As famílias brasileiras comprometeram quase 30% da renda com o pagamento de dívidas em agosto de 2026, segundo dados do Banco Central. O percentual representa um recorde na série histórica do indicador e evidencia a pressão das obrigações financeiras sobre o orçamento doméstico.
O endividamento das famílias também atingiu um nível recorde, chegando a 50,1% da renda acumulada em 12 meses. O indicador considera o total das dívidas bancárias em relação à renda das famílias, enquanto o comprometimento mede a parcela destinada ao pagamento das prestações e dos juros.
Mesmo quando os financiamentos imobiliários são excluídos do cálculo, os indicadores permanecem elevados. Nesse cenário, o endividamento chegou a 31% da renda, enquanto o comprometimento com o pagamento das dívidas alcançou 26,7%.
Entre os fatores que contribuem para a pressão financeira estão os juros elevados e o custo de modalidades de crédito, como o cartão de crédito e os empréstimos pessoais. Quando uma parcela maior da renda é destinada ao pagamento de dívidas, sobra menos dinheiro para despesas essenciais, como alimentação, moradia, transporte e saúde.
Os dados também apontam dificuldades para manter os pagamentos em dia. Em setembro, a inadimplência no crédito livre chegou a 6,6%, repetindo o recorde registrado no mês anterior. O estoque total de crédito no país alcançou 7,4 trilhões de reais.
O cenário reforça a importância do planejamento financeiro e do acompanhamento das despesas mensais. A contratação de crédito sem avaliar a capacidade de pagamento pode ampliar o endividamento e comprometer ainda mais o orçamento das famílias.
