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Transtornos mentais graves podem reduzir expectativa de vida em até 20 anos, alerta psicanalista

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Pessoas com transtornos mentais graves vivem, em média, de 13 a 20 anos menos do que o restante da população.
Não é o diagnóstico psiquiátrico em si que reduz a expectativa de vida, mas sim problemas físicos evitáveis, como tabagismo, sedentarismo, má alimentação, distúrbios do sono e os efeitos metabólicos de determinados medicamentos.

A análise dos juízos sobre as relações interpessoais e o contexto familiar revela a forma como os indivíduos se percebem e experimentam suas emoções. Essas dinâmicas podem gerar desequilíbrios, e, em muitos casos, a psicoterapia individual pode não ser suficiente para abordar as questões subjacentes.

O psicanalista Matheus Barbosa em entrevista ao Dia a Dia News, explicou que a expectativa de vida pode ser reduzida em até 20 anos em casos de transtornos mentais, destacando ainda a importância de reconhecer que essas condições também afetam familiares e pessoas próximas.

“A participação da família é crucial, tanto no apoio ao paciente quanto no cuidado com seus próprios membros. A família também necessita de atenção e intervenção. É importante promover a escuta e discutir a relevância do autocuidado familiar, pois o adoecimento de um membro frequentemente impacta todo o sistema”, ressaltou.

Em relação aos transtornos mentais graves, o psicanalista acrescentou:

“Os principais transtornos mentais graves incluem a esquizofrenia, caracterizada por alterações na percepção da realidade; o transtorno afetivo bipolar, que envolve oscilações significativas de humor; e os transtornos de personalidade, que se manifestam por padrões rígidos nas relações, na validação das emoções e nos comportamentos. Esses transtornos frequentemente afetam as relações interpessoais e a forma como os indivíduos se percebem e experimentam suas emoções.”

Matheus continuou:

“O transtorno bipolar, por exemplo, pode apresentar variações perceptíveis no convívio diário. Para um diagnóstico preciso, é essencial uma anamnese detalhada. O histórico do paciente — incluindo fases de depressão grave e oscilações de humor — é cuidadosamente avaliado. Essas oscilações, que podem envolver euforia e impulsividade, demandam tempo para se estabilizarem, e a observação da família é fundamental durante esse processo.”

O psicanalista destacou ainda que, quando um paciente adoece, toda a família é impactada e, portanto, também necessita de tratamento e apoio.

Sobre os efeitos colaterais dos medicamentos psiquiátricos, Matheus alertou para a importância do acompanhamento médico contínuo:

“Pode haver alterações relacionadas à pressão arterial, por exemplo, e é necessário que isso seja acompanhado de perto. Os pacientes frequentemente relatam boca seca, ganho de peso e outros efeitos colaterais. Isso representa um desafio, pois é preciso psicoeducar sobre a importância do uso contínuo das medicações, já que esses efeitos podem se tornar um fator limitante para a adesão ao tratamento.”

Por fim, o psicanalista enfatizou a relevância da prática regular de atividade física:

“A atividade física é fundamental porque ajuda a reduzir os agravos provocados pelas medicações e contribui significativamente para o bem-estar geral do paciente.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Miro Nascimento. Foto:Fernanda Martins

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