Faltando apenas dois dias para a ceia de Natal, as feiras livres e os mercados populares de Salvador vivem um dos momentos mais intensos do ano. Na Feira de São Joaquim e na Feira de Sete Portas, o fluxo de consumidores aumenta desde as primeiras horas da manhã, com corredores cheios, sacolas nas mãos e listas de compras sendo refeitas a cada nova banca visitada. Para quem deixou as compras para os últimos dias, a realidade é clara: os preços estão mais altos e as opções mais disputadas.
O cenário se repete em diferentes pontos da cidade. Diferente do início de dezembro, quando ainda havia margem para pesquisa e negociação, agora o consumidor encontra valores pressionados pela alta demanda típica do período natalino. “Quem vem cedo escolhe melhor e paga menos. Quem vem agora precisa se adaptar”, resume o feirante José Carlos Santana, que trabalha há mais de duas décadas no Mercado de São Joaquim.
Entre os itens mais procurados estão as frutas, base de sobremesas, saladas e acompanhamentos da ceia. A uva, por exemplo, apresenta grande variação de preços. Nas feiras, a uva comum é encontrada entre R$ 12 e R$ 16 o quilo, enquanto a uva Itália gira em torno de R$ 12,50. Já a uva sem semente, uma das mais desejadas, aparece com valores bem mais elevados, variando de R$ 28 a R$ 40 o quilo, conforme a qualidade e o local de compra.
A maçã, outro item tradicional, também pesa mais no bolso neste fim de ano. O quilo da maçã nacional varia entre R$ 10 e R$ 14, enquanto a maçã importada pode custar entre R$ 15 e R$ 22 o quilo, valores considerados altos por muitos consumidores. “A maçã subiu muito. Todo ano a gente compra, mas agora está bem mais cara”, comenta a dona de casa Luciana Ribeiro, que circulava pela Feira de Sete Portas.
O pêssego fresco é encontrado entre R$ 14 e R$ 20 o quilo, enquanto o pêssego em calda, vendido em lata, varia de R$ 12 a R$ 20, dependendo da marca e do tamanho da embalagem. Já a ameixa fresca aparece com preços entre R$ 15 e R$ 24 o quilo, e a ameixa seca, bastante usada em recheios e farofas, varia de R$ 40 a R$ 55, podendo ultrapassar esse valor em bancas especializadas.
“Essas frutas sempre sobem perto do Natal. A procura é grande e a reposição fica mais difícil”, explica a feirante Ana Lúcia Santos, que trabalha há 15 anos na Sete Portas.
Entre os produtos que mais impactam o orçamento das famílias estão as castanhas. A castanha de caju, conforme preços já levantados e praticados em Salvador, pode ser encontrada entre R$ 50 e R$ 59 o quilo em promoções ou distribuidores locais. No entanto, dependendo da qualidade, do tipo (inteira, banda ou torrada) e do local de compra, o valor pode ultrapassar os R$ 100, chegando a R$ 125 o quilo em empórios e sites especializados.
Já a castanha-do-pará costuma ser mais acessível. Em compras embaladas ou a vácuo, há registros de preços a partir de R$ 33,50 o quilo, enquanto nas feiras o valor varia, em média, entre R$ 40 e R$ 60, conforme o tamanho e a procedência.
“A castanha nunca fica barata no Natal. É um produto muito procurado, não tem jeito”, afirma o comerciante Raimundo Souza, do Mercado de São Joaquim.
Peru segue como símbolo da ceia, mas muitos substituem
No setor de carnes, o peru congelado continua sendo o principal símbolo da ceia natalina, mas também um dos itens mais caros. Em Salvador, o quilo do peru temperado varia entre R$ 35 e R$ 40, dependendo da marca e do ponto de venda. Aves maiores ultrapassam facilmente os R$ 100 no valor final, o que tem levado muitas famílias a buscar alternativas.
O chester aparece em faixa semelhante, enquanto o frango natalino temperado surge como opção mais econômica, custando entre R$ 18 e R$ 25 o quilo. O pernil suíno também ganha espaço, com preços que variam entre R$ 22 e R$ 30 o quilo.
“Muita gente está trocando o peru por pernil ou frango. O importante é não deixar a mesa vazia”, observa o açougueiro Carlos Henrique Lima, da Feira de Sete Portas.
Embora as feiras permitam negociação, feirantes afirmam que nesta reta final os preços ficam mais rígidos. “Até dá para dar um desconto no fim do dia, mas não é regra”, explica José Carlos. Nos supermercados, os preços são mais estáveis, porém nem sempre mais baixos, especialmente em produtos importados e marcas tradicionais de Natal.
A avaliação dos comerciantes é de que os preços devem se manter elevados até a véspera de Natal, com possibilidade de novos reajustes em frutas, castanhas e aves, principalmente se houver aumento da procura ou dificuldade de reposição.
Para quem deixou as compras para a última hora, a estratégia tem sido adaptar o cardápio, reduzir quantidades e substituir itens mais caros por alternativas mais acessíveis. “Não vai faltar comida, mas vai ser tudo mais simples”, resume a aposentada Maria do Carmo Silva. “O Natal é mais sobre estar junto do que sobre exagerar na mesa”, disse.
Fonte:Tribuna da Bahia Foto: Divulgação
