O Brasil permanece fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas, mas 44,8 milhões de brasileiros ainda não têm renda suficiente para manter uma alimentação saudável. O dado faz parte do relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, divulgado neste ano com informações referentes ao período de 2023 a 2025.
De acordo com o levantamento, 21,1% da população brasileira enfrentava, em 2025, dificuldades financeiras para comprar uma dieta considerada saudável. Apesar do número ainda elevado, houve uma redução significativa em relação a 2021, quando 65,3 milhões de pessoas, ou 31,1% da população, estavam nessa situação. Isso significa que cerca de 20 milhões de brasileiros passaram a ter condições de acessar uma alimentação saudável no período.
A alimentação considerada saudável pela FAO inclui diferentes grupos de alimentos, como cereais, raízes e tubérculos, carnes, peixes, ovos e laticínios, além de frutas, verduras, legumes, leguminosas, castanhas e sementes. O cálculo leva em consideração o custo desses alimentos e a renda disponível das famílias depois de despesas básicas.
O relatório também aponta uma redução da insegurança alimentar no país. Entre 2023 e 2025, cerca de 20,3 milhões de brasileiros enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave. O número representa 9,6% da população e ficou abaixo dos 13,3% registrados no triênio anterior. Já a insegurança alimentar severa atingiu 0,6% da população, o equivalente a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.
Mesmo com os avanços, especialistas alertam que o acesso à alimentação saudável continua sendo um desafio, principalmente para as famílias de menor renda. O custo dos alimentos, a instabilidade financeira e as diferenças regionais ainda dificultam que parte da população consiga manter uma dieta equilibrada.
Segundo o relatório, o custo de uma alimentação saudável no Brasil chegou a US$ 4,89 por pessoa ao dia em 2025, considerando a metodologia de Paridade do Poder de Compra utilizada pela FAO. O valor ficou abaixo das médias registradas na América do Sul e na América Latina e Caribe.
O Brasil deixou novamente o Mapa da Fome porque a proporção da população em situação de subnutrição ficou abaixo de 2,5%, percentual utilizado pela FAO como referência para classificar os países. A permanência fora do mapa, no entanto, não significa que o problema da fome e da insegurança alimentar tenha sido completamente eliminado.