A Loja Maçônica Luz e Fraternidade promove, por meio de sua Comissão de Saúde, o Simpósio sobre Esporotricose, uma doença que tem gerado crescente preocupação em nossa cidade e região.
A esporotricose é uma infecção causada por fungos presentes no solo, em plantas e animais, especialmente gatos, que podem transmitir a doença aos humanos. Nos últimos anos, ela tem se tornado um problema de saúde pública em diversos municípios da Bahia, exigindo atenção tanto da comunidade médica quanto da população em geral.
Miro Nascimento, âncora do programa Dia a Dia News, entrevistou Renata Doria, professora da UEFS e dermatologista, Arison Matos, veterinário, e o Dr. Edval Gomes, médico cardiologista.
“A esporotricose é uma micose subcutânea, também chamada de micose profunda. Quando falamos de micose, queremos dizer que é uma infecção causada por um fungo, transmitido aos humanos principalmente através do solo e de alguns animais. Ela se manifesta de várias formas no organismo, mas a mais comum é na pele”, explicou a Dra. Renata.
Em relação aos primeiros sintomas da esporotricose, ela disse:
“Ela pode se manifestar de forma cutânea ou cutânea linfática, começando com uma pápula, que é um pequeno nódulo, parecendo uma picada de inseto, que, ao longo de algumas semanas, pode evoluir para nódulos maiores e mais avermelhados, que podem eventualmente supurar, ou seja, drenar um pouco de material. Esses nódulos podem seguir o trajeto dos vasos linfáticos na região afetada, o que ocorre na maioria dos casos.”
A esporotricose pode ocorrer pelo contato com gatos, tanto os domésticos quanto os de rua, e também através do contato com plantas e solo contaminado.
“Pessoas que praticam jardinagem ou que sofrem pequenos traumas, como espinhos ou arranhões com pedaços de madeira contaminados, podem ter o fungo inoculado na pele, desenvolvendo a doença a partir daí. Existe também a via respiratória, mas ela é menos frequente, sendo mais comum em pacientes com imunodeficiências, como os HIV positivos”, concluiu a dermatologista.
Arison Matos, médico veterinário, falou sobre os animais infectados:
“Os animais expressam a doença de maneira muito diferente de nós, pois não podem verbalizar. Eles chegam aos consultórios com lesões que precisam ser avaliadas e tratadas conforme a sintomatologia apresentada. Assim como os seres humanos, os animais também sofrem bastante com essa doença e apresentam lesões cutâneas”, afirmou.
Sobre os sintomas, ele explicou:
“Nos animais, a esporotricose pode se manifestar de forma em ‘rosário’, quando os linfonodos (gânglios linfáticos) acabam sendo acometidos. Isso se manifesta por nodulações abaixo da pele, no subcutâneo do animal. Lesões respiratórias também são comuns, principalmente nos gatos. É uma doença presente no solo, em materiais em decomposição e em troncos de árvore. Os gatos, por estarem constantemente em contato com terra e areia onde fazem suas necessidades e escavam, acabam se contaminando mais facilmente com o fungo.”
O diagnóstico para os animais é feito por citologia, com a coleta de uma amostra simples da pele. O tratamento geralmente dura de 6 meses a 1 ano e é feito com antifúngicos via oral. O critério para considerar a cura é clínico: quando a lesão está totalmente cicatrizada, sem sinais de inflamação ou atividade do fungo, o animal é considerado curado.
Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Miro Nascimento. Foto: Fernanda Martins
