, não foi uma vida fácil. Desde os nove anos de idade, vi minha mãe, uma mulher solo, batalhando para criar os filhos e nos dar educação.”
Ele continuou:
“Eu me tornei deputado federal por dois mandatos, deputado estadual por quatro mandatos, líder de governo, presidente de comissões importantes, vice-líder do governo em Brasília, presidente de tantas comissões e também o vereador mais votado da minha cidade em 2000. Então, acho que não dá para se sentir derrotado. Ter 104, quase 105 mil votos, também não é pouca coisa. O sarrafo, na última eleição, foi de 90 mil e 600 votos. Agora subiu para 108 mil. Então, faltaram ali 2 ou 3 mil votos.”
Zé Neto afirmou que segue de cabeça erguida e destacou que está na primeira suplência. O deputado também agradeceu a todas e todos que acreditaram em seu trabalho, votaram e deram confiança durante todos esses anos.
Ele citou ainda a votação obtida no município de Feira de Santana:
“Acho que a votação foi muito boa em Feira. Foram quase 60 mil votos. Eu perdi 3 mil votos, mas também não é que eu perdi. Tivemos mais pessoas candidatas, e isso não é ruim, é bom também. Faz parte dessa renovação, desse fortalecimento da política. Maria Marighella teve 6 mil e poucos votos em Feira. David, aproximadamente 10 mil. São pessoas que estão no mesmo campo da gente. Nosso campo, inclusive, saiu mais robusto.”
Zé Neto completou:
“Essa divisão, claro, gerou algum déficit para a gente, mas, como eu digo, estou numa trincheira e não posso querer que aqueles que estão na trincheira comigo não cresçam também. Então, foi uma luta de David, uma luta de Marighella e dos outros que também tiveram votos.”
Oposição e futuro político
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Zé Neto também comentou sobre outros campos da política, a oposição e os próximos passos:
“Nosso campo hoje, inclusive, quando fiz as contas nesta manhã, mostra que o nosso campo de oposição ao atual prefeito, que também lançou seu candidato, teve uma votação bem menor. Então, como primeiro suplente, pode ser que haja algum posicionamento lá na frente. Vamos conversar com o governador com calma para saber o que ele está pensando e ver se também se encaixa com o que estamos querendo aprimorar e decidir. No mais, é serenidade.”
Sobre como recebeu o resultado após a apuração das urnas, o deputado citou uma frase que, segundo ele, era repetida por sua mãe:
“Eu sempre fico na apuração dentro de casa, com minhas filhas e minha mulher. Ao final, a gente lembrou do que minha mãe dizia: ‘Meu filho, sempre vá para uma batalha se preparando para o pior. Se você vai perder, você tem que ter seu plano B, mas faça sempre o seu melhor. Você fazendo o seu melhor, vai sair de cabeça erguida. Aquilo vai ser um aprendizado. A vida segue e nada resiste à sua luta e à sua resistência. Continue sempre assim que não vai dar nada errado’.”
“Então, estou com essa cabeça. Claro que a gente fica triste. Tenho uma atuação muito contundente em Brasília, me tornei um grande interlocutor com vários setores. Sempre fiz o trabalho com os trabalhadores, vocês sabem disso, é meu DNA. Mas também aprendi outras coisas: conversar com empresários, com setores organizados, com categorias, dos calçadistas aos comerciantes, do leite ao frango, do setor atacadista ao setor econômico deste país. Eu ajudei muito na reforma tributária, porque acho que era uma questão estrutural. O que aprovamos é um passo importante para aprimorar nosso sistema fiscal, que estava muito atrasado e distante do que existe no mundo.”
Zé Neto finalizou afirmando que só tem a agradecer a Feira de Santana por toda a atenção que recebeu.
