Apesar da expectativa de aumento nas vendas com a realização do Natal Encantado, comerciantes da Praça da Matriz, em Feira de Santana, afirmam que o evento tem provocado queda no movimento e prejuízos financeiros. O principal motivo, segundo eles, seria o isolamento da área, com bloqueio de vias, restrição de circulação de pessoas e controle de acesso ao espaço da festa.

Trabalhando há mais de dois anos em frente a uma padaria da região, Luciana baiana de acarajé relata que a organização do evento não trouxe nenhum benefício para os trabalhadores do entorno. “Eles colocam carros da SMT e do SAMU bem na frente da gente, interrompem o trânsito e isolam tudo. Com isso, ninguém passa por aqui e a gente fica praticamente isolado”, afirmou.
Segundo a comerciante, a falta de circulação afetou diretamente as vendas. “O pessoal que costumava vir no fim da tarde não aparece mais porque tudo fica fechado. A praça não circula, fica todo mundo preso lá dentro da festa. Em vez de ajudar, a gente só toma prejuízo”, lamentou. Ela estima uma queda de cerca de 50% nas vendas nas duas primeiras semanas do evento.

O comerciante Luiz Boaventura também disse que o movimento ficou abaixo do esperado. De acordo com ele, o isolamento das passagens transformou o evento em algo semelhante a uma festa privada. “As entradas foram todas fechadas. Aqui mesmo, na passagem para a Avenida Desembargador Filinto Bastos, tudo foi isolado. Para entrar numa festa que deveria ser pública, não pode levar nem água ou café. Para nós, comerciantes e para o público em geral, não houve benefício algum”, criticou.
Luiz afirmou que fez investimentos antecipados, acreditando no retorno financeiro típico do período natalino. “Há mais de um mês investimos em melhorias na estrutura e contratamos funcionários, esperando o aumento do movimento. Quando a festa começou, vimos que não seria nada do que a gente esperava”, disse.
Para o próximo ano, ele defende mudanças no formato do evento. “Nos anos anteriores era uma festa mais aberta, com várias entradas e circulação livre. Se puder voltar a esses moldes, seria perfeito para quem trabalha aqui na praça”, avaliou.

A dona de lanchonete Luciana Lima também relata prejuízos. Segundo ela, o comércio não foi beneficiado pela programação. “A festa ficou toda fechada e praticamente não vendemos nada. Investimos muito e tivemos prejuízo”, afirmou.
A lanchonete funciona diariamente das 6h às 20h e, durante o período do evento, o horário chegou a ser estendido na expectativa de maior movimento. “Achamos que ia dar resultado, mas não deu. O movimento, ao invés de aumentar, caiu. Não teve procura, nem para lanche, nem para almoço”, contou.
Luciana destacou ainda que outros trabalhadores também enfrentaram dificuldades. “Até os barraqueiros que ficaram mais próximos da festa estão reclamando. Do jeito que foi feito este ano, foi horrível para quem vive do comércio aqui”, concluiu.
