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Encontro de filarmônicas celebra tradição, memória e intercâmbio cultural no interior da Bahia

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A música voltou a ocupar um dos espaços mais simbólicos da cidade com a apresentação conjunta de filarmônicas no Coreto, edificação histórica inaugurada em 1916. O encontro reuniu a Filarmônica 25 de Março, de Feira de Santana, e uma filarmônica vinda do município de Irará, instituição reconhecida pelo alto conceito artístico no estado da Bahia.

Para os músicos e organizadores, o intercâmbio representa mais do que uma apresentação musical. “É uma alegria receber uma filarmônica vizinha, reencontrar esse tipo de parceria e promover um intercâmbio onde todos aprendem. Aprendemos com a qualidade técnica deles, e eles conhecem a nossa história, nosso engajamento e a relação que mantemos com a comunidade”, destacou a organização do evento.

A escolha do Coreto como palco reforça o simbolismo da iniciativa. A proposta é retomar a tradição das bandas nas praças, promovendo o encontro direto com o público e fortalecendo os laços culturais. “Nosso desejo é trazer as bandas de volta para a praça e fazer com que a comunidade se reconheça nesse espaço”, ressaltou.

As filarmônicas desempenham um papel fundamental na preservação da memória e da identidade cultural do interior baiano. Além da formação musical, essas instituições mantêm acervos históricos que reúnem partituras, composições autorais e registros que contam a história de cada cidade.

“Cada filarmônica preserva não apenas um patrimônio material, mas também imaterial. Elas carregam a identidade de suas localidades, seus compositores e suas tradições”, explicou. Em Feira de Santana, a Filarmônica 25 de Março é um exemplo dessa resistência cultural. Com 157 anos de existência, a instituição segue ativa mesmo em uma cidade que se tornou cada vez mais urbana e metropolitana.

Em tempos marcados pelo uso intenso de tecnologias e efeitos sonoros, a apresentação acústica chamou a atenção do público. Sem qualquer tipo de sonorização, o concerto propôs uma escuta mais sensível e reflexiva.

“A tecnologia não precisa substituir o tradicional. Elas podem conviver de forma harmoniosa. Hoje, estamos tocando de forma acústica, como era feito historicamente, e isso oferece ao público uma experiência diferente, além de provocar uma reflexão sobre o uso desses equipamentos na cidade”, afirmou.

O evento reafirma a importância das filarmônicas como espaços de formação, resistência cultural e valorização da história, mantendo viva uma tradição que segue ecoando pelas praças do interior da Bahia.

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