Os festejos juninos são, sem dúvida, uma das maiores expressões da cultura nordestina, marcados por tradições que atravessam gerações. Mas, como toda manifestação cultural viva, o São João também se reinventa e abre espaço para novos ritmos que dialogam com o público atual.
E é justamente sobre essa transformação que vamos falar agora.
O arrocha, gênero que nasceu na Bahia e conquistou multidões por todo o Brasil, vem ganhando cada vez mais espaço nos palcos juninos, dividindo a cena com o tradicional forró e ampliando a diversidade musical das festas.
Para entender melhor esse movimento, seus impactos e a importância dessa inclusão, o empresário Mário Paim, nome forte do entretenimento e responsável por grandes projetos musicais no estado, fala sobre como o arrocha vem se consolidando nos festejos, a aceitação do público e o que isso representa para a cultura e o mercado musical.
“Tem um ditado que diz: ‘as pessoas preferem ser salvas pelos elogios do que ser mortas pela crítica’. Toda crítica, quando é construtiva, quando é bem-vinda, quando não tem nenhum tipo de maldade, é válida. É um sinal que a gente precisa observar, entender. E essa crítica sempre existiu, não surgiu agora com o arrocha.”
Ele continua:
“Essa crítica começou quando surgiu o chamado ‘avião do forró’, com Wesley Safadão. Houve esse debate entre o forró tradicional e o forró moderno — e há espaço para todo mundo. Depois veio a crítica ao sertanejo dentro do forró, e agora a crítica ao arrocha no São João. O arrocha é um estilo musical extremamente genuíno, baiano, que eu considero super válido e que já faz parte do São João da Bahia.”
Ele também destaca a atuação do cantor Milsinho, da banda Toque Dez, nas grades dos grandes festejos juninos:
“Milsinho é um artista com uma sensibilidade maravilhosa. Há muito tempo ele já vem incluindo o forró no repertório dos shows de São João, e agora gravou um DVD totalmente voltado para esse período. Acho isso muito positivo, porque ele abraça o São João — que é fogueira, família, canjica, pamonha, forró, fogos e crianças soltando fogos. Ele trouxe tudo isso para o trabalho dele, e eu acho isso muito bonito.”
Em relação ao projeto “Sanjú na Máxima”, concluiu:
“Eu sempre gosto de dar os créditos a quem criou. Foi uma ideia dele. Ele é extremamente trabalhador, inquieto. No ano passado, como eu falei no palco, ele gravou 40 músicas, mas não tivemos tempo de lançar. Este ano, gravou mais 30 ou seja, tinha 70 músicas para escolher apenas 16. Foi tudo muito pensado por ele, uma forma de se conectar ainda mais com o São João. E eu achei essa ideia simplesmente perfeita.”
Com informações,escrita e fotos:Fernanda Martins
