Clínicas de diálise alertam para risco de colapso no atendimento após atrasos de pagamentos na Bahia

Clínicas de diálise que atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia alertam para o risco de comprometimento dos serviços devido a atrasos nos pagamentos realizados pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). A situação preocupa representantes do setor, que apontam dificuldades para manter o funcionamento das unidades e garantir a continuidade do tratamento de pacientes com doença renal crônica.

O problema envolve repasses financeiros destinados ao custeio das sessões de hemodiálise, procedimento essencial para pessoas que apresentam comprometimento grave da função dos rins. Sem o tratamento regular, esses pacientes podem sofrer complicações graves, já que dependem das sessões para retirar do organismo o excesso de líquidos e substâncias tóxicas acumuladas no sangue.

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) já havia alertado, em janeiro de 2025, sobre dificuldades financeiras enfrentadas por clínicas baianas. Na ocasião, a entidade informou que 13 unidades aguardavam o pagamento de aproximadamente R$ 8 milhões por serviços prestados em novembro de 2024. Também estavam pendentes valores referentes ao cofinanciamento estadual de outubro e novembro daquele ano.

Segundo a associação, mais de 2 mil pacientes renais crônicos dependiam diretamente dessas clínicas para realizar a terapia renal substitutiva. A entidade advertiu que a demora nos repasses poderia comprometer a manutenção dos atendimentos e até provocar o fechamento de unidades.

A crise na assistência à diálise também envolve a falta de vagas para tratamento ambulatorial. Em agosto de 2026, a Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia informou que 175 pacientes permaneciam internados em hospitais estaduais, mesmo apresentando condições clínicas para receber alta. A permanência ocorria porque eles ainda não haviam conseguido vagas em clínicas para continuar o tratamento fora do ambiente hospitalar.

O tempo de espera por uma vaga poderia chegar a cinco meses, segundo dados da Secretaria da Saúde da Bahia. A situação aumenta a pressão sobre os hospitais e mantém pacientes internados exclusivamente pela necessidade de realizar sessões de diálise.

A rede de atendimento enfrenta, portanto, dois desafios: garantir recursos para o funcionamento das clínicas conveniadas e ampliar a capacidade de atendimento para absorver a demanda de pacientes que aguardam vagas.

A continuidade dos repasses e a ampliação da rede são apontadas pelas entidades do setor como medidas necessárias para evitar a interrupção dos tratamentos e assegurar assistência aos pacientes renais na Bahia.

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