A cultura baiana vive um processo de transformação estrutural que tem alterado de forma significativa a distribuição dos investimentos públicos no estado. Historicamente centralizados em Salvador, os recursos destinados ao setor passaram a ser redistribuídos a partir de uma lógica territorializada, permitindo que municípios do interior assumam protagonismo no desenvolvimento artístico e cultural da Bahia.
Em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado e referência regional em diversos setores, os reflexos dessa mudança já são perceptíveis no fortalecimento de políticas públicas, ampliação do fomento cultural e valorização das manifestações artísticas locais.
Durante entrevista ao programa Dia a Dia News, o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, detalhou os avanços da nova política de descentralização e destacou a mudança de paradigma adotada pelo Governo do Estado.
Segundo ele, por muitos anos prevaleceu a ideia de que a produção cultural de maior relevância estava concentrada na capital baiana.
Esse entendimento, segundo o secretário, contribuiu para um cenário de desigualdade histórica na aplicação dos recursos públicos.
“Durante muito tempo havia uma visão extremamente concentrada e, muitas vezes, preconceituosa, de que o interior da Bahia não possuía uma produção cultural capaz de justificar grandes investimentos. O que fizemos foi inverter essa lógica”, afirmou.
Atualmente, de acordo com Bruno Monteiro, mais de 70% dos recursos destinados à cultura no estado são aplicados em municípios do interior.
A redistribuição, explica, vai além da descentralização orçamentária.
Ela integra uma estratégia ampla de fortalecimento territorial, valorização das identidades culturais locais e democratização da ocupação dos equipamentos públicos.
Para o secretário, a cultura precisa ser compreendida a partir das realidades de cada território.
“A cultura é muito local. Ela possui prioridades próprias, manifestações específicas e uma força que nasce da identidade de cada região.”
Segundo ele, essa política tem ampliado o sentimento de pertencimento da população.
A cultura deixa de ser percebida apenas como espetáculo e passa a ser reconhecida como ferramenta de participação social e construção coletiva.
Outro reflexo dessa transformação aparece entre as novas gerações.
Durante visitas a escolas públicas de tempo integral no interior da Bahia, o secretário relata perceber uma mudança significativa na forma como os jovens enxergam a cultura.
Além das profissões tradicionalmente valorizadas, estudantes passaram a visualizar carreiras ligadas à arte e à produção cultural como possibilidades reais.
“A cultura deixou de ser algo distante. Hoje os jovens sonham em ser escritores, atores, músicos e produtores culturais.”
Segundo Bruno Monteiro, esse movimento dialoga diretamente com o fortalecimento da economia criativa, setor que tem se consolidado como importante vetor de desenvolvimento econômico e social.
Para ele, a descentralização dos investimentos marca uma nova etapa para a cultura baiana, em que o interior deixa de ocupar papel secundário e passa a assumir posição central na construção cultural do estado.
Feira de Santana, nesse contexto, desponta como um dos principais exemplos desse novo momento.
