Tombamento de patrimônio é uma prática saudável para a cidade, mas “não faz sentido manter o que não pode ser restaurado”, afirmou secretário

Diante das recentes demolições de antigas construções, em Feira de Santana, a Secretária Municipal de Cultura, Esporte e Lazer deve realizar um levantamento para identificar e tombar imóveis que representam o patrimônio histórico do município. A sugestão é do presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal, vereador Professor Ivamberg (PT).

Na sessão da última quinta-feira (06), ele propôs a medida ao Poder Executivo como forma de preservar a memória da cidade e evitar novas perdas arquitetônicas. Ivamberg destaca que muitos casarões antigos estavam localizados na região central da cidade e foram derrubados, principalmente, para dar lugar a estabelecimentos comerciais ou até estacionamentos pagos.

Para falar sobre o assunto, o programa Dia a Dia News entrevistou nesta terça-feira (11) o secretário de Planejamento, Carlos Brito, que salientou a importância da preservação de bens históricos, tanto públicos quanto privados, afirmando que “a luta pelo tombamento é salutar”, ou seja, benéfica para a sociedade.

Embora defenda essa importância, o secretário criticou a preservação de bens em estado de ruína, pois “não faz sentido manter o que não pode ser restaurado. Existe diferença entre restauração e recuperação”.

Segundo ele, restauração é quando se faz uma reforma para manter o imóvel em seu estado original. Já a recuperação é a reconstrução de um bem em estado de ruína. Como exemplo de recuperação, ele citou o que está sendo feito no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana.

Brito defendeu sua visão reforçando que o tombamento de patrimônio é uma prática saudável para a cidade, mas deve seguir condições específicas, “e qualquer cidadão ou instituição pode solicitar o tombamento de um bem ao poder público, seja ele municipal ou de outra esfera”.

Para ilustrar essa possibilidade de requerimento e as condicionantes existentes nesse processo, ele recordou a tentativa de tombamento do Palácio do Menor, uma fundação de acolhimento a órfãos, que não aconteceu devido à negativa por parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) ao verificar a condição ruinosa do casarão.

Ele ressaltou que o poder público deve manter seus prédios com o máximo de originalidade arquitetônica, afirmando que a gestão municipal tem tomado algumas iniciativas como o tombamento do prédio da prefeitura da cidade, mas ainda há muito a ser feito. Em contrapartida, a preservação privada enfrenta dificuldades, dentre elas, a desvalorização das propriedades.

Escrita pela estagiária Letícia Linhares com informações de Miro Nascimento Foto: Divulgação

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