Neste 1º de julho, quando é celebrado o Dia Mundial da Vacina BCG, especialistas reforçam a importância da imunização como uma das principais formas de prevenção contra as formas graves da tuberculose. A vacina integra o calendário básico de vacinação infantil e deve ser aplicada preferencialmente logo após o nascimento.
A infectologista Melissa Falcão destaca que a BCG é utilizada há mais de um século e possui segurança e eficácia comprovadas. Ela explica que o imunizante é produzido a partir de uma cepa atenuada da bactéria causadora da tuberculose e estimula o organismo a desenvolver proteção contra as formas mais graves da doença.
A recomendação é que a aplicação ocorra ainda na maternidade. Apenas recém-nascidos prematuros com menos de dois quilos ou crianças com condições de imunossupressão devem ser avaliados antes da vacinação.
A médica lembra que o Brasil é um país com alta circulação da tuberculose e que o contato com a bactéria pode ocorrer em situações cotidianas, muitas vezes sem percepção.
A forma pulmonar é a mais comum e se manifesta principalmente por tosse persistente, febre no fim da tarde ou à noite e perda de peso. A infectologista chama atenção para a importância da investigação médica quando os sintomas respiratórios se prolongam por mais de uma semana.
Em alguns casos, o organismo consegue conter a infecção, mas a bactéria pode permanecer no corpo e se reativar anos depois, especialmente em pessoas com baixa imunidade, como pacientes em quimioterapia ou em uso de medicamentos imunossupressores. Nessas situações, a tuberculose pode atingir diferentes órgãos, como pulmões, rins, intestino, olhos e coração.
A BCG não impede totalmente a infecção, mas reduz de forma importante o risco de formas graves da doença, principalmente na infância.
Sobre a cicatriz característica da vacina, Melissa Falcão esclarece que ela não é mais obrigatória para comprovar a imunização. Desde 2019, o Ministério da Saúde orienta que a comprovação no cartão de vacinação é suficiente, mesmo na ausência da marca no braço.
A infectologista também reforça a importância da atualização do calendário vacinal e lembra que doenças como poliomielite e sarampo, já controladas, voltaram a apresentar casos devido à queda na cobertura de vacinação. Ela destaca ainda que a vacina contra a gripe está disponível para toda a população e não causa a doença, além de chamar atenção para a campanha de vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos, prorrogada até dezembro por baixa adesão.
A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima para atualizar a caderneta de vacinação e garantir proteção contra doenças preveníveis.
