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Liminar suspende despejo, mas casa de moradora é parcialmente demolida no bairro Conceição

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Na tarde desta sexta-feira (5), uma das casas localizada na Rua Vicente Reis, no bairro Conceição, onde os moradores receberam, na terça-feira (2), uma ordem de despejo, foi parcialmente demolida.

Relembre o caso:

Fabrícia Gomes, advogada dos moradores, explicou sobre a liminar que suspendeu a ordem de demolição:

“A manifestação que saiu no próprio dia 2 de junho trata diretamente da suspensão do cumprimento da execução. A partir disso, o processo precisa ficar parado, aguardando o juiz decidir sobre o mérito e sobre o que será feito. Nós também nos manifestamos posteriormente a essa decisão que suspendeu a execução para informar que os moradores já haviam sido retirados do imóvel.”

Fabrícia ressalta que, até o momento, não houve uma nova manifestação dentro dessa decisão que trate do caso de forma mais expressa.

“No entanto, quinta-feira foi feriado, hoje o Tribunal de Justiça também não funcionou, e sábado e domingo seguiremos da mesma forma. Aguardamos a segunda-feira para podermos diligenciar presencialmente e verificar uma nova manifestação dentro do processo, para saber se conseguiremos fazer com que os proprietários retornem aos imóveis enquanto o processo corre ou se a situação continuará dessa forma.”

A advogada concluiu:

“O imóvel permanece sem que eles retornem, mas também não está autorizado o ato procedimental que foi realizado, que é a demolição.”

Em relação ao retorno dos moradores, principalmente daqueles que tiveram suas casas danificadas, ela explicou:

“Seguimos dentro do processo realizando a defesa em relação a isso. Os embargos de terceiros estão sendo feitos, principalmente de forma individual, para trazer a especificidade de cada caso. No caso dessa moradora, ela foi atingida de forma mais grave do que os demais moradores. Seguimos aguardando qual será a decisão do juiz em relação a isso.”

Fabrícia também destacou o motivo pelo qual apenas uma casa foi parcialmente demolida:

“Somente essa casa porque foi a única em que todos os bens foram retirados. Nos outros imóveis, não foi possível retirar tudo porque não havia onde colocar. A proprietária dessa casa foi uma das que viveu um momento mais desesperador, porque o marido precisaria viajar posteriormente. Então, a ordem que ela recebeu foi que precisava retirar tudo naquele dia, porque no dia seguinte o trator passaria e demoliria o imóvel com tudo que estivesse dentro.”

Uma das moradoras, que não quis ser identificada, relatou as dificuldades que vem enfrentando desde que recebeu a ordem de despejo:

“Está sendo difícil, porque é um sonho que está sendo destruído. A gente luta tanto para ter a casa, luta para pagar as prestações, que são como um aluguel, e vem uma pessoa destruir esse sonho. São sete anos construindo esse sonho e acontece uma situação dessas. É muito triste. Estamos de favor em um galpão, com todas as nossas coisas jogadas.”

Ela também relatou o sofrimento dos filhos:

“Meu filho está com o corpo todo empolado porque tem alergia e sinusite. Neste momento, ele está na casa da avó, porque infelizmente não tem como ficar dentro do galpão onde estamos. É muito triste.”

A moradora finalizou:

“A gente deita a cabeça para dormir em uma casa e, quando acorda, está dentro de um galpão de terra. Quando chove, molha tudo, entra água. É muito difícil. E ainda estamos recebendo julgamentos. Meu filho, de nove anos, sofre bullying. Quando saímos para resolver alguma coisa na rua, somos apontados como se tivéssemos invadido um terreno. Mas temos todos os boletos pagos, temos documentos, está tudo dentro da pasta, tudo certinho.”

Com informações, escrita e fotos:Fernanda Martins

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