Início » Golpes digitais exigem atenção redobrada com a proximidade do fim do ano

Golpes digitais exigem atenção redobrada com a proximidade do fim do ano

0 comentários

O aumento das movimentações financeiras no fim do ano exige atenção redobrada dos consumidores para evitar golpes digitais. Com a proximidade das festas, o crescimento das compras pela internet e a circulação de dinheiro por transferências bancárias criam oportunidades para criminosos aplicarem fraudes. Entre as práticas que preocupam estão a falsa portabilidade de salário, as promoções fraudulentas, os comprovantes falsos de Pix e os pedidos de dinheiro feitos por pessoas que se passam por familiares ou amigos. Em entrevista ao Dia a Dia News, o advogado Adson Santana explicou como esses golpes funcionam, quais sinais devem despertar desconfiança e quais providências as vítimas precisam adotar ao perceber uma fraude.

Falsa portabilidade de salário: como funciona o golpe

A portabilidade salarial permite que o trabalhador receba o salário em uma instituição financeira diferente daquela utilizada pelo empregador para realizar o pagamento. O problema acontece quando criminosos utilizam indevidamente os dados pessoais da vítima para solicitar a mudança da conta de recebimento sem o seu conhecimento ou autorização.

De acordo com Adson Santana, a fraude pode provocar uma situação de grande preocupação para o trabalhador, que espera receber o salário e descobre que o dinheiro foi direcionado para outra instituição financeira.

Advogado Adson Santana

“A portabilidade permite que o trabalhador receba seu salário em um banco diferente daquele que o seu patrão, o seu empregador paga. O problema surge quando criminosos usam indevidamente os dados pessoais das vítimas para solicitar essa mudança”, explicou.

O advogado exemplificou como a situação pode acontecer na prática. O trabalhador aguarda o pagamento, mas, ao verificar a conta, percebe que o dinheiro não foi depositado na instituição em que costuma receber o salário. Em alguns casos, ele pode nem sequer conhecer o banco para o qual os recursos foram enviados.

“Imagine o seguinte cenário: um trabalhador que espera receber seu salário descobre que o dinheiro foi direcionado para outra instituição financeira, que muitas vezes nem tinha conhecimento que existia, nem sabe quem é o real titular, e fica em uma situação desesperada, sem saber o que fazer”, destacou.

A situação reforça a importância de acompanhar os dados bancários, desconfiar de solicitações de portabilidade que não foram feitas pelo próprio trabalhador e procurar imediatamente o banco e o empregador caso seja identificada alguma alteração suspeita.

Promoções falsas e comprovantes de Pix adulterados

Outro alerta feito pelo advogado diz respeito aos golpes que se intensificam em períodos de maior movimentação financeira. Com o aumento das compras e das transferências bancárias, criminosos aproveitam a procura por preços baixos e oportunidades para atrair vítimas.

Entre as práticas citadas por Adson Santana estão os anúncios fraudulentos na internet, que oferecem produtos por valores muito inferiores aos praticados no mercado, e os comprovantes de Pix adulterados, utilizados para tentar convencer vendedores de que um pagamento foi realizado.

“Os principais golpes, ainda mais nesse período de final de ano, com aumento das compras e de transferências bancárias, são as falsas promoções. E também os comprovantes de Pix adulterados”, afirmou.

Segundo o advogado, a promessa de uma oportunidade vantajosa pode fazer com que consumidores ajam por impulso e deixem de verificar a procedência do anúncio ou a confiabilidade do vendedor.

“Os criminosos lançam anúncios na internet com preços absurdamente baratos. As pessoas, de boa-fé, achando que estão buscando uma oportunidade boa, mas, na verdade, os dados são coletados para serem utilizados depois nessas movimentações”, alertou.

A orientação é desconfiar de ofertas com preços muito abaixo dos valores habituais, verificar a reputação da loja e evitar fornecer dados pessoais ou bancários em páginas desconhecidas. Para quem vende produtos, a recomendação é confirmar o recebimento diretamente na conta bancária, sem confiar apenas na imagem de um comprovante encaminhado pelo comprador.

Inteligência artificial e golpes com falsas emergências familiares

O avanço da tecnologia também ampliou as possibilidades de fraude. Com o uso de ferramentas de inteligência artificial, criminosos podem produzir conteúdos que imitam a voz ou a imagem de outras pessoas, tornando mais difícil identificar uma tentativa de golpe.

Nesse contexto, ligações e mensagens que simulam pedidos urgentes de ajuda financeira exigem cuidado. Um suposto filho, neto ou amigo pode entrar em contato alegando estar em uma situação de emergência e solicitar uma transferência imediata.

Diante desse tipo de abordagem, Adson Santana recomenda não agir por impulso e confirmar a identidade de quem está fazendo o pedido antes de enviar qualquer quantia.

O advogado também lembrou que as instituições financeiras não devem ser confundidas com os criminosos que se passam por funcionários de bancos para induzir clientes a realizar operações.

“Nenhum banco liga pedindo para que você transfira dinheiro para uma conta de segurança”, ressaltou.

Em relação às mensagens recebidas por aplicativos, como WhatsApp e Instagram, o advogado orienta que o usuário confirme a informação por outro meio de comunicação, mesmo quando o perfil utilizado pertence aparentemente a alguém conhecido.

“Em relação aos pedidos de WhatsApp, de Instagram, de mensagens que muitas vezes recebemos de pessoas passando por nossos amigos ou familiares, devemos sempre desconfiar e, sempre que possível, antes de mandar qualquer dinheiro, conferir por meio de uma ligação, uma videochamada e, até mesmo no momento da transação, conferir se realmente é o Pix do amigo, do parente que você deseja ajudar”, aconselhou.

