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Exercícios sem acompanhamento profissional aumentam risco de problemas de saúde

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Com a chegada do verão, cresce o número de pessoas decididas a abandonar o sedentarismo e adotar uma rotina mais ativa. Ruas, praças e academias passam a receber mais praticantes, motivados pela busca por saúde, bem-estar e qualidade de vida. No entanto, esse movimento positivo exige atenção.

Começar a praticar atividade física sem orientação adequada pode trazer riscos, como dores musculares, lesões e até a desistência precoce dos exercícios, especialmente entre os idosos. Cada corpo tem suas particularidades, e respeitar os próprios limites é fundamental para que os benefícios apareçam de forma segura e duradoura.

A reportagem do Dia a Dia News ouviu educadores físicos e fisioterapeutas, que explicam quais exercícios são mais indicados para quem está iniciando e destacam a importância do acompanhamento profissional para prevenir problemas e garantir uma prática eficiente e saudável.

Thiago Ferraz, professor de Educação Física desde 2011, comenta sobre o aumento da procura por academias durante o verão:

“Muita gente cria aquela obrigação, aquele pensamento de que, no verão, como o corpo fica mais exposto, ele precisa ter uma aparência estética mais agradável. Com isso, a quantidade de atividade física que o indivíduo começa a realizar para tentar alcançar esse corpo ideal aumenta bastante nesse período.”

Sobre os riscos mais comuns de quem sai do sedentarismo e começa a treinar por conta própria, além do uso de canetas emagrecedoras, ele alerta:

“Muitas pessoas acreditam que aumentar excessivamente a quantidade de exercícios, sem uma adequação corporal, vai acelerar o emagrecimento ou melhorar a estética. Mas, em vez de alcançar resultados rápidos, acabam se lesionando ou desenvolvendo problemas articulares, porque o corpo não está preparado para aquele estímulo.”

Ele complementa:

“Essa questão das canetas emagrecedoras está muito em alta. Muita gente até consegue o corpo que busca, mas, sem a preparação corporal adequada, acaba se lesionando e se machucando.”

Thiago também chama atenção para os possíveis problemas futuros causados pelo uso de medicamentos ou pela prática de exercícios sem acompanhamento profissional:

“O principal problema é a perda de massa muscular. Com uma restrição calórica muito alta e pouca disposição para treinar, especialmente musculação, a pessoa pode desenvolver sarcopenia, que é a perda de massa muscular. Em vez de alcançar um aspecto estético saudável, acaba adquirindo uma aparência debilitada, que não é o objetivo.”

Ele finaliza ressaltando a importância do acompanhamento desde o início:

“É fundamental contar com acompanhamento profissional desde o começo. Assim, é possível estabelecer um protocolo e um planejamento de treino que evite lesões e traga resultados mais rápidos e eficientes.”

Sobre os cuidados com os idosos, a fisioterapeuta Millena Silva de Oliveira, instrutora de pilates e especialista em fisioterapia pélvica, explica:

“Os principais riscos que merecem atenção são as lesões e fraturas decorrentes da prática de atividade física sem orientação profissional. Além disso, é essencial monitorar a saúde cardiovascular. Por isso, o idoso deve passar por avaliação médica e cardiológica antes de iniciar qualquer exercício.”

Em relação às atividades mais recomendadas para idosos iniciantes, ela afirma:

“Atualmente, a hidroterapia, como a hidroginástica, e o pilates são altamente indicados, pois apresentam baixo impacto. É fundamental que essas atividades sejam sempre supervisionadas por um profissional qualificado.”

Millena também destaca a caminhada como uma boa opção:

“A caminhada é excelente, desde que o idoso utilize calçados confortáveis e escolha locais adequados, como superfícies planas e sem obstáculos. Em academias, a orientação profissional é indispensável.”

A fisioterapeuta reforça ainda os benefícios da atividade física para a saúde do idoso:

“A prática regular proporciona mais energia, melhora a força muscular, favorece a interação social e aumenta a satisfação pessoal. Durante e após os exercícios, o corpo libera endorfinas, que são fundamentais para o humor, a condição física e o bem-estar social.”

Já o fisioterapeuta Leandro Moura, pós graduado em em fisioterapia ortopédica e traumatológica, fala sobre a importância da fisioterapia para quem está começando uma rotina fitness:

“A fisioterapia tem um papel fundamental nesse processo. Muitas vezes, a pessoa foca apenas na atividade aeróbica, como a corrida, principalmente quando o objetivo é emagrecer. No entanto, as articulações precisam estar preparadas para suportar o impacto. Toda atividade aeróbica gera impacto, e a fisioterapia atua justamente na fase preparatória, garantindo mais segurança e qualidade.”

Ele explica que o acompanhamento deve ser contínuo:

“Não se trata apenas de praticar a atividade por praticar, pois isso pode gerar consequências a curto ou longo prazo. A fisioterapia atua tanto na preparação quanto no acompanhamento ao longo do tempo, respeitando a individualidade de cada paciente.”

Sobre as adaptações para pacientes com limitações pré-existentes, Leandro esclarece:

“A fisioterapia é totalmente adaptável. Ajustamos tempo, intensidade, superfícies de apoio e, quando necessário, utilizamos equipamentos específicos. Atendemos pacientes com diferentes condições, inclusive aqueles que sofreram AVC ou têm doenças neurológicas, sempre focando na funcionalidade.”

Ele também faz um alerta sobre a dor no início dos exercícios:

“A dor é um sinal importante. Em alguns casos, um leve desconforto é esperado, especialmente em pessoas sedentárias. Nosso objetivo é minimizar esse incômodo, respeitando os limites do paciente e prevenindo sobrecargas musculares e articulares.”

Por fim, o profissional destaca a importância do alongamento e da hidratação:

“Alongamento e hidratação são essenciais. Um músculo bem alongado e hidratado suporta melhor as cargas. Quanto mais saudável estiver o corpo, melhor será o desempenho nas atividades do dia a dia.”

Sobre doenças crônicas, ele conclui:

“Na maioria dos casos, elas não impedem a prática de exercícios. Pelo contrário, quando bem orientada, a atividade física faz parte do tratamento e contribui para a melhora da qualidade de vida.”

Escrita por Fernanda Martins, com informações:Fernanda Martins. Foto:Divulgação

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