Em meio às histórias que atravessam os 193 anos de Feira de Santana, jornalista Dilson Barbosa resgata a memória de uma época em que moradores deixavam o centro da cidade aos fins de semana para aproveitar a chamada “praia de Feira”
Ao completar 193 anos de emancipação, Feira de Santana reúne histórias que ajudam a explicar as transformações vividas pelo município ao longo das décadas. Entre elas está uma lembrança pouco conhecida pelas novas gerações: a de que a cidade teria tido, entre as décadas de 1960 e 1970, uma espécie de praia às margens da Lagoa de São José, no distrito de São José.
O relato é do jornalista Dilson Barbosa, que recupera a história a partir das memórias de moradores mais antigos. Segundo ele, a iniciativa teria ocorrido durante a administração de José Lita Muniz, prefeito nomeado após o golpe militar de 1964.
De acordo com Dilson, o então gestor conheceu a lagoa localizada na região de São José e teria identificado no local uma oportunidade de criar um espaço de lazer para a população de Feira de Santana.
“Feira de Santana teve praia e a praia de Feira era a Lagoa de São José”, relembra o jornalista.

Areia e estrutura para receber os feirenses
Segundo o relato, a Lagoa de São José era muito maior do que a atual Lagoa Grande de Feira de Santana. Dilson estima que o espelho d’água chegava a ter duas ou três vezes o tamanho da lagoa conhecida atualmente na cidade.
A área teria passado por um processo de urbanização para receber os frequentadores. Ainda conforme a memória relatada pelo jornalista, caminhões transportaram areia para o local, formando uma estrutura semelhante à de uma praia, além da instalação de barracas para atender os visitantes.
A novidade teria rapidamente conquistado os moradores.
Aos sábados e, principalmente, aos domingos, a região de São José recebia um grande fluxo de pessoas. Dilson conta que a Prefeitura disponibilizava ônibus para transportar gratuitamente moradores até a lagoa.
“Era um corre-corre de ônibus, de gente, de carros. Então, era a praia de Feira de Santana”, conta.
Lazer também durante a noite
A Lagoa de São José não teria sido apenas um destino para quem buscava diversão durante o dia. Segundo Dilson Barbosa, o movimento também se estendia para a noite, com festas e os tradicionais “arrasta-pés”.
O local teria se transformado em um dos pontos de encontro da população feirense naquele período, reunindo moradores da cidade e pessoas da própria região de São José.
“Era movimentação. Quem é da nossa geração sabe, quem mora em São José sabe disso, os mais antigos sabem disso”, afirma o jornalista.
O fim da “praia de Feira”
Ainda segundo o relato, a fase de maior movimento da Lagoa de São José teria durado aproximadamente quatro ou cinco anos, embora a movimentação no local possa ter se estendido pela década de 1970.
Com o passar do tempo, porém, a lagoa teria começado a secar. O espaço também teria enfrentado problemas relacionados ao crescimento da criminalidade e à ocupação desordenada. Dilson relata que algumas barracas inicialmente destinadas ao lazer chegaram a ser substituídas ou ampliadas com construções de alvenaria.
A combinação desses fatores teria contribuído para o desaparecimento daquele que, na memória de antigos moradores, ficou conhecido como um dos principais espaços de lazer de Feira de Santana.
Uma história guardada na memória
A história da chamada “praia de Feira” permanece como uma dessas memórias que ajudam a revelar uma cidade diferente da conhecida atualmente. Para Dilson Barbosa, recordar a Lagoa de São José é também preservar parte da história cotidiana de gerações que viveram uma Feira de Santana marcada por outros costumes e espaços de convivência.
O próprio jornalista ressalta que o relato se baseia na memória daqueles que vivenciaram aquele período e que não dispõe, no momento, de documentação concreta que comprove todos os detalhes da história.
Ainda assim, a lembrança da Lagoa de São José como ponto de lazer permanece entre moradores mais antigos e integra o conjunto de histórias que ajudam a contar os 193 anos de Feira de Santana.
