Celebrado nesta sexta-feira (5), o Dia Mundial do Meio Ambiente reforça a importância da preservação dos recursos naturais e da conscientização da população sobre práticas sustentáveis. Em Feira de Santana, os desafios ambientais estão diretamente ligados a questões sociais, como o déficit habitacional, o descarte irregular de resíduos e a necessidade de fortalecer a educação ambiental.
Em entrevista, o professor e educador ambiental João Dias destacou que muitos problemas ambientais têm origem em questões sociais. Segundo ele, o déficit habitacional no Brasil faz com que famílias de baixa renda busquem moradia em áreas próximas a lagoas e riachos, onde os terrenos costumam ser mais baratos e, muitas vezes, comercializados de forma irregular.
“Segundo dados do Governo Federal, o Brasil possui um déficit de cerca de 5 milhões de moradias. Muitas pessoas acabam procurando morar perto de lagoas e riachos. Como essas áreas geralmente não contam com infraestrutura adequada, os dejetos são lançados nesses ambientes, transformando um problema social em um problema ambiental”, explicou.
João Dias também defendeu a ampliação da educação ambiental nas escolas, afirmando que o tema deveria ter maior destaque no currículo escolar.
“Eu defendo que a educação ambiental seja uma disciplina específica. Precisamos ensinar crianças e adolescentes, na prática, a cuidar do meio ambiente. Essa conscientização é fundamental para mudar hábitos e construir uma cidade mais sustentável”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o descarte irregular de lixo. Apesar de Feira de Santana contar com coleta regular e aterro sanitário, o município ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao descarte inadequado de resíduos.
“Temos coleta de lixo e aterro sanitário, mas ainda convivemos com o descarte irregular em terrenos e espaços públicos. Isso gera impactos ambientais e problemas de saúde pública. É importante que a população respeite os horários da coleta e evite jogar lixo em locais inadequados”, alertou.
Ao falar sobre o crescimento da cidade, João Dias ressaltou a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
“É importante que haja desenvolvimento econômico, mas de forma sustentável. O crescimento da cidade precisa acontecer sem comprometer os recursos naturais e a qualidade de vida das futuras gerações”, observou.
Entre as prioridades ambientais para os próximos anos, o educador destacou a recuperação das lagoas urbanas, a melhoria da drenagem e a ampliação da arborização.
“A recuperação das lagoas pode trazer benefícios ambientais e até turísticos para Feira de Santana. Melhorar a drenagem ajudará a reduzir os alagamentos, enquanto a arborização contribuirá para amenizar as altas temperaturas e melhorar o conforto térmico da população”, disse.
Por fim, João Dias reforçou que a preservação ambiental é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e a sociedade.
“A Constituição Federal determina que cuidar do meio ambiente é dever do poder público e da coletividade. Não podemos esperar apenas pelas ações da Prefeitura. Cada cidadão pode contribuir não poluindo lagoas e nascentes, descartando corretamente os resíduos e preservando as árvores da cidade. Não existe outro planeta habitável para nós. Precisamos cuidar daquele que temos”, concluiu.