“Existe uma coisa acontecendo na política que é o extremismo. Eu não faço parte desse extremismo e acho que ele não resolve. O extremismo de extrema direita é uma fase difícil que estamos vivendo no planeta, e tivemos que enfrentar isso também. Por outro lado, eu também não me adapto e não vou me adaptar a essa história de uma política que muitas vezes envolve o ‘toma lá, dá cá’, esquemas irregulares e inadequados, dos quais também não vou participar. Prefiro fazer política como sempre fiz e vou continuar fazendo: de cabeça erguida, dando o meu melhor, como minha mãe sempre me ensinou. Faça o seu melhor e se prepare para vencer ou para ser derrotado. Mas faça sempre o seu melhor, porque você sai sempre com um aprendizado.”
Campanha e eleição
Zé Neto afirmou que a eleição trouxe bastante aprendizado e que algumas decisões poderiam ter sido diferentes.
“Não é que tenhamos errado, porque quem está na hora da decisão toma as decisões. Depois que não deu certo, você precisa pensar se vale a pena rever isso em outra situação. Então, é isso que estamos fazendo, com serenidade.”
Em relação ao novo modelo de fazer política e à abstenção, que chegou a 21%, o deputado declarou:
“Eu acho que estamos vivendo uma fase de transformação muito contundente. Estamos numa fase muito difícil, de novas concepções e novos conceitos. Temos que compreender o que está acontecendo no mundo. Acho que, nessa hora, temos que enfrentar isso achando que as coisas não são normais. Existe um novo conceito de política que, na minha opinião, não é o melhor, em que, infelizmente, as pessoas estão achando que a política não vai dar as respostas para a vida delas.”
Ele continuou:
“Essa questão que você levantou é típica disso. Acho que nós, aqui no campo mais à esquerda, temos que pensar qual é a linguagem para nos reformularmos. Isso é importante. Não podemos achar que estamos acertando sempre na linguagem que estamos utilizando. Vamos ter que reformular para alcançar melhor as pessoas. Porque, se você analisar o que estamos vivendo no Brasil, o país está com bons índices de inflação, a população está lá embaixo, tudo andando bem, o mundo enxergando a gente e atuando de forma muito correta na nossa produção. Os números do Brasil são muito positivos.”
Zé Neto destacou ainda outros pontos:
“Feira de Santana tem mais de 92 mil casas do Minha Casa, Minha Vida. Como é que a gente não consegue mostrar a dimensão disso? Algumas pessoas não entendem que não é só para a população mais pobre. Existe preconceito. São quase 26 mil unidades somente no governo Lula nos últimos três anos, com investimentos de R$ 4,6 bilhões. A gente não consegue mostrar a importância de ter um presidente como Lula. Investimos muito aqui.”
“Lula conseguiu colocar o Brasil em uma posição de respeito no mundo. E com todo mundo. ‘Ah, mas ele enfrenta os Estados Unidos.’ Não. Não é que enfrenta. Os Estados Unidos nos atacaram e ele, com maestria, dialogando e se mantendo firme, disse: ‘Olha, não quero brigar com você, mas aqui nós não podemos aceitar ser subalternos. Somos soberanos. Tem coisas que vamos combinar, tem coisas que não.’ Então, o presidente Lula é esse. E essa política que faço, essa política em que continuo acreditando, é a política do diálogo, do bom senso e da correção.”
Obras e investimentos em Feira de Santana
O deputado também citou obras e investimentos realizados em Feira de Santana:
“Olha o que a gente fez em Feira. O Centro de Convenções, gente. A construção da Missão Brasília, que tem trabalhadores e empresários no mesmo barco, indo conosco buscar melhorias para a cidade, principalmente empresários que nunca foram muito afeitos a esse tipo de condução. Hoje são parceiros importantes.
Olha o Centro de Convenções. Olha a duplicação da Avenida de Contorno, que vai ficar uma avenida linda. Vocês vão ver que coisa maravilhosa aquela avenida vai ficar.
Diferente das outras duas que foram construídas sem diálogo, sem debate. Nós fizemos debate em Brasília, fizemos debate em Salvador, fizemos debate na CDL, e está lá uma travessia urbana lindíssima.”
Com informações:Miro Nascimento. Escrita:Fernanda Martins Foto:Divulgação