A recomendação é utilizar um número de telefone já conhecido para fazer a confirmação, em vez de retornar a ligação ou responder exclusivamente pelo contato que enviou a solicitação suspeita. No caso de transferências, também é importante conferir o nome do destinatário e os dados apresentados pelo banco antes de concluir a operação.

Caiu no golpe? Saiba quais providências tomar

Quando a vítima percebe que realizou uma transferência para um criminoso, a rapidez na adoção das providências pode ser importante para tentar recuperar os valores e impedir novas movimentações.

Segundo Adson Santana, a primeira medida deve ser entrar em contato imediatamente com a instituição financeira e registrar a contestação da operação. Nos casos envolvendo o Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, que permite a análise de determinadas transações suspeitas de fraude.

O advogado, no entanto, alerta que a utilização desse mecanismo não significa que o dinheiro será devolvido automaticamente.

“A primeira providência imediata é entrar em contato com o banco e registrar a contestação. Nos golpes envolvendo Pix, existe realmente, como você falou, o MED, que é o Mecanismo Especial de Devolução, que pode permitir a recuperação de dinheiro, mas não é garantido”, explicou.

De acordo com ele, o procedimento depende da análise do caso e das informações disponíveis sobre a transação e a conta que recebeu os recursos. A identificação de movimentações suspeitas pode contribuir para a apuração da fraude, mas não assegura a recuperação integral do valor.

“Esse sistema depende de uma análise para verificar se essa conta está recebendo vários Pix, uma conta já suspeita de ser uma conta utilizada como fraude”, acrescentou.

Além de comunicar o banco, a vítima deve registrar um boletim de ocorrência e preservar todos os documentos que possam ajudar na investigação. Comprovantes de transferências, números de protocolo, mensagens, conversas e demais registros relacionados ao golpe devem ser guardados.

“Também é muito importante registrar um boletim de ocorrência, guardar os comprovantes e protocolos das conversas com os bancos e, se necessário, buscar orientação jurídica para resolver judicialmente, porque, apesar de realmente ter um mecanismo especial, não há garantia de devolução do dinheiro. É necessário analisar o caso especificamente”, destacou.

A orientação é não perder tempo tentando negociar com o criminoso ou realizar novos pagamentos sob a promessa de recuperar o dinheiro. A prioridade deve ser comunicar a instituição financeira pelos canais oficiais, formalizar a contestação e registrar a ocorrência policial.

Conta bancária ou aplicativo invadido: o que fazer imediatamente

Outra situação que exige atenção é a invasão de contas bancárias, do WhatsApp ou de outros aplicativos. Quando percebe que perdeu o controle de uma conta ou identifica acessos e movimentações que não reconhece, a vítima precisa agir para reduzir os riscos de novas fraudes.

Adson Santana recomenda que, quando ainda houver acesso à conta ou ao dispositivo, a pessoa altere as senhas e verifique se foram realizadas transferências ou outras operações sem autorização.

“A primeira, se ainda tiver acesso à conta, ao dispositivo, é buscar alterar a senha. Após isso, verificar se foi feita alguma transferência e, de imediato, registrar a contestação no banco”, orientou.

O advogado também destacou a necessidade de procurar as autoridades policiais para formalizar a ocorrência.

“Após, buscar o site da Polícia Civil ou até mesmo ir à delegacia mais próxima para registrar o boletim de ocorrência”, completou.

Além dessas providências, é importante utilizar os canais oficiais para recuperar o acesso às contas, encerrar sessões desconhecidas quando essa opção estiver disponível e ativar mecanismos adicionais de proteção, como a autenticação em duas etapas. Se houver suspeita de comprometimento do celular, a vítima deve evitar realizar operações bancárias pelo dispositivo até conseguir protegê-lo.

No caso de invasão do WhatsApp, também é importante avisar familiares e amigos por outro meio de comunicação, especialmente se houver possibilidade de o criminoso estar utilizando o perfil para pedir dinheiro em nome da vítima.

Prevenção continua sendo a principal forma de proteção

Ao encerrar a entrevista, Adson Santana reforçou que a prevenção é a principal ferramenta para reduzir os riscos de golpes digitais. A atenção deve estar presente tanto no uso de aplicativos bancários quanto nas interações pelas redes sociais, nas compras pela internet e no compartilhamento de informações pessoais.

O advogado recomenda desconfiar de contatos inesperados, evitar o compartilhamento de senhas e não fornecer dados bancários a pessoas ou canais cuja legitimidade não tenha sido confirmada.

“Nesses casos, para não se cair no golpe, a regra de ouro é a prevenção. Nós temos que sempre desconfiar das informações que recebemos pelo nosso celular, pelas redes sociais, pelas pessoas que entram em contato com a gente”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância de conferir cuidadosamente os dados de cada operação antes de concluir uma transferência.

“Nunca forneça senhas, sempre desconfie de contatos suspeitos, nunca informe seus dados bancários a contatos que não possam agregar em nada e sempre confira com cuidado e cautela todas as operações bancárias. Confira os dados da pessoa para quem você está realizando a transferência”, concluiu.

Com a aproximação do fim do ano, período marcado pelo aumento das compras e da circulação de dinheiro, a orientação é redobrar os cuidados com ofertas muito vantajosas, pedidos urgentes de transferências e contatos que solicitam informações pessoais. Em caso de suspeita de fraude, agir rapidamente, procurar o banco e registrar a ocorrência são medidas fundamentais para tentar reduzir os prejuízos

Com informações e escrita:Fernanda Peleteiro Foto:Divulgação

Tags:

Todos os Direitos Reservados. Produzido por  Alcance Marketing Digital