O delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação inicial da morte de Henry Borel, afirmou nesta terça-feira (26) que a versão apresentada pelos réus logo após o crime foi uma “farsa ensaiada”.
O depoimento ocorreu na abertura do segundo dia de julgamento no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, onde o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e Monique Medeiros são julgados pelo homicídio do menino de 4 anos.
Contradições e mensagens de celular
Durante sua fala, o delegado destacou divergências entre o depoimento de Monique e as provas técnicas colhidas.
Monique alegou que teria retornado às pressas para casa após um alerta da babá, mas a análise das mensagens indicou que ela permaneceu em um salão de beleza por horas antes de chegar ao apartamento.
Damasceno declarou ainda que testemunhas, incluindo a babá e a avó da criança, teriam sido orientadas por advogados a mentirem em seus depoimentos iniciais na delegacia.
Rotina de agressões e laudos periciais
A investigação conduzida pela Polícia Civil apontou que Henry era submetido a uma rotina de agressões e torturas praticadas pelo padrasto.
Em um dos episódios relatados, Jairinho teria trancado o menino em um quarto, sendo que a criança foi ouvida gritando “eu prometo”. Depois, a criança teria alegado que “caiu da cama”.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) identificou 23 lesões no corpo da vítima, com causa da morte por hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.
Segundo o delegado, esses resultados tornam a hipótese de acidente doméstico, sustentada pela defesa, tecnicamente impossível.
Continuidade do julgamento
O júri deve se estender por um período de sete a dez dias. Além de Damasceno, a programação deste segundo dia prevê as oitivas da delegada Ana Carolina Medeiros e do perito Luiz Carlos Prestes.
Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Fonte:CNN Brasil Foto:Divulgação
