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Folia de Reis em Feira de Santana chega à 14ª edição com programação cultural diversificada

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A 14ª edição da Folia de Reis em Feira de Santana começa na noite desta quinta-feira (21), às 20h, com uma programação que mistura tradição, religiosidade e manifestações culturais diversas. A festividade, idealizada pelo produtor cultural Asa Filho, busca manter viva a cultura popular da região, trazendo para o público uma experiência diferente do que é tradicionalmente associado ao evento.

Em entrevista, Asa Filho explicou a proposta da festa e a importância de revitalizar essas tradições. “Hoje teremos o Teatro Renascer abrindo a festa, com uma demonstração do nascimento de Cristo. Mas a política da cultura não se resume à festa; passa por uma cultura secular, que precisa ser preservada. Nosso objetivo é manter essas tradições vivas, integrando diversas formas de arte.”

Apesar do Dia de Reis ser comemorado em janeiro, Asa Filho optou por realizar o evento em outubro, durante a Expofeira:. “O samba continua, a micareta existe, tudo isso existe. Então, dentro da Expofeira, por que não trazer a Folia de Reis? Se não fizermos isso, essas culturas acabam ficando apenas como tradição religiosa, e nós precisamos valorizar tanto o sagrado quanto o profano. Eu trago várias manifestações, como quadrilha, repente, capoeira, samba de roda, teatro e bandas locais, como a banda Ébano, resgatando o poder da música da cidade.”

O produtor cultural destacou a diferença entre cultura popular e entretenimento efêmero, criticando a influência excessiva da bebida e do consumo em festividades. “A festa precisa ser pautada na cultura popular. Hoje, muitas festas estão confundindo cultura com bebida e entretenimento passageiro. Isso faz com que a comunidade perca seu valor e sua identidade cultural.”

Ao longo da entrevista, Asa Filho abordou também o desafio da renovação cultural. “Quando as comunidades eram rurais, as festividades funcionavam naturalmente. Com a atuação do poder público, muitas festas perderam sua essência e se tornaram superficiais. Por isso, é preciso fomentar e apoiar as tradições, tanto por iniciativas privadas quanto pelo poder público.”

Ele ressaltou ainda seu compromisso em manter a tradição, mesmo fora do centro da cidade, levando cultura às periferias.”Sou ponto de cultura da Bahia e tenho o dever de manter viva essa tradição. Nas periferias, as manifestações culturais precisam ser conhecidas e valorizadas, porque são mais vulneráveis a serem esquecidas ou atacadas.”

A programação da noite de abertura inclui o Teatro Renascer, que fará uma encenação do nascimento de Cristo, seguido pelo chorinho do grupo Arauá, de Antônio Araújo, resgatando a arte do choro em Feira de Santana.

Asa Filho encerrou o convite aos feirenses e à iniciativa privada. “Forte abraço a todos, e bora arranjar patrocínio para que possamos continuar mantendo viva a nossa cultura.”

Por Mayara Nailanne

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