“Uma vitória. A Justiça foi feita.” A frase dita por Jurandhy Mascarenhas resume o sentimento de uma espera que durou quase 12 anos. Na madrugada desta sexta-feira (19), o pai de Geovane Mascarenhas de Santana viu três dos sete policiais militares acusados pela morte do filho serem condenados pelo Tribunal do Júri, encerrando uma das batalhas mais longas travadas por sua família em busca de responsabilização pelo crime que chocou a Bahia.
Para Jurandhy, a decisão vai além da punição aos condenados. “A sentença serviu de exemplo para os demais policiais que estavam lá, que a Justiça é para todos, inclusive para aqueles que acham que nunca poderão ser alcançados pela lei”, afirmou.
O pai de Geovane também relatou ter se sentido intimidado pela presença de dezenas de policiais militares durante o julgamento, realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. “Nunca vi tanta polícia em minha vida. O auditório estava lotado, até o sindicato deles estava lá, como se fosse para intimidar os jurados e a minha família, mas não adiantou. A sentença veio”, declarou.
Após mais de 20 horas de sessão distribuídas em dois dias, o Conselho de Sentença condenou os ex-PMs Jesimiel da Silva Resende e Cláudio Bonfim Borges a penas superiores a 20 anos de prisão pelo homicídio de Geovane, além de condenar Jailson Gomes Oliveira pelo crime de roubo. Outros quatro réus foram absolvidos.
“A pena foi válida para aqueles que pegaram o meu filho. Os réus condenados foram aqueles que sequestraram, levaram para o Batalhão e fizeram aquela barbaridade”, disse o pai de Geovane.
A decisão representa um desfecho histórico para um caso que ganhou repercussão nacional após o desaparecimento do jovem durante uma abordagem policial na Calçada, em agosto de 2014, e a posterior localização de seu corpo decapitado e carbonizado no Parque São Bartolomeu.
Fonte:Jornal Correios Foto:Almiro Lopes
