Adeus a Itajay Pedra Branca: a voz que atravessou gerações e eternizou o rádio baiano

Foto: Itajaí Pedra Branca

O rádio baiano está de luto. Faleceu nesta quarta-feira (7), Itajay Pedra Branca, um dos nomes mais respeitados e emblemáticos da comunicação na Bahia e no Brasil. Aos 80 anos de idade, sendo 62 deles dedicados ao rádio, Itajay encerra um ciclo terreno, mas deixa um legado que ultrapassa gerações, microfones e fronteiras.

A confirmação da morte foi feita ao vivo durante a programação da Rádio Sociedade, emissora que sempre foi tratada por ele como “sua grande casa”. A notícia, carregada de emoção e silêncio respeitoso, refletiu o sentimento coletivo de colegas, ouvintes e amigos que aprenderam a reconhecer sua voz como parte da própria história do rádio.

Em entrevista concedida à ao Dia Dia News, o filho do comunicador, Andrews Pedra Branca, jornalista e professor universitário, relatou com serenidade os últimos dias do pai. Itajay esteve internado por 47 dias em uma unidade hospitalar privada de Feira de Santana, após dar entrada no dia 20 de novembro com um quadro inicial de desorientação.

Com o avanço do quadro clínico, os médicos diagnosticaram uma pneumonia grave, inicialmente considerada bacteriana, mas posteriormente identificada como pneumonia fúngica, o que agravou significativamente o estado de saúde. Após cerca de 30 dias, Itajay foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde passou a receber cuidados contínuos, monitoramento hemodinâmico e suporte integral da equipe médica.

Apesar dos esforços da medicina e da fé mantida pela família, Itajay Pedra Branca faleceu às 12h05, em decorrência das complicações da pneumonia, associadas a falência múltipla de órgãos e choque séptico.

“É o ciclo da vida. A matéria se vai, mas a memória e a história ficam preservadas”, declarou Andrews.

Foto: Reprodução

Em reconhecimento à relevância de Itajay Pedra Branca para a comunicação e para a história de Feira de Santana, o Poder Público Municipal decretou luto oficial de três dias. O sepultamento ocorrerá no Cemitério Jardim Celestial, com velório a ser definido pela família, considerando sua condição de figura pública e o desejo de permitir a despedida de amigos, colegas e ouvintes.

Mais do que um profissional consagrado, Itajay Pedra Branca foi lembrado como um homem simples, reservado, humilde, honesto e profundamente responsável. Sua atuação extrapolou o rádio esportivo: foi repórter, narrador, redator, noticiarista, mestre de cerimônias e fundador da antiga Assessoria de Comunicação da Prefeitura, que viria a se tornar a Secretaria de Comunicação, durante a gestão do saudoso prefeito José Falcão da Silva.

Mesmo após a aposentadoria, continuava sendo presença constante em eventos oficiais, desfiles cívicos e solenidades públicas, sempre atendendo aos convites com dedicação e respeito à cidade que ajudou a comunicar.

Ao lado de grandes nomes do rádio, entre eles o amigo e parceiro Dilson Barbosa, Itajay Pedra Branca percorreu o mundo em coberturas históricas. Juntos, realizaram transmissões internacionais, cobriram grandes eventos esportivos, narraram jogos memoráveis, acompanharam ídolos como Pelé, além de eventos religiosos e esportivos de projeção mundial.

Em uma época em que a tecnologia era limitada e a comunicação exigia coragem e precisão, Itajay ajudou a projetar o nome da Rádio Sociedade nacional e internacionalmente, consolidando a emissora como referência de credibilidade e profissionalismo.

Para o filho, seguir os passos do pai no jornalismo é motivo de orgulho e responsabilidade. Hoje professor do curso de Comunicação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Andrés carrega não apenas o sobrenome, mas os valores éticos, humanos e profissionais herdados de Itajay Pedra Branca.

“Ele cumpriu sua missão como homem, como pai e como profissional. Para mim, é uma honra imensa ter sido seu filho”, afirmou.

Itajay Pedra Branca se despede da vida terrena, mas permanece vivo na memória do rádio, nas histórias contadas pelos colegas, nos arquivos sonoros das transmissões e no exemplo deixado para os que sonham em fazer da comunicação um instrumento de serviço e verdade.

Hoje, o rádio silencia por um instante. Não por ausência, mas por respeito. Para que ecoe, mais forte do que nunca, o legado de Itajay Pedra Branca.

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