O presidente da Federação das Associações Comerciais da Bahia (Faceb), Clóves Cedraz, celebrou os avanços do Projeto Empreender, iniciativa que há 25 anos promove a cooperação entre empresários e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas em diversos municípios baianos.
Segundo Cedraz, o programa, inicialmente implantado em 10 municípios, já alcança cerca de 25 cidades, ampliando continuamente o número de empreendedores beneficiados.
“O custo de aplicação de um projeto como esse é alto, mas temos conseguido expandir graças ao comprometimento das associações e consultores locais, que muitas vezes levam o programa também para cidades vizinhas, multiplicando os resultados”, destacou.
De concorrentes a parceiros de negócios
Clóves Cedraz explicou que o Empreender tem como principal objetivo promover a evolução e a eficiência dos negócios, estimulando a colaboração entre empresas que antes atuavam apenas como concorrentes.
“Antes, empresários que disputavam o mesmo mercado acabavam virando inimigos. O projeto veio para mudar essa mentalidade. Eles continuam concorrentes, mas se tornam parceiros de negócios”, afirmou.
O dirigente exemplificou como o trabalho em rede traz ganhos coletivos, especialmente na capacitação e na redução de custos.
“Quando empresas do mesmo setor se unem, podem contratar juntas um consultor ou realizar treinamentos para todos os funcionários, em vez de cada uma pagar sozinha. O mesmo vale para compras em grupo, que permitem negociar melhores preços e condições”, explicou.
O caso que originou a Rede Erguer
Cedraz lembrou um exemplo emblemático de Feira de Santana, onde a união entre empresários resultou na criação da Rede Erguer, referência regional no setor da construção civil.
“Propus que fizéssemos uma compra cooperada de ferro. Visitamos a Gerdau, apresentamos a proposta e conseguimos fechar o negócio. Pequenos compradores que adquiriam três toneladas passaram a pagar o mesmo preço de quem comprava trinta. Isso fortaleceu todos e consolidou o espírito de cooperação que o projeto defende”, relatou.
Ele destacou ainda que, ao longo de duas décadas e meia de existência, nenhuma das empresas participantes do programa encerrou as atividades, o que comprova sua eficácia.
“O projeto consolida a empresa, amplia sua área de atuação e melhora a gestão. O resultado é funcionário qualificado, empresário satisfeito e negócio sustentável”, afirmou.
Parceria com o poder público e o Sebrae
O presidente da Faceb ressaltou também a importância da colaboração entre o setor empresarial, as prefeituras e o Sebrae, para que os resultados sejam duradouros.
“O município precisa estar junto, porque muitas demandas dependem do poder público — seja infraestrutura, energia, pavimentação ou tributos. O projeto prevê a criação de comissões que vão até o prefeito discutir soluções. E isso tem dado resultado”, explicou Cedraz.
Ele destacou que a atuação dos consultores do projeto é fundamental para manter o foco e o compromisso com as metas.
“Os consultores têm papel de mediadores e são treinados para isso. Eles ajudam os grupos a se organizarem, criarem comissões e buscarem quem pode resolver os problemas. O amadurecimento é visível”, acrescentou.
Mão de obra qualificada: um dos maiores desafios
Ao comentar a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, Clóves Cedraz afirmou que o Projeto Empreender também tem atuado nesse campo, com treinamentos direcionados à realidade de cada setor.
“Não adianta um consultor ensinar o mesmo método para quem vende carro e para quem vende feijão. Cada segmento precisa de alguém preparado para entender sua atividade. É assim que conseguimos resultados concretos”, observou.
Resultados que se multiplicam pela Bahia
Clóves destacou ainda a dimensão que o projeto tomou no estado, atraindo empreendedores de diferentes regiões para eventos de capacitação.
“Hoje, quando realizamos um encontro, como este em Feira de Santana, temos 800 participantes — e não apenas da cidade. Vem gente de Barreiras, de Luiz Eduardo Magalhães, de Mucuri. São pessoas que viajam mais de mil quilômetros porque reconhecem o valor do conhecimento que levam de volta para seus negócios”, ressaltou.
Para ele, o comprometimento dos empreendedores é o que mantém o projeto vivo e crescendo.
“Eles não vêm por passeio. Vêm em busca de aprendizado. Cada evento é uma casa cheia, e os resultados aparecem. Isso mostra o quanto o Empreender tem transformado a realidade das empresas baianas”, concluiu Cedraz.
