Transplantes na Bahia crescem 33% em 2025, aponta Sesab

A Bahia alcançou, em 2025, a marca de 1.384 transplantes de órgãos realizados, número que representa um crescimento de 33% em relação ao ano anterior e consolida o décimo primeiro ano consecutivo de aumento no volume de procedimentos no estado. Os dados foram contabilizados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio do Sistema Estadual de Transplantes, e refletem o fortalecimento contínuo da política pública de transplantes na rede estadual de saúde.

O cirurgião urologista Dr. Eduardo Cerqueira, em entrevista à reportagem do Dia a Dia News, explicou quem pode ser doador de órgãos e tecidos no Brasil e se existem restrições importantes que a população precisa conhecer:

“Em geral, qualquer pessoa pode ser um potencial doador, desde que não apresente contraindicações clínicas no momento do óbito. A idade não é um fator impeditivo; o que importa são as condições dos órgãos. A presença de infecções graves não controladas ou doenças que inviabilizem a doação são fatores de contraindicação, mas, de forma geral, qualquer pessoa pode ser doadora.”

Sobre o crescimento no número de transplantes na Bahia e o que esse avanço representa para os pacientes que aguardam na fila de espera, o médico destacou:

“Esse crescimento representa uma esperança real, pois cada transplante realizado é uma pessoa que sai da fila, ganha qualidade de vida e aumenta sua sobrevida. Portanto, esse aumento é algo extremamente significativo e sensível para a sociedade.”

Em relação ao funcionamento da fila de transplantes, Dr. Eduardo explicou:

“A fila não segue a ordem de chegada. Ela é organizada com base em critérios técnicos, médicos e éticos definidos nacionalmente. Cada paciente é avaliado individualmente, e sua posição pode variar conforme a evolução clínica, a compatibilidade e a urgência. Há casos em que pacientes são priorizados. Um exemplo é o transplante cardíaco em pacientes com choque cardiogênico, considerado uma urgência. Os critérios específicos variam conforme o tipo de transplante.”

Ele acrescentou:

“A fila é única, não havendo distinção entre SUS e rede privada. O critério não é financeiro, mas sim a compatibilidade e a urgência médica.”

Sobre situações em que a pessoa manifesta o desejo de ser doadora, mas a família não concorda, o médico esclareceu o que prevalece legalmente:

“Pela legislação brasileira, a família detém a decisão final. Por isso, é fundamental que a pessoa que deseja ser doadora deixe essa vontade clara aos familiares. A manifestação desse desejo é essencial. Entendemos que o momento da perda é extremamente delicado, e a família está fragilizada. A forma como a equipe aborda os familiares nesse momento é crucial para facilitar a aceitação da doação.”

Questionado sobre o maior desafio para ampliar o número de transplantes na Bahia, sob o ponto de vista médico, Dr. Eduardo afirmou:

“O principal desafio é o aumento do número de doadores. A equipe responsável pela abordagem familiar, juntamente com o psicólogo, desempenha um papel fundamental. A forma de acolhimento, o cuidado e a conversa especializada são decisivos para a concretização da doação.”

Dr. Eduardo Cerqueira deixou ainda uma mensagem para as pessoas que aguardam na fila de espera por um transplante:

“A mensagem que deixo é que o momento da perda é sempre muito difícil para todos nós, inclusive para os profissionais de saúde. No entanto, é importante lembrar que, por meio da doação, apesar da dor, estamos salvando uma vida e levando felicidade a outra família. Esse gesto se perpetua em outro núcleo familiar. Quando a família entende que, mesmo diante da dor, pode gerar esperança e alegria para outra pessoa, esse ato se torna uma forma de amenizar o sofrimento. Uma abordagem cuidadosa pode tocar o coração e permitir que alguém minimize a dor do outro.”

Ele finalizou esclarecendo que há diferenças na fila de transplantes em relação à idade:

“Sim, existem considerações relacionadas à compatibilidade do órgão. Em casos de crianças, por exemplo, é necessário avaliar a compatibilidade com órgãos de adultos.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Fernanda Martins/GOVBA. Fotos:Divulgação

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