Demissões em massa de cobradores preocupam sindicato dos rodoviários em Feira de Santana

Foto: Matheus Gabriela

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Feira de Santana, Alberto Nery, alertou para as demissões em massa de cobradores no sistema de transporte coletivo do município. Segundo ele, o processo já era esperado devido ao avanço das tecnologias de pagamento, como cartão, QR Code e Pix, que reduziram a necessidade da função.

Nery explica que o sindicato vinha defendendo a importância social do cobrador, que vai além do recebimento de tarifas. “Sempre dissemos que o cobrador é fundamental no embarque de idosos e cadeirantes e no apoio ao motorista. Mas muitos não valorizam isso, e a função acabou sendo vista apenas como quem recebe e dá troco”, afirmou.

Com o início das dispensas, o sindicato acionou o Ministério Público do Trabalho. As empresas alegaram que a função havia perdido utilidade, e foi firmado um acordo para implantação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV).

Os trabalhadores que aderiram receberam um ano de tíquete-alimentação e plano de saúde gratuitos. A adesão foi considerada alta.

Mesmo assim, o número de cobradores caiu drasticamente. Hoje, restam apenas 70 a 80 profissionais nas duas empresas que operam na cidade. Antes da pandemia, o sistema contava com 1.200 rodoviários, sendo metade cobradores.

Nery destaca que o sindicato não aceita que motoristas assumam também a cobrança. “As empresas alegam que o cobrador não é mais necessário, mas isso não significa transferir a função para o motorista. Não vamos permitir que ele dirija e cobre ao mesmo tempo”, disse. Há, inclusive, uma proposta em discussão no Congresso Nacional para proibir essa dupla função.

Atualmente, apenas os ônibus articulados têm necessidade real de manter cobradores. Segundo o sindicato, o sistema deve operar, no máximo, com 60 a 70 profissionais na função.

O presidente do sindicato avalia que a implantação da tarifa zero — proposta estudada pelo governo federal — pode revitalizar o transporte coletivo. Hoje, o sistema opera com cerca de 140 ônibus, quando deveria ter aproximadamente 240, número anterior à pandemia.

Em cidades como Maceió e Aracaju, onde a tarifa zero foi adotada, a frota aumentou significativamente. Nery acredita que o mesmo pode acontecer em Feira de Santana. “Com tarifa gratuita, a demanda tende a crescer. Isso pode salvar o sistema e gerar mais postos de trabalho”, afirma.

Sobre o impacto dos aplicativos de transporte, Nery minimiza. Ele afirma que os usuários de Uber ou 99 não são os mesmos que utilizam ônibus diariamente. “O passageiro do aplicativo faz deslocamentos emergenciais, de bairro para bairro. O usuário do ônibus é o trabalhador, quem vai ao comércio ou visita familiares”, explica.

Para o dirigente, o maior desafio do transporte público local é garantir qualidade, frequência e segurança, independentemente da concorrência com outros modais.

Com informações: Matheus Gabriela

Por: Mayara Nailanne

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