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Seis anos depois, covid ainda mata e médica que enfrentou a pandemia em Feira faz alerta: “A doença não acabou”

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Seis anos após o primeiro diagnóstico oficial de covid-19 no Brasil, confirmado em 26 de fevereiro de 2020, o país acumula 39.318.227 casos e 716.626 mortes registradas entre 2020 e 2025. Os números expressivos, no entanto, não significam que quase 40 milhões de brasileiros tenham sido infectados apenas uma vez, já que uma mesma pessoa pode ter contraído o vírus em mais de uma ocasião. Passado o período mais crítico da pandemia, especialistas alertam: a doença não desapareceu e continua exigindo vigilância e vacinação, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis.

Em Feira de Santana, a médica infectologista Melissa Falcão esteve à frente da coordenação do Comitê Gestor Municipal de Controle ao Coronavírus durante o período mais agudo da crise sanitária. Seis anos depois, ela avalia os impactos da pandemia, os desafios atuais e faz um apelo à população.

Segundo a médica, a covid-19 deixou de ocupar o noticiário diário, mas continua circulando. “A covid é uma doença que veio para não ir embora. Temos a vacina, nosso organismo começou a se adaptar e as mutações tornaram o vírus menos agressivo. Mas as pessoas continuam adoecendo”, afirma.

Ela explica que a principal diferença em relação aos anos mais críticos é a redução na testagem. “Hoje se testa muito menos. Isso gera subnotificação. Existe, sim, um número maior de casos do que o oficialmente divulgado”, pontua.

De acordo com a infectologista, o cenário atual se assemelha ao da influenza: uma doença que permanece ao longo dos anos, com picos sazonais e risco maior para determinados grupos. “A gravidade diminuiu de forma geral, mas para idosos, pessoas com comorbidades e imunossuprimidos, o risco individual ainda existe”, alerta.

Para Melissa Falcão, a vacinação foi o ponto crucial para o controle da pandemia e a retomada das atividades sociais. “Sem dúvida, a vacina foi determinante para a resolução da pandemia. Foi graças a ela que pudemos retomar nossa vida”, afirma.

Atualmente, a vacina contra a covid-19 está disponível prioritariamente para idosos, profissionais de saúde e pessoas dos grupos de risco, com reforço anual — modelo semelhante ao adotado para a vacina da gripe. “A proteção precisa ser renovada. Assim como fazemos com a influenza, a vacina da covid deve continuar sendo aplicada uma vez ao ano nos grupos indicados”, orienta.

Ela também reforça a importância da imunização infantil, diante do aumento de casos entre crianças nos últimos anos. “A vacina pediátrica está disponível. Os pais não devem ter medo. O risco de complicações pela doença é muito maior do que eventuais efeitos adversos da vacina, que são raros”, destaca.

A médica chama atenção para outro efeito colateral da pandemia: a politização da vacinação e a queda nas coberturas de imunizantes tradicionais. “O Brasil sempre teve excelentes índices de vacinação contra sarampo, tuberculose, hepatite e tétano. Depois da pandemia, o ato de se vacinar ou não passou a ser tratado como questão política. Saúde não deve ser politizada”, critica.

Ela alerta para o reaparecimento de doenças já controladas. “Estamos vendo o retorno de enfermidades que estavam praticamente erradicadas. É fundamental manter o cartão de vacinação atualizado.”

Ao relembrar o período mais crítico da pandemia, Melissa destaca o impacto social do isolamento e das perdas. “Vimos idosos isolados, pais longe dos filhos, famílias sem poder se despedir. A pandemia deveria ter nos ensinado mais sobre empatia, sobre o valor do contato humano, da conversa sincera, do cuidado com o outro”, reflete.

Ela defende que pessoas com sintomas gripais voltem a adotar medidas simples de proteção. “Mesmo que não seja mais obrigatório, usar máscara quando estiver doente é um ato de respeito.”

Coordenar o enfrentamento à covid-19 em Feira de Santana foi, segundo a médica, o maior desafio de sua trajetória profissional e pessoal. “Foi o momento mais difícil da minha vida, mas também o mais gratificante. Recebíamos ligações de madrugada, convivíamos com o medo das pessoas, com a angústia das famílias. Muitas vezes tínhamos que comunicar perdas”, relembra.

Ela destaca o esforço coletivo envolvendo hospitais, aquisição de equipamentos, abertura de leitos e organização da campanha de vacinação. “Era uma mobilização diária. Apesar de tudo, acredito que cumpri minha missão de ajudar da melhor forma possível.”

Seis anos após o início da crise sanitária, a infectologista reforça que a covid-19 permanece como uma realidade. “A doença está menos agressiva de forma geral, mas não deixou de existir. Precisamos manter a responsabilidade, o cuidado com os mais vulneráveis e a vacinação em dia.”

Por: Mayara Nailanne

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